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Queda dos Diesel ou pouca eletrificação? Emissões continuam a subir na Europa

Texto: Nuno Fatela
Data: 4 Março, 2019

Depois do mínimo atingido em 2016, as emissões continuam a subir na Europa, num problema que muitos associam à quebra na procura dos Diesel, embora os dados da marca com menores emissões a nível continental permitam uma leitura alternativa

Olhando para os vários alertas que os fabricantes automóveis foram deixando, não é surpreendente a notícia de que as emissões dos automóveis continuam a subir na Europa. Este aumento tem sido fortemente associado aos Diesel, até porque a tendência de subida das emissões é praticamente transversal a todos os países. A média continental está colocada nas 120.5 g/km de CO2, o que representa um aumento de 2,4 g/km comparativamente ao período homólogo e de 2,7 g/km em relação ao mínimo atingido em 2016. Com apenas a Noruega, Finlândia e Holanda a conseguirem descer as suas emissões em relação ao último ano, em Portugal o aumento das emissões ficou situado nas 1,2 g/km. Além disso, apenas 25% das marcas desceram a média de emissões entre 2017 e 2018.

Toyota - 99,9 g/km de CO2 (-1,4 g/km)
Peugeot - 107,7 g/km de CO2 (+3,2 g/km)
Citroën - 107,7 g/km de CO2 (2,4 g/km)
Renault - 109,1 g/km de CO2 (+2,5 g/km)
Nissan - 110,6 g/km de CO2 (5,2 g/km)
Suzuki - 114,2 g/km de CO2 (-0,7 g/km)
Skoda - 116,7 g/km de CO2 (+0,8 g/km)
Seat - 116,9 g/km de CO2 (-1,1 g/km)
Volkswagen - 118,8 g/km de CO2 (-0,7 g/km)
Fiat - 119,2 g/km de CO2 (+3,6 g/km)
Kia - 120,4 g/km de CO2 (+0,4 g/km)
Dacia - 120,8 g/km de CO2 (+3,9 g/km)
Hyundai - 123,3 g/km de CO2 (+1,2 g/km)
Ford - 123,7 g/km de CO2 (+1,2 g/km)
Opel - 125,6 g/km de CO2 (+2,3 g/km)
Audi - 127,6 g/km de CO2 (+3,3 g/km)
BMW - 128,9 g/km de CO2 (+7,1 g/km)
Volvo - 130,0 g/km de CO2 (+5,8 g/km)
Mazda - 135,2 g/km de CO2 (+4,0 g/km)
Mercedes - 139,9 g/km de CO2 (+10,5g/km)

Os analistas da Jato Dynamics, como muitos outros especialistas, associam o aumento das emissões à introdução de um novo ciclo de testes e, especialmente, à fuga dos clientes aos Diesel. Isto porque a maior parte deles deriva para os gasolina. E, numa comparação entre motores equivalentes, os blocos a gasóleo emitem menos CO2 que os gasolina. No entanto, olhando para a marca com menos emissões na Europa, como mostra a galeria anterior, pode-se também considerar que um dos problemas foi a fraca aposta em motorizações alternativas como os híbridos.

Afinal, a Toyota é mesmo a única marca a conseguir ficar abaixo da fasquia das 100 g/km de CO2. E, recorde-se, é também a única marca onde os híbridos representam praticamente metade das vendas.  Considerando estes dados, e tendo em conta a forte aposta atual dos fabricantes automóveis nas motorizações alternativas (olhe-se o caso de marcas como Audi, BMW, Renault ou Peugeot nas novidades do Salão de Genebra), pode-se esperar que o exemplo dos nipónicos possa ser seguido. E, dessa forma, que a tendência de queda das emissões na Europa, com descida de 41,3g /km na década entre 2007 e 2016, possa ser retomada.

 

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