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Debate revelador. Félix da Costa rendido à Porsche, ao Taycan e à Formula E

Texto: Júlio Santos
Data: 24 de Outubro, 2022

Piloto oficial da Porsche no Campeonato do Mundo de Formula E, António Felix da Costa, é, também, embaixador do Centro Porsche no Porto que, em conjunto com a TURBO, organizou um debate durante o qual o piloto fez algumas revelações surpreendentes. “Estive para desistir mas continuar foi a melhor decisão da minha carreira”

O Centro Porsche Porto convidou o seu mais recente embaixador para um debate com os seus clientes. António Félix da Costa, ex-campeão do Mundo de Fórmula E e, agora, piloto oficial Porsche fez algumas revelações surpreendentes e confessou-se “rendido à experiência de condução de um automóvel elétrico”.

A conversa de quase duas horas, perante um público conhecedor e interveniente, começou com uma pergunta colocada por Hugo Ribeiro da Silva, administrador dos Centros Porsche do Porto e Braga sobre a ligação de Félix da Costa à Porsche e à sua condição de embaixador das estruturas do Porto e Braga.

Piloto oficial da Porsche no Mundial de Fórmula E, António Félix da Costa participou num debate que teve como anfitrião Hugo Ribeiro da Silva, administrador dos centros Porsche do Porto e Gaia, e moderado pelo director da TURBO, Júlio Santos
Piloto oficial da Porsche no Mundial de Fórmula E, António Félix da Costa participou num debate que teve como anfitrião Hugo Ribeiro da Silva, administrador dos centros Porsche do Porto e Gaia, e moderado pelo director da TURBO, Júlio Santos

“Poder estar ligado à Porsche e em casa diz-me muito. Cresci a adorar a competição automóvel onde se há marca que que se destaca é a Porsche. Por isso, ser piloto Porsche foi um sonho”, começou por dizer António Félix da Costa.

“A maneira como ele se concretizou é uma história muito engraçada. Eu estava no início do meu contrato com a BMW na Formula E e a Porsche anunciou que iria estar nesta competição. Quase imediatamente disse ao Tiago Monteiro, que é o meu agente, que era o lugar certo para nós. O Tiago começou a movimentar-se há três anos mas as marcas alemãs têm uma espécie de acordo para não tirarem pilotos umas às outras e, por isso, acabei por estar três anos com a DS, onde profissionalmente as coisas correram muito bem”.

A Porsche em primeiro lugar

No entanto, como refere, os contactos com a Porsche nunca pararam. “Há cerca de um ano e meio eles fizeram uma aproximação e as coisas evoluíram, de maneira muito fácil. Eles sabiam que a nossa vontade era muito grande e ficámos muito satisfeitos por verificar que o mesmo acontecia com eles. Estávamos muito sintonizados”.

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Deixar uma equipa que conhecia bem e onde tinha alcançado o título de Campeão do Mundo não terá sido, ainda assim, uma decisão fácil. Félix da Costa refere precisamente o contrário.

“Adoro desafios novos, sair da zona de conforto. Quando assinei com a DS onde estava um piloto francês, sabia que as coisas não iriam ser fáceis; ganhei muitos cabelos brancos. Prevejo que o mesmo irá acontecer aqui. Mas é um processo de crescimento e ainda por cima numa empresa muito mais estruturada, com métodos de trabalho mais rigorosos, como é habitual nos alemães, mas acho que temos todas as condições para ter sucesso. Uma das primeiras coisas que ouvi, quando cheguei à Porsche, agradou-me bastante: quem ganha não é o António, não é Pascal (Wehrlein), mas sim a Porsche. Tudo o que é feito é em nome do sucesso da marca – estou 100% de acordo com isso”.

Nova equipa, novos métodos e as exigências sempre a subir, mas Félix da Costa está confiante. “Fiz os primeiros testes com os mecânicos e engenheiros do meu colega de equipa e em seguida é a vez de ele fazer testes com os meus engenheiros e mecânicos. Dessa forma conhecemo-nos melhor uns aos outros e criamos um espírito de equipa muito mais forte; somos um todo e um só: a Porsche“.

Embaixador dos Centros Porsche de Porto e Braga, António Félix da Costa visitou as instalações na companhia de Tiago Monteiro, sendo guiado por Hugo Ribeiro da Silva

“É uma forma de trabalhar nova de que estou a gostar, como sinto também que para eles está a ser importante a experiência que lhes estou a transmitir. Está a ficar ainda mais claro para mim o porquê de a Porsche só entrar em projetos onde sabe que vai ganhar. A Porsche ainda não alcançou nenhum grande feito na Fórmula E mas está a fazer tudo para que isso aconteça. E eu sei que vai acontecer. Se eu puder ser uma peça nesse grande passo ficarei muito feliz”.

Rasga o contrato – tira-me daqui

Habituado a conduzir os carros mais potentes, Félix da Costa recorda os primeiros passos num Fórmula E… que foram tudo menos motivantes…

“Recordo-me muito bem da minha primeira experiência. Na altura eu era piloto de testes de Fórmula 1 e estava a correr no DTM com a BMW. Estava, portanto, acostumado aos automóveis mais evoluídos. Estava algo frustrado por não ter entrado para a Fórmula 1 como piloto oficial e é nessa altura que a Fórmula E nasce. Quase em simultâneo, recebo uma chamada em que me é oferecido um bom contrato e eu e o Tiago decidimos dizer imediatamente que sim, sem conhecer o projeto, sem conhecer os engenheiros, quase sem conhecer nada”, relembra o piloto.

“Chegou então o dia de conhecer o carro – recordo-me bem. Estavam várias equipas em Donington, chovia imenso. Faço cinco voltas, paro na box e digo para o Tiago: ‘Rasga já o contrato. Tira-me daqui. Nem pensar. Não vou correr com isto’. O Tiago tentou demover-me, explicou-me uma série de coisas, ao que eu respondi que não, que a decisão estava tomada: não!”.

Hoje em dia já com um ceptro de campeão do mundo no currículo, António Félix da Costa revelou, nesta sua passagem pelo Centro Porsche Porto, que o primeiro contacto com a Fórmula E não foi propriamente positivo
Hoje em dia já com um ceptro de campeão do mundo no currículo, António Félix da Costa revelou, nesta sua passagem pelo Centro Porsche Porto, que o primeiro contacto com a Fórmula E não foi propriamente positivo

“Nessa altura, como disse, estava com a BMW no DTM e disse aos responsáveis que iria focar-me única e exclusivamente no DTM, que a Fórmula E não me interessava. A resposta foi contundente: não, tu tens que ficar. Podes ter a certeza de que daqui a cinco anos estamos no topo e contamos contigo. Acreditei e fiquei. Hoje posso dizer que foi a melhor decisão que tomei na minha carreira de piloto”.

“Nunca me diverti tanto como na Formula E. O carro é um desafio enorme, a diversos níveis. Corremos em circuitos citadinos, que todos adoramos – basta ver a satisfação dos pilotos de F1 quando vão ao Mónaco.  Depois toda a tecnologia é desafiante. Por exemplo podemos afinar o nosso carro em quatro ou cinco parâmetros, curva a curva. Quando vou para o simulador, para cada corrida e para cada ponto da pista, defino o comportamento, a percentagem de travagem e tudo o mais. Faço esse processo para cada curva. Há tanta tecnologia à volta destes carros que o desafio para nós e para os engenheiros é fantástico. Para um piloto é muito mais do que guiar; é muito mais do que fazer corridas. É um desafio enorme ao qual eu não sabia que seria capaz de dar resposta”.

Próxima temporada será desafio ainda maior

Quanto à próxima temporada, se a expetativa é grande, a confiança é maior.

“Testei o novo carro, de terceira geração, há um mês, e posso dizer que o desafio é ainda maior. Tem muito mais potência e, por exemplo, face ao carro com que venci em Le Mans, que atinge os 350 km/h, este carro novo de terceira geração é muito mais potente, o que nos coloca desafios enormes em termos de tração – estamos a fazer 150 metros sem conseguir transmitir a potência ao chão – e temos que lidar com isso nos mesmos circuitos citadinos. Além disso, a forma como a potência chega é avassaladora”.

Recordando momentos altos da Porsche em Le Mans, onde também já venceu, António Félix da Costa não tem dúvidas em afirmar que, também a próxima temporada de Fórmula E, será um desafio enorme, face à evolução que os carros têm registado
Recordando momentos altos da Porsche em Le Mans, onde também já venceu, António Félix da Costa não tem dúvidas em afirmar que, também a próxima temporada de Fórmula E, será um desafio enorme, face à evolução que os carros têm registado

“Em síntese, desde que conduzi pela primeira vez um Formula E há nove anos até hoje a evolução é incrível. Temos muito mais potência, mais autonomia, mais regeneração, tudo evoluiu de maneira incrível e ter feito parte deste percurso é fascinante. Talvez por isso, 30 ou 40 pilotos que na altura me ligavam a gozar com os carros a pilhas e com as corridas Scalextric… hoje já lá estão ou, se não estão, é porque não conseguiram entrar”.

Na estrada com o Porsche Taycan

Da pista para a estrada, Hugo Ribeiro da Silva convida também o piloto a recordar a primeira experiência ao volante do seu carro de todos os dias, o Porsche Taycan Turbo.

Félix da Costa confessa que as dúvidas iniciais não eram poucas e que, sem o “empurrão” do responsável pelos Centros Porsche do Porto e Braga, a opção não teria recaído sobre um elétrico.

No entanto e logo após a primeira experiência, “as coisas começaram a fazer sentido. Posso mesmo dizer que estou a adorar e há uma série de ideias que eu tinha à partida que estão a ruir. Nomeadamente, as questões relacionadas com a autonomia e os carregamentos. A verdade é que já não são problemas. Mas ainda mais importante é que rapidamente nasceu na minha cabeça a convicção de que, para as deslocações do dia-a-dia, os carros a combustão já não fazem qualquer sentido. Só servem para poluir e esse é um tema para o qual todos temos que estar muito atentos e dar o nosso contributo”.

O Porsche Taycan, aqui à esquerda, é, hoje em dia, o carro que António Félix Costa utiliza nas suas deslocações diárias

“Por outro lado eu adoro automóveis, adoro a Porsche, e posso garantir que estou fascinado com a experiência de condução do Taycan. Olho para ele e é verdadeiramente um Porsche e o mesmo acontece com a condução”, acrescenta o piloto, que deixa, inclusivamente, “uma confissão”:

“Hoje vinha para o Porto e ponderei vir de comboio, pois pareceu-me que seria uma aventura vir de automóvel elétrico. O Hugo explicou-me duas ou três coisas simples e a verdade é que bastou-me parar durante 20 minutos a meio do caminho e, enquanto fazia uns telefonemas, repus energia suficiente para chegar ao Porto sem qualquer ‘stress’, a uma velocidade perfeitamente normal”.

“Já não tenho qualquer dúvida de que o automóvel elétrico faz todo o sentido e não existe qualquer razão para não aderirmos a uma solução que é muito mais evoluída do ponto de vista ambiental. Ao mesmo tempo, o prazer de condução é enorme. Tenho a certeza de que, alguém que ande de carro elétrico durante uma semana, vai ser impossível regressar à solução anterior”.

Hoje em dia um fã dos automóveis elétricos, também para uma utilização no dia-a-dia, o novo embaixador dos Centros Porsche do Porto e de Gaia aproveitou para, entre outros momentos, dar uma olhada às cores que a marca de Zuffenhausen disponibiliza
Hoje em dia um fã dos automóveis elétricos, também para uma utilização no dia-a-dia, o novo embaixador dos Centros Porsche do Porto e de Gaia aproveitou para, entre outros momentos, dar uma olhada às cores que a marca de Zuffenhausen disponibiliza