Mobieco

Publicidade

Morre… para renascer. Renault Scénic vai regressar como EV a hidrogénio

Texto: Francisco Cruz
Data: 19 de Maio, 2022

Numa altura em que o mercado ainda assimila as notícias que dão conta do desaparecimento próximo do Scénic, eis que surge, agora, a garantia de que, afinal, o popular monovolume compacto não vai desaparecer… mas renascer. Mais concretamente, na forma de um EV de linhas radicais, com propulsão também a hidrogénio, e, garante a Renault, já para 2024. O Scénic Vision Concept é a sua antevisão.

A notícia é avançada pela britânica Autocar, que esteve à conversa com o vice-presidente para o Design do Grupo Renault, Gilles Vidal, o qual terá dado a conhecer aquela que, à partida, será a nova vida do Scénic.

Segundo a publicação, o futuro Scénic, do qual já existe, inclusivamente, um concept que servirá de ponto de partida para o modelo de produção, integrará a oferta 100% elétrica da marca francesa, com um posicionamento, em termos de gama, abaixo do elétrico Renault Mégane E-Tech.

O concept Renault Scénic Vision deverá dar origem ao Scénic renascido... em 2024
O concept Renault Scénic Vision deverá dar origem ao Scénic renascido… em 2024

Por outro lado e embora prometido, desde já, com um sistema de propulsão elétrico a bateria, a Renault também destaca o facto do concept que lhe está na base, exibir um trem de força elétrico, mas a hidrogénio. Solução que reflete uma “visão mais ampla”, por parte do fabricante, neste domínio, e que a marca pretende que se torne mais prevalente, para lá de 2030, em particular, nos veículos comerciais ligeiros.

LEIA TAMBÉM
Já disponível em Portugal. Conduzimos o novo Renault Megane E-Tech Elétrico

Sobre o concept, batizado de Scenic Vision, a Autocar destaca as dimensões exteriores que se traduzem um comprimento de 4,490 m, numa largura de 1,900 m e numa altura de 1,590 m, o que faz deste concept um produto mais comprido (+280 mm), mais largo (120 mm) e mais alto (85 mm) que o Mégane E-Tech Electric , além de com uma distância entre eixos 135 mm mais longa. Aspectos que, ainda assim, não impedem que o Scénic Vision descarte a configuração do atual Scénic, de MPV, para assumir as linhas de um SUV.

Sobre as linhas, a Renault salienta o “design moderno com um  lado sustentável”, nas quais não falta igualmente a identificação com o Mégane E-Tech Electric através da barra de luz envolvente e os finos faróis LED, assim como uma certa componente tecnológica. Da qual fazem parte soluções como as portas com dobradiças traseiras, operadas eletricamente através de um pressionar do logótipo da Renault presente nas mesmas. Sendo que, a partir daí, a marca francesa destaca o fácil acesso e saída, graças à inexistência de pilares B.

O Scénic Vision prescinde dos pilares B, como forma de facilitar o acesso e saída do habitáculo
O Scénic Vision prescinde dos pilares B, como forma de facilitar o acesso e saída do habitáculo

Contudo e se está a pensar que tudo isto só é possível num concept, é o próprio vice-presidente para o Design da Renault que lhe responde: embora podendo ser evoluído, o atual design exterior do Scénic Vision será aplicado, em cerca de 90%, na versão de produção a lançar em 2024.

Interior reciclável… e espaçoso

Passando ao interior, o fabricante gaulês destaca o facto do Scénic Vision ser fabricado, em cerca de 70%, com materiais reciclados, dos quais, 95%, são, por sua vez, também recicláveis. Incluindo, diz a Renault, as baterias.

Por outro lado e entre as prioridades está, igualmente, a maximização do espaço. O que fez com que, por exemplo, os suportes dos bancos sejam ficados nos painéis das portas, como forma de facilitar a entrada. Sendo que, o próprio painel na porta do motorista tem a capacidade de mover-se, como forma de ajustar o posicionamento do banco.

O interior do concept Scénic Vision contempla vários ecrãs, dos mais diferentes tamanhos
O interior do concept Scénic Vision contempla vários ecrãs, dos mais diferentes tamanhos

Finalmente, destaque para a presença de microfones e altifalantes em cada banco, de forma a “criar um ambiente sonoro único” para cada ocupante, assim como de um ecrã no volante a mostrar os lugares traseiros e ecrãs giratórios que se posicionam consoante a visão do condutor. Ou ainda de uma tela extra gigante, a toda a largura do tablier, que recorre a câmaras na frente para melhorar a visibilidade em até 24%, diz a Renault.

Ainda entre as tecnologias, um sistema Safety Coach que analisa o comportamento do condutor, sugerindo formas de melhorar a sua condução; vários ecrãs com widgets configuráveis; e sistema de reconhecimento facial, que faz com que o interior se adapte aos gostos de cada condutor.

Com propulsão elétrica… e célula de combustível a hidrogénio

Relativamente ao trem de força deste Scénic Vision, a Autocar avança que se trata de um só motor elétrico, a debitar 215 cv, e que surge montado à frente, acompanhado de uma bateria de capacidade menor (40 kWh). Com a maior novidade a vir da presença de um sistema de célula de combustível (Fuel Cell) a hidrogénio de 15 kW, capaz de carregar a bateria quando em movimento.

A plataforma que deverá servir de base à versão de produção do Renault Scénic Vision Concept
A plataforma que deverá servir de base à versão de produção do Renault Scénic Vision Concept

A justificar tal opção, o facto da Renault acreditar que, a partir de 2030, a rede de abastecimento de hidrogénio terá uma tal abrangência, que será possível conduzir durante mais de 800 km, sem necessidade de abastecer. Sendo que, quando o momento chegar, serão necessários apenas cinco minutos para repor a totalidade da autonomia.

Ainda sobre esta solução, a publicação salienta que os engenheiros da marca do losango estão já a desenvolver uma arquitectura totalmente nova para veículos elétricos a hidrogénio. A qual, no entanto e neste momento, ainda não terá passado da fase de protótipo.

Finalmente e quanto à plataforma, Gilles Vidal terá revelado à Autocar que, embora a solução CMF-B EV, que dará forma ao futuro Renault 5, tenha sido considerada, a solução, para o Scénic Vision de produção, deverá passar pela mesma arquitectura do Mégane E-Tech Electric. Isto, também porque uma plataforma com tanques a hidrogénio não deverá estar pronta para ser usada num veículo de produção antes da década de 2030, assume o fabricante.