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Em nome da exclusividade. Bugatti recusa segundo modelo mais versátil

Texto: Francisco Cruz
Data: 20 de Setembro, 2022

Apesar das pressões do mercado e até mesmo da abertura revelada pelo anterior CEO, Stephan Winkelmann, a verdade é que a Bugatti promete continuar irredutível e sem concessões às mais recentes tendências. O que, neste caso e segundo as mais recentes notícias, significa “esqueçam a possibilidade de um qualquer SUV ou modelo mais vocacionado para uma utilização no dia-a-dia”.

A notícia é avançada pelo britânica Autocar, com base em declarações do director de design da marca de Molsheim, Achim Anscheidt, à publicação.

Segundo Anscheidt, a decisão já tomada pela nova liderança da Bugatti, de não ceder às tentações do mercado, baseia-se na ideia de que, o lançamento de um modelo tipo SUV ou até mesmo de características mais versáteis e funcionais, significaria retirar valor e exclusividade à marca.

O director de design da Bugatti defende a necessidade de preservar a exclusividade e o valor da marca Bugatti
O director de design da Bugatti defende a necessidade de preservar a exclusividade e o valor da marca Bugatti, em detrimento do lançamento de um segundo modelo mais versátil

“Sempre tivemos uma ideia muito preciso daquilo que um modelo de segunda linha deveria ser”, defende o director de design da Bugatti, recordando que, “no entanto e a determinada altura, também fomos obrigados a colocar em cima da mesa a interrogação se não estaríamos a vender a marca por um punhado de  moedas”.

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Ainda sobre o tema, o entrevistado assegura que, “se alguém chegar e decidir fazer um segundo modelo de utilização mais diária, eu serei sempre um defensor de equilibrar os pratos da balança, não esquecendo aquelas que são as raízes da marca e, por isso, criando, também e ao mesmo tempo, algo mais exclusivo”. “Isto significa que, a partir do mesmo em que entrarmos na luta pelo volume, teremos de acrescentar, igualmente, mais exclusividade, fazendo deste último produto o coração e equilibrando, dessa forma, aquilo que a génese e valor da marca”.

O caminho de Winkelmann

Recordar que esta tomada de posição pública do director de design da Bugatti surge depois de e ainda numa fase em que o fabricante francês pertencia exclusivamente ao Grupo Volkswagen, o seu então CEO, Stephan Winkelmann, ter admitido a possibilidade da marca vir a dispor de um segundo modelo, cuja abordagem seria diferente daquela que foi utilizada no Chiron.

Dito de outra forma, o modelo apresentaria uma abordagem mais prática e funcional, podendo mesmo adoptar um posicionamento hoje em dia com elevada procura no mercado, como são os SUV ou até mesmo um Grand Turismo de 4 portas. Sendo que, Winkelmann admitia, inclusivamente, a possibilidade do modelo não ser totalmente feito de base e à medida, como acontece com o Chiron, mas recorrendo ao banco de orgãos do grupo alemão.

O concept 16C Galibier... de 2009
O concept 16C Galibier… de 2009

Na altura, o então CEO chegou a revelar que, aquele que seria o segundo modelo da Bugatti, seria uma proposta vocacionada “para uma utilização no dia-a-dia” e, também por isso, com “formas distintas” do Chiron, ao passo que, em termos de motor, o modelo abdicaria do icónico W16, para adoptar “uma solução eletrificada”, vista como uma “abordagem mais adequada” para este tipo de proposta.

O peso da exclusividade

No entanto e particularmente após a entrada da nova liderança, protagonizada pelo jovem empreendedor croata Mate Rimac, os ventos parecem ter mudado na Bugatti, com o também fundador da Rimac Automobili a deixar a ideia de não estar disponível para beliscar o enorme nível de exclusividade e valor da marca Bugatti, em detrimento de qualquer aumento de volume nas vendas.

Pelo menos para já, o Chiron vai continuar sendo o único modelo da Bugatti. Também por causa da exclusividade...
Pelo menos para já, o Chiron vai continuar sendo o único modelo da Bugatti. Também por causa da exclusividade…

Aliás e a demonstrá-lo, surge o recente anúncio relativo à mais recente variante do até aqui único modelo da marca, o Chiron, e que é também a primeira derivação roadster deste hiperdesportivo.

Batizado de Mistral, o modelo será o último Bugatti a envergar o emblemático W16, além de ter uma produção limitada a não mais que 99 unidades.

Maior exclusividade do que isto…