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Dourogás e Águas do Tejo Atlântico vão passar a produzir biogás

Texto: Carlos Moura
Data: 20 de Dezembro, 2021

Num investimento de 3,6 milhões na Fábrica de Águas de Frielas, a Dourogás e a Águas do Tejo Atlântico vão passar a produzir biogás veicular, hidrogénio verde e e-metano a partir de lamas de ETAR. 

A Dourogás Renovável e a Águas do Tejo Atlântico iniciaram a construção das infraestruturas que permitirão a produção de biometano, hidrogénio verde e e-metano a partir de lamas da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Frielas, no concelho de Loures.

Os gases renováveis produzidos nesta instalação serão posteriormente injetados na rede de gás natural e utilizados como combustível veicular, promovendo uma mobilidade mais sustentável através da redução da emissão de gases com efeito de estufa. A operação deverá arrancar em julho de 2022. 

A iniciativa da Dourogás Renovável e da Águas do Tejo Atlântico conta com apoio ao financiamento de 2,3 milhões de euros por parte do FAI – Fundo de Apoio à Inovação para o desenvolvimento dos Projetos de Inovação Hidrogasmove e Solargasmove na Fábrica de Águas de Frielas.

Estes dois projetos de demonstração tecnológica do conceito representam um investimento total de 3,6 milhões de euros e constituem um exemplo de economia circular ao transformarem resíduos em recursos energéticos, produzindo energia limpa.

Compromisso com a descarbonização

O Hidrogasmove recorre a tecnologia pioneira em Portugal para produzir biometano 100% renovável, a partir da purificação do biogás gerado pelas lamas produzidas na Fábrica de Água de Frielas. 

Por sua vez, o Solargasmove aposta no processo de metanação para produzir metano sintético, combinando-o com hidrogénio verde (produzido por eletrólise, a partir de fonte solar e de águas residuais).

Nuno Moreira, CEO da Dourogás, na cerimónia oficial de colocação da primeira pedra da construção da infraestrutura de produção de biometano em Frielas

“O Grupo Dourogás está comprometido com a descarbonização da economia nacional”, refere Nuno Moreira, Presidente Executivo do Grupo Dourogás. “Estes projetos materializam o princípio da inovação ao serviço da utilização plena dos recursos com vista a uma economia circular”. 

O CEO da Dourogás sublinha que a prioridade da inovação visa assegurar alternativas sustentáveis para a mobilidade do futuro, assente nos gases renováveis e no hidrogénio, que promovam ganhos ambientais significativos e que, ao mesmo tempo, gerem valor económico para as empresas e para o país. “É nossa convicção que os gases renováveis têm um papel determinante a desempenhar na transição energética e estamos comprometidos, como empresa líder neste setor que somos, a produzir soluções que respondam a este desígnio”, salienta Nuno Moreira.

Esgotos transformados em produto de valor

Por seu lado, Alexandra Serra, presidente do Conselho de Administração da Águas do Tejo Atlântico, afirma que uma das prioridades da empresa é valorizar os recursos gerados a partir das águas residuais urbanas e esta parceria materializa o novo paradigma da economia circular no ciclo urbano da água. 

Alexandra Serra, presidente da Águas do Tejo Atlântico

“Enquanto referência do setor da água em Portugal, a Águas do Tejo Atlântico, estamos empenhados em preparar as nossas Fábricas de Água para transformar a matéria-prima que recebemos – esgotos – em produtos com valor”, esclarece Alexandra Serra. 

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“Do nosso trabalho diário faz parte o desenvolvimento de soluções mais eficientes – nomeadamente ao nível do aproveitamento do biogás, que pode ser utilizado na produção de energia verde – que promovam a circularidade e a sustentabilidade dos recursos com vista ao cumprimento dos objetivos da transição energética para uma economia neutra em carbono,” acrescenta o responsável. 

Indicadores de referência

Além dos indicadores da produção de gases renováveis, o projeto também investigará indicadores de eficiência e da redução de emissões de gases com efeito de estufa e da redução da dependência de combustíveis fosseis. 

A captura de carbono também é um dos indicadores em estudo, indo ao encontro do que, recentemente e no âmbito da COP26, se definiu como uma necessidade global: além de reduzir as emissões de carbono é fundamental aumentar a capacidade de captura de carbono, ou seja, além de reduzir o que se emite, é necessário aumentar a capacidade de captura do que se emite.