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Na fuga às tarifas. Volvo EX30 e EX90 podem tornar-se europeus

Texto: Francisco Cruz
Data: 11 de Junho, 2024

Passados apenas alguns dias sobre o anúncio do arranque da produção do novo SUV elétrico EX90 nos EUA, a Volvo deu início à transferência da produção, não só deste último, mas também do novíssimo EX30, da China, para aquele que é um dos seus principais mercados, a Europa. Motivo? Evitar as tarifas alfandegárias que a União Europeia prepara para os veículos chineses…

Numa altura em que as notícias apontam no sentido da União Europeia (UE) poder aumentar as tarifas alfandegárias, sobre os automóveis produzidos na China, até aos 30 por cento, a Volvo procura, assim, colocar os seus modelos, produzidos do outro lado do mundo, a salvo de quaisquer penalizações.

VOLVO EX30
VOLVO EX30

Depois de ter chegado a considerar interromper as vendas dos seus modelos “chineses” no Velho Continente, fontes não identificadas terão revelado que os responsáveis da Volvo encontraram uma nova solução, avança o site Carscoops. E que passa por transferir a produção, tanto do EX30, como do EX90, de Zhangjiakou, na China, para território europeu.

Segundo as mesmas fontes, a marca sueca, hoje em dia propriedade do gigante automóvel chinês Geely, terá já escolhido a sua fábrica de Ghent, na Bélgica, como o local de onde poderão sair não somente os futuros EX30 e EX90 “europeus”, como e até mesmo alguns modelos atualmente fabricados no Reino Unido.

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Contactado pelo britânico Sunday Times, um porta-voz da Volvo Cars terá dito ser ainda “prematuro” tirar quaisquer conclusões sobre as medidas que o construtor poderá adoptar, na sequência do já esperado aumento das tarifas alfandegárias propostas pela UE e que poderão levar a que os automóveis fabricados fora da União passem a ter de pagar um imposto de 25 ou 30%, ao invés dos atuais 10%.

De resto e embora a Volvo Cars não o assuma, são vários os analistas que garantem que a marca sueca é um dos fabricantes europeus, cujos modelos são produzidos na China, que mais será afectado por estes aumentos. Os quais, asseguram as mesmas fontes, farão com que a Volvo deixe de ter condições para manter a importação do EX30, da China, para os mercados da Europa.

Tarifas avançam ainda esta semana

Quanto à questão das tarifas, o também britânico Guardian recorda que a decisão da UE de aumentar os impostos a aplicar aos veículos oriundos da China resulta da investigação levada a cabo pela Comissão Europeia, durante o passado mês de outubro de 2023, e que terá concluído que os custos de produção dos automóveis chineses estão a ser mantidos baixos de forma artificial, nomeadamente, com recurso a “enormes subsídios estatais” da parte do governo chinês.

O EX40 é um dos modelos da Volvo que já é produzido na Bélgica
O EX40 é um dos modelos da Volvo que já é produzido na Bélgica

Procurando fazer frente a esta situação de desvantagem para os construtores automóveis europeus que fabricam os seus elétricos dentro das fronteiras da UE, a Comissão deverá notificar, ainda esta semana, o Governo chinês, da sua intenção de aumentar as tarifas alfandegárias, tendo a China, a partir daí, um período de quatro semanas, para contestar a argumentação da Comissão Europeia e apresentar provas do contrário. 

Para já, as expectativas apontam no sentido e que, em novembro próximo, a generalidade dos estados-membros da UE apoiem a decisão do executivo comunitário de aplicar um aumento das tarifas, de forma permanente.

Também segundo o Guardian, estas tarifas poderão consistir numa aplicação selectiva apenas às empresas chinesas que foram alvo de investigação da UE, uma tarifa média às empresas que cooperaram com a investigação mas que acabaram não sendo escrutinadas exaustivamente e uma tarifa residual para aquelas que simplesmente não foram investigadas.