Mobieco

Publicidade

Ao volante e com preços! BYD Dolphin é o EV chinês que vai agitar os mares

Texto: Francisco Cruz
Data: 22 de Junho, 2023

Chama-se Dolphin, que em português significa ‘Golfinho’, e promete ser o modelo com que a chinesa BYD agitará um mar cada vez mais cheio de tubarões. Sendo que, no caso deste EV chinês, até mais do que a condução, é o equipamento, a autonomia, e, especialmente, o preço, que vai causar agitação!

Embora ainda desconhecida da maioria dos portugueses, a verdade é que a BYD, acrónimo de ‘Build Your Dreams’, é, já hoje em dia, um player de respeito em áreas como a Tecnologia ou a Inovação, graças a uma atividade que vai desde a Electrónica às Novas Energias, dos Transportes Ferroviários ao Automóvel. E não apenas na China, onde tem sido líder de vendas de Veículos Elétricos (EV) e Híbridos Plug-In (PHEV) nos últimos nove anos, mas também pelo mundo, depois de, em 2022, ter vendido perto de 1,9 milhões de veículos a energias alternativas.

Em Portugal, onde o grupo chinês dá agora os primeiros passos, através de uma parceria com o Grupo Salvador Caetano, a estreia fez-se com a abertura de dois concessionários (Lisboa e Porto) e uma gama de três modelos 100% elétricos: o Atto 3, um crossover para o segmento C; o Tang, um SUV de sete lugares; e o Han, uma berlina topo de gama. Propostas a que se juntará em breve o modelo que, acreditam os responsáveis da BYD, contribuirá definitivamente para o disparar das vendas em mercados como o português – o Dolphin.

A gama da BYD contará, ainda durante este ano, com cinco modelos: além do Tang, do Han e do Atto 3, o Dolphin e o Seagull também estão a caminho
A gama da BYD contará, ainda durante este ano, com cinco modelos EV: além do Tang, do Han e do Atto 3, o Dolphin e o Seagull também estão a caminho

Proposta que, em conjunto com a futura berlina EV para o segmento D, de nome Seagull, compõe as chamadas ‘Ocean Series’, veículos cuja estética vai buscar a influência ao meio marinho, o BYD Dolphin é um hatchback apontado ao mais importante segmento do mercado europeu, o dos familiares compactos (C), que, num corpo com 4,29 m de comprimento e 2,70 m de distância entre eixos, prima por um design exterior sem grandes inovações estilísticas. Ainda que bem equilibrado na forma como conjuga o design “Ocean Aesthetics” (observado de perfil, a BYD garante que as linhas cruzadas remetem para um golfinho a saltar), com soluções hoje em dia muito em voga, como é o caso dos farolins traseiros interligados entre si e com um desenho interior específico.

LEIA TAMBÉM
Gama de três modelos. Chinesa BYD abriu os primeiros showrooms em Portugal

Ainda no exterior, mas apenas para a versão de topo, uma pintura bicolor, também ela inspirada nos golfinhos e a incluir o capot dianteiro, ao invés dos pilares, a que se soma ainda as jantes de 16″ (ou 17″), revestidas por uns pouco conhecidos pneus Linglong 205/50, que, haveríamos de descobrir mais tarde, também mostraram uma certa apetência para a “cantoria”…

As novidades que não se vêem

Na verdade, a maior novidade até está longe dos olhos e, mais concretamente, na arquitectura que serve de base a este Dolphin. E que começa, desde logo, na inovadora e-Platform 3.0, criação da própria BYD, que, além de específica para veículos elétricos, não só de comprimentos variados, mas também com um ou mais motores, de tracção dianteira (é o caso do Dolphin) ou 4x4, integra ainda, como elemento estrutural, as não menos inovadoras baterias sem cobalto, de fosfato de ferro-lítio (LFP), batizadas de Blade.

O Dolphin é um EV fabricado na totalidade com recurso à inovação alcançada pela BYD
O Dolphin é um EV fabricado na totalidade com recurso à inovação alcançada pela BYD

O nome, mais do que uma escolha aleatória, tem a ver com a disposição das células em filetes tipo lâmina, dispostos dentro de um invólucro especialmente fino (apenas 12 cm) e cuja solução química LFP garante, segundo o fabricante e face à mais vulgar tecnologia de iões de lítio, mais segurança, estabilidade térmica, durabilidade e densidade, além de um consumos de energia mais baixo.

Finalmente, a juntar a estas duas inovações, a tecnologia de propulsão elétrica igualmente patenteada pela BYD e que se traduz num sistema 8 em 1, a integrar num só elemento a Unidade de Controlo do Veículo, o Sistema de Gestão da Bateria, a Unidade de Distribuição de Energia, o Motor de Tracção, o Controlador do Motor, a Transmissão, DC-DC e o Carregador de Bordo. Integração que, garante o fabricante, permite uma eficiência na ordem dos 89%, tal como a bomba de calor de alta eficiência aumenta a eficiência térmica, no Inverno, em até 15%.

Um habitáculo personalizado

Chegado o momento de entrar no habitáculo, a constatação de um acesso mais fácil aos lugares da frente, já que, atrás e apesar do piso plano, com espaço convincente para pernas, é a necessidade de baixar a cabeça ao entrar, assim como a não muita distância entre a cabeça e o tejadilho, que se faz notar.

O Dolphin tem um habitáculo bastante mais personalizado que o exterior... e com um ecrã central rotativo que promete fazer as delícias da família!
O Dolphin tem um habitáculo bastante mais personalizado que o exterior… e com um ecrã central rotativo que promete fazer as delícias da família!

Aos comandos, uma posição de condução ligeiramente elevada, mas confortável, graças a um banco em couro vegan (de série) razoavelmente envolvente e de ajustes elétricos, além de um volante de óptima pega, tricolor, com comandos físicos (não muito intuitivos ou funcionais), mas também ajustável, tanto em altura, como em profundidade.

De resto, é também aí que nos apercebemos de alguns dos aspectos mais marcantes, nesta nova linguagem de design, como é o caso da manete interior da porta, inspirada na barbatana lateral do golfinho e surpreendentemente fácil de utilizar. Ou, ainda, das quatro saídas de ar redondas, fortemente destacadas num tablier de linhas angulosas, e onde não faltam alguns espaços de arrumação abertos, assim como dois conjuntos de comandos arredondados: o da consola central, para accionamento dos modos de condução, regulação da intensidade da recuperação de energia e ajuste, tanto do ar condicionado, como do som, e o que figura entre os bancos, para accionamento do travão de estacionamento ou desligar o ESP, entre outros. Todos eles primando bem mais pela invulgaridade da forma, do que propriamente pela facilidade de accionamento.

Contudo e num ambiente em que, apesar dos plásticos, consegue sentir-se alguma solidez, além de luminosidade, neste último caso, graças não só à cor, como também ao generoso tecto panorâmico em vidro (de série apenas na versão de topo), elogios, igualmente, para o equipamento completo, com várias entradas USB-C espalhadas pelo habitáculo, base de carregamento wireless, além de um painel de instrumentos digital e a cores, ainda que demasiado pequeno, não configurável, e com excessiva informação, transmitida através de símbolos muito pequenos. Tornando ainda mais atraente o generoso ecrã central táctil de 12,8″, rotativo electricamente sobre si mesmo (tanto pode ficar na vertical, como na horizontal, bastando, para tal, pressionar um botão), mas também a exigir algum tempo de habituação para passar a encontrar, mais facilmente, entre tantos menús e sub-menús, as opções pretendidas.

Já na bagageira e apesar das curtas extensões, tanto à frente, como atrás, uma capacidade que começa nos 345 litros, com bom plano de carga, e que beneficia ainda da possibilidade de rebatimento 60/40 das costas dos bancos traseiros, no seguimento do piso. Elevando, assim, para 1.310 litros, o espaço disponível para transportar de quaisquer cargas.

Familiar de potência discreta

Iniciada a condução por um trajecto pré-definido, de cerca de 140 quilómetros, e que nos levou por auto-estradas e percursos insinuantes de montanha em redor de capital espanhola, Madrid, não foi preciso mais do que algumas centenas de metros para estranharmos o forte silvo que, viríamos a descobrir, é o som escolhido pelo fabricante como alerta de aproximação, para peões. Mas que, neste Dolphin, nos pareceu exageradamente alto, inclusive, no interior do habitáculo.

Abaixo dos 20 km/h, o Dolphin emite o tradicional sinal sonoro de alerta para peões... mas muito alto!
Abaixo dos 20 km/h, o BYD Dolphin emite o tradicional sinal sonoro dos EV para alerta dos peões… mas muito alto!

No entanto e porque o sistema só se manifesta abaixo dos 20 km/h, bastou a vontade de descobrir o que poderiam valer os 204 cv do hatchback chinês, ou até mesmo a promessa de acelerações dos 0 aos 100 km/h em apenas 7s, para que o barulho fosse esquecido. Passando a dar atenção, sim, à forma despachada e ágil como o Dolphin evoluía, ainda que privilegiando invariavelmente o conforto e bem estar dos ocupantes, do que propriamente uma grande eficácia dinâmica. Notando-se, inclusivamente e não apenas nas partes mais sinuosas do trajecto, mas também nas travagens mais fortes (algo que não é difícil, já que o pedal não transmite qualquer feeling…), algumas transferências de massas, que só acentuam a utilização mais familiar que o modelo claramente prefere.

Quanto aos consumos e levando em linha de conta um trajeto em que condução foi feita por dois condutores diferentes, percorrendo todos os modos de condução (Normal, Eco e Sport, sendo que poucas diferenças se notam entre si), alternando entre os níveis de recuperação de energia (accionáveis através de botão na consola central, está disponível o Standard e o High), e até fazendo, de quando em vez, umas acelerações mais enérgicas, uma média que variou entre os 20 kWh/100 km após o cumprir do primeiro quarto do trajecto, totalmente em auto-estrada, e os 14,3 kWh/100 km registados no fim da viagem. Neste caso, já com a parte da estrada de montanha, mais sinuosa, mas também mais favorável a acção do sistema de recuperação de energia, contemplada e a permitir um claro descer dos consumos.

Equipado com a bateria maior, o Dolphin é um EV a anunciar mais de 420 quilómetros de autonomia
Equipado com a bateria maior, o BYD Dolphin é um EV a anunciar mais de 420 quilómetros de autonomia

Especificamente no caso das versões com bateria maior (60,4 kWh), outra vantagem importante é não somente a autonomia anunciada de 427 quilómetros, mas também a possibilidade de recuperar entre 30 e 80% da capacidade, em apenas 29 minutos de ligação a uma tomada de 100 kW DC.

A gama em Portugal

Em Portugal, o BYD Dolphin vai estar disponível em quatro versões – Advance, Boost, Comfort e Design -, as quais diferem entre si nos níveis de potência e equipamento, além de e segundo o respetivo posicionamento em termos de gama, no tamanho das baterias.

Assim e começando na versão de entrada, Advance, que é também a menos potente (95 cv) e com uma bateria LFP mais pequena (44,9 kWh), a prometer 340 km de autonomia WLTP, a presença, também e no equipamento de série, de itens como as jantes em liga leve bicolores de 16″, o ecrã central rotativo de 12,8″, do pacote de ajudas à condução de Nível 2 (Aviso de Colisão Frontal, Travagem Autónoma de Emergência, Aviso de Colisão Traseira, Alerta de Tráfego na Retaguarda do Veículo com Assistência, Sistema de Aviso de Saída Faixa de Rodagem e Sistema de Manutenção à Faixa de Rodagem), do sistema da câmaras exteriores com visão 360° e dos bancos revestidos a pele Vegan, com ajustes elétricos.

Acima do Active, surge o Boost, que, embora recorrendo à mesma combinação motor/bateria, oferece mais potência (176 cv) e menos autonomia (310 km WLTP). Além de acrescer ao equipamento de série enunciado pela versão anterior, jantes bicolores maiores (17″) e suspensão traseira Multi-link.

Já com bateria maior, de 60,4 kWh, e uma potência declarada de 204 cv, o Comfort, que adiciona aos equipamentos atrás referidos, dois radares de estacionamento à frente, mais um sistema áudio de seis colunas e bancos dianteiros aquecidos. Com a oferta a terminar na versão por nós conduzida, Design, a qual, sem alterações no trem de força ou bateria, acrescenta a tudo já citado, pintura bicolor no exterior, jantes de 17″ de design específico, tecto panorâmico, vidros traseiros escurecidos e prateleira de carregamento wireless para smartphones.

Disponível em julho… por 29.990€!

Relativamente à introdução no mercado nacional, os responsáveis da BYD em Portugal têm previsto dar início às pré-vendas já no próximo mês de julho, ainda que as expectativas sejam de que só existam carros nos concessionários, lá mais para o final do ano. Muito provavelmente, em setembro.

Ainda assim e segundo a TURBO apurou, nem todas as versões vão estar disponíveis desde os primeiros dias, sendo que, a aposta inicial, passará pelo topo de gama, Design. Até porque, as restantes versões, só deverão chegar um pouco tarde, possivelmente, já no início de 2024.

Mas se este facto não preocupa, tal tem a ver com a estratégia de preços verdadeiramente competitiva, que a marca chinesa acaba de revelar. E que, mais uma vez, começa na versão Active, que promete chegar ao mercado nacional por 29.990€… ainda antes de qualquer dedução ou apoio estatal!

Quanto às restantes versões, surpresas não menos positivas, com o Boost a começar nos 30.690€, o Comfort nos 35,690€, e, finalmente, o topo de gama Design, nos 37.690€.

Finalmente e a acrescer a estes preços, o facto do construtor chinês oferecer uma garantia geral de 6 anos ou 150.000 km, com a bateria de beneficiar de mais dois anos e 200.000 km (altura em que, diga-se, também deverá ostentar ainda 70% da sua capacidade inicial), enquanto o motor elétrico e respectivo sistema de gestão beneficiam de 8 anos ou 150.000 km.

Tudo vantagens que, reconheça-se, torna mais fácil compreender a confiança dos responsáveis da BYD de que será possível vender mais de 2.500 unidades deste “golfinho” num ano completo, em Portugal…