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China pode perder 4000 milhões de euros com tarifas sobre elétricos

Texto: Carlos Moura
Data: 5 de Junho, 2024

Se forem aplicadas tarifas às importações de veículos elétricos, o comércio externo pode perder cerca de 4000 milhões de euros, obrigando o mercado doméstico a absorver cerca de 125 mil unidades. 

As novas tarifas da União Europeia à importação de veículos elétricos chineses podem ter um impacto de aproximadamente 4000 milhões de euros no comércio externo e obrigar as empresas a aumentar a produção na Europa.

Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial prevê que caso seja aplicado aumento de 20% nas tarifas de importação aos veículos elétricos chineses, isso significaria que deixarão de ser exportados para o Velho Continente veículos no valor de 3800 milhões de euros, ou seja, menos 125 mil unidades. 

Para compensar, as vendas de elétricos produzidos localmente teriam de aumentar para 3300 milhões de euros. 

A Comissão Europeia está a conduzir uma investigação para determinar se os fabricantes de veículos chineses receberam subsídios injustos por parte do governo e tem de informar os exportadores chineses até ao final deste mês se as tarifas vão ser aplicadas. Estas terão como consequência um aumento dos custos para os consumidores.

“Para os consumidores, isto deverá traduzir-se num preço mais elevado dos veículos elétricos porque o custo de produção na União Europeia é significativamente mais elevado do que na China porque os preços da energia e das matérias-primas são mais altos e, acima de tudo, da mão-de-obra”, comenta o investigador de comércio do Instituto Kiel para a Economia Mundial, Julian Hinz.

Chineses ameaçam retaliar

“Contudo, isto não é de todo uma conclusão de que os fabricantes europeus de automóveis vão ocupar esse espaço porque os construtores chineses como a BYD poderão responder à procura local com novas fábricas na Europa”.

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As simulações do  Instituto Kiel para a Economia Mundial não levam em conta eventuais retaliações por parte da China se a União Europeia aplicar as novas tarifas. A China já disse que poderá aplicar tarifas até 25% aos veículos com motores maiores, medida essa que poderá afetar muitos fabricantes europeus, especialmente a Mercedes-Benz e a BMW.

A BYD poderá tornar-se um dos maiores fabricantes chineses de veículos elétricos na Europa. O construtor já está a construir a sua primeira fábrica de automóveis na Europa, localizada na Hungria, e no mês passado anunciou que está a estudar uma segunda fábrica no Velho Continente.