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Biometano reduz emissões de dióxido de carbono em Portugal e Espanha

Texto: Carlos Moura
Data: 9 de Agosto, 2023

Portugal e Espanha reduziram 500 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono em 2022, graças à utilização de biometano no transporte rodoviário, segundo revela estudo.

Descarbonizar o transporte pesado de mercadorias e passageiros passa pela utilização de gases renováveis e os seus derivados, segundo refere uma das conclusões do estudo “A descarbonização do transporte pesado em Espanha e Portugal”, realizado pelo Instituto de Investigação Tecnológica da Universidade Pontificia Comillas para a Gasnam-Neutral Transport.

De acordo com os dados do estudo, aqueles combustíveis sustentáveis evitaram a emissão de 500 mil toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera na Península Ibérica em 2022. 

O estudo efetuou um diagnóstico sobre a utilização de combustíveis alternativos no setor do transporte pesado terrestre e marítimo na Península Ibérica, o qual é essencial para se conseguir uma economia neutra em carbono na segunda metade do século.

Porém, o setor ainda é dominado pelos combustíveis derivados de petróleo, mas a elevada densidade energética torna os gases renováveis e seus derivados (biometano, hidrogénio e combustíveis sintéticos) na solução para enfrentar o desafio climático.

Mil camiões já usam gás natural

Em Portugal já se encontram em operação mais de mil camiões a gás natural veicular, que diariamente podem ser abastecidos com gás 100% renovável, graças à injeção de 1 gigawatt/hora de biometano.

“Isto é um momento histórico para o sector da mobilidade pesada de mercadorias e motiva-nos a continuar este percurso, afirmou recentemente Nuno Moreira, CEO da Dourogás, durante a conferência Lisbon Green Gas Summit, realizada em Lisboa.

“No segundo semestre faremos novos reforços de biometano na rede e é expectável que, até ao final do ano, a atividade de mobilidade da Dourogás seja feita totalmente à base de gases renováveis. Acreditamos que este é o caminho com menor impacto económico para as empresas de transportes pesados”. 

Atualmente, a Dourogás produz biometano em dois projetos em Portugal: em Mirandela (há cerca de um ano) e na ETAR de Frielas, em Loures. Ambas as unidades têm uma produção anual combinada de 30 GWh. 

Projetos de biometano 

A Dourogás tem mais seis projetos de biometano planeados para entrar em produção nos próximos anos. “Estamos a desenvolver outros projetos e esperamos que eles vejam a luz do dia nos próximos dois anos. Os primeiros já em 2024, para que o biometano possa ser a solução da mobilidade pesada. Os transportadores querem ter uma solução para saber qual é o camião que vão comprar a seguir”, disse o CEO da Dourogás. 

O setor agrícola pode desempenhar um papel importante na produção de biometano através do aproveitamento de resíduos de produção agrícola, acrescentando valor e competitividade, com potencial nacional e internacional”, afirmou Luís Mira, secretário-geral da CAP durante a referida conferência, adiantando que “os agricultores estão interessados em fazer isso mesmo”. 

Energia de transição

De acordo com as conclusões da conferência Lisbon Green Gas Summit, não será possível atingir as metas definidas pela ONU se não forem observados os setores onde é urgente intervir como a agricultura e os transportes, e adequar as políticas de cada Estado às melhores tecnologias.

Além disso, o mundo não pode seguir uma visão de descarbonização assente maioritariamente na eletrificação da economia, sendo que o gás natural continuará a ser a energia de transição das próximas duas décadas. O abandono do carvão, a desaceleração do consumo dos combustíveis fósseis, principalmente na indústria e na mobilidade, obrigarão os países a concretizar projetos no âmbito dos gases renováveis, como o hidrogénio e o biometano.

A utilização de resíduos para produção de energia deve ter como prioridade a produção de gases renováveis, por ser uma solução mais eficiente do que quando usados para a produção de eletricidade. 

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Por outro lado, a descarbonização da mobilidade urbana, incluindo os transportes coletivos e da mobilidade pesada de mercadorias, só poderá acontecer à velocidade desejada com os gases renováveis, especialmente com o biometano. Para o efeito será necessária a criação de incentivos para a aquisição de veículos a gás natural, potenciando o uso do biometano.