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Centrada na revolução elétrica. Volkswagen revela estratégia ‘New Auto’

Texto: Francisco Cruz
Data: 17 de Julho, 2021

O Volkswagen Group apresentou, esta terça-feira, a sua nova estratégia de mercado, com vista à liderança mundial no domínio da Mobilidade Autónoma Elétrica. A qual, intitulada “New Auto”, aposta em novas tecnologias, mais veículos elétricos, e o aumento do peso dos serviços de software, para garantir maiores e novas receitas. Já a partir de 2025.

Adoptando com objectivo base a redução da pegada de carbono por carro (ao longo do seu ciclo vida), em 30%, versus aos valores registados de 2018, o Volkswagen Group anuncia, agora, a intenção de aumentar, durante o mesmo período, a quota de veículos elétricos a bateria (EV) para 50%. Isto, com o objectivo último de chegar a 2040 com praticamente todos os veículos propostos pelas marcas do grupo, a serem zero emissões.

Desta forma, o grupo automóvel alemão espera chegar, o mais tardar, a 2050, com uma operação totalmente neutra, do ponto de vista climático.

Também resultado desta transição, a Volkswagen prevê que os lucros e reservas de receitas passem, gradualmente, dos veículos com motor de combustão interna (ICE), para os veículos elétricos a bateria (BEV). Assim como para o software e serviços, ambos impulsionados pela condução autónoma.

Centrado em vários pilares fundamentais, o novo plano estratégico New Auto visa tornar o Volkswagen Group líder na Mobilidade Autónoma Elétrica
Centrado em vários pilares fundamentais, o novo plano estratégico New Auto visa tornar o Volkswagen Group líder na Mobilidade Autónoma Elétrica

Aliás, o fabricante alemão afirma, também, acreditar que, o mercado ICE venha a emagrecer, mais de 20%, ao longo da próxima década. Acabando, mesmo, ultrapassados pelos BEV, enquanto tecnologia mais procurada.

Já no que diz respeito ao software e serviços, a Volkswagen prevê, como estimativa, resultados na ordem dos 1,2 triliões de euros, até 2030, acrescentando, dessa forma, “um terço”, aos resultados das vendas esperadas de BEV e ICE. Duplicando, assim, o valor do mercado global de mobilidade, dos atuais 2 triliões de euros, para os 5 triliões de euros.

Margens maiores para enfrentar o futuro

No entanto e apesar do crescimento do peso dos serviços, o Volkswagen Group também acredita que a mobilidade individual, baseada em automóveis, continue a representar, por essa altura, 85% do mercado e do negócio do grupo.

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Finalmente e a suportar financeiramente a decisão de transição para os BEVs, um desejado aumento da margem nas vendas de ICEs, dos atuais 7-8%, para 8-9% – ainda que, com a consciência de que estes ficarão mais penalizados, com a entrada em vigor do Euro 7 -, mas também as sinergias que levarão a custos mais baixos, na produção de baterias e funcionamento das fábricas.

“Vamos escalar as nossas plataformas BEV, vamos desenvolver uma pilha de software automóvel líder. E vamos continuar a investir na condução autónoma e em serviços de mobilidade. Durante esta transição, o nosso robusto negócio ICE ajudará a gerar os lucros e fluxos de caixa para o fazer”, explica o CFO do Volkswagen Group, Arno Antlitz.

Com 73 mil milhões para novas tecnologias, plataformas e software

Entretanto e na sequência deste novo plano, o Volkswagen Group anuncia um total de 73 mil milhões de euros para investir em novas tecnologias, a desenvolver entre 2021 e 2025. O que, precisa o grupo, representará 50% da totalidade dos investimentos previstos para o período em questão.

A tecnologia, integrada na Mobilidade Elétrica, é um dos aspectos da estratégia New Auto
A tecnologia, integrada na Mobilidade Elétrica, é um dos aspectos da estratégia New Auto

Ao mesmo tempo, o fabricante automóvel promete reforçar, ainda, a parte dos investimentos na eletrificação e digitalização, embora e neste caso, sem revelar valores. Aumentando, também, a eficiência, neste caso, tendo como meta, para os próximos dois anos, reduzir em 5% os custos fixos.

Ainda no domínio das tecnologias, a garantia de uma ofensiva sustentada em quatro plataformas tecnológicas chave, a utilizar por todas as marcas de veículos de passageiros e de comerciais ligeiros do grupo, a começar na nova plataforma mecatrónica de nova geração, intitulada Scalable Systems Platform (SSP). E que é encarada como a sucessora das já conhecidas MQB, MSB e MLB, assim como das mais recentes MEB e PPE.

O objectivo, no futuro, revela o Volkswagen Group, será passar para apenas duas plataformas BEV, com a certeza de que, a partir de 2026, todos os veículos 100% elétricos terão por base a futura SPP. Cujo desenvolvimento, acrescente-se, estará a cargo de um novo centro de Investigação & Desenvolvimento a criar em Wolfsburgo, mediante um investimento previsto de 800 milhões de euros.

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Além das plataformas, o fabricante prepara, através da sua empresa de software automóvel CARIAD, uma nova arquitectura de software líder, até 2025. Uma espécie de produto final, resultado de um desenvolvimento que, ao longo do caminho, já deu a conhecer a plataforma de software E3 1.1, atualmente em utilização nos produtos que têm por base a MEB (Volkswagen ID.4 ou Skoda Enyaq, entre outros) e que já permite atualizações over-the-air. E a que se seguirá, em 2023, a E3 1.2, solução premium que se destinará aos veículos Audi e Porsche e que já deverá ser capaz de oferecer Nível 4 de Condução Autónoma.

A importância das baterias

Aliás e a par desta evolução, o Volkswagen Group anuncia a criação de uma nova divisão de Tecnologia no grupo, e que será responsável pelo desenvolvimento de uma nova solução tecnológica, em termos de baterias. Criando “um circuito fechado na cadeia de valor das baterias como a forma mais sustentável e rentável de construir baterias“, explicita o fabricante.

Para tal, o grupo está tentar desenvolver, até 2030, um formato unificado de célula de bateria, com até 50% de redução de custos e até 80% de casos de utilização. Sendo que, no mesmo prazo, a Volkswagen tem previsto construir seis giga-fábricas na Europa, com uma capacidade total de produção de 240 GWh, para ajudarem a garantir o fornecimento de baterias.

A concepção e produção de baterias é um dos aspectos em que Volkswagen promete focar a sua acção
A concepção e produção de baterias é um dos aspectos em que Volkswagen promete focar a sua acção

De resto e embora o desejo de construção de fábricas para produção de baterias não se fique pela Europa, chegando, mesmo, à China, o Volkswagen Group pretende, no caso do Velho Continente, fixar a cerne da sua “campanha elétrica”, em Espanha. Passando a produzir, a partir de 2025 e em conjunto com um parceiro estratégico, toda a família Small BEV do grupo, no país vizinho de Portugal. Decisão que, no entanto, está ainda dependente “do quadro geral e dos subsídios estatais”.

Com a Condução Autónoma (também) como objectivo

Finalmente e até 2030, o desejo de criar frotas autónomas de shuttles, enquanto parte deste novo plano ‘New Auto’, com base em quatro áreas de negócio: o sistema de autocondução, a sua integração nos veículos, a gestão da frota e a plataforma de mobilidade.

Um projecto que o Volkswagen Group pretende desenvolver com o parceiro estratégico Argo AI, sendo que, neste momento, o grupo está já a desenvolver os primeiros projectos-piloto, em Munique, na Alemanha. Os quais, no futuro, deverão estender-se a outros pontos do globo, com a expectativa declarada de atingir um valor de negócio acima dos 70 mil milhões de dólares (pouco mais de 59 mil milhões de euros, à cotação atual), até 2030; isto, contabilizando, apenas, os cinco maiores mercados europeus.

A mobilidade autónoma é um dos pilares do novo plano estratégico New Auto
A mobilidade autónoma é um dos pilares do novo plano estratégico New Auto

Ainda que, reafirma o grupo alemão, neste seu novo plano estratégico, Estados Unidos da América e China, continuem a ser, a par da Europa, os principais focos de atividade daquele que tem disputado com a japonesa Toyota Motor Corporation, o ceptro de maior construtor automóvel mundial…