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Opel foi um “bom negócio” para a PSA

Texto: Nuno Fatela
Data: 23 de Dezembro, 2017

Esta afirmação pertence ao antigo responsável da General Motors na Europa, Nick Reilly, que afirma que a vontade expressa do grupo americano em abandonar este mercado acabou por ser vantajosa para o consórcio gaulês liderado por Carlos Tavares.

“A GM precisava de sair [da Europa], e portanto pagou bastante à PSA para conseguir sair”. Esta é a conclusão que Nick Reilly, ex-líder da GM Europe, retira do negócio da venda da Opel ao grupo gaulês, explicando que os americanos procederam à alienação da marca por 1,3 mil milhões de euros mas acabaram por ficar com uma fatura bem mais pesada, 3 mil milhões de euros, em obrigações com pensões. Reilly acredita que a marca de Russelsheim valia mais, mas que o desejo da General Motors abandonar o ‘Velho Continente’ acabou por criar uma oportunidade de negócio bem mais vantajosa para o fabricante liderado por Carlos Tavares.

Sobre o processo que agora começa, Nick Reilly tem uma posição bem menos otimista sobre as perspetivas para a Opel e para a PSA. Porque afirma desde logo que “tenho a certeza de que vão fechar fábricas. Tenho a certeza que vão reduzir [na Opel] o investimento em novos produtos”. Mas refere que este negócio também coloca a Peugeot e a Citroën numa posição difícil durante os próximos cinco a dez anos, devido ao posicionamento no mercado. “Estão um pouco em dificuldades, estão mesmo umas em cima das outras no mercado, a ‘meio do caminho’. Não são premium nem na entrada de gama, pelo que existe o risco de se canibalizarem”.


Descubra o plano traçado por Carlos Tavares para a revitalização da Opel


Nick Reilly é alguém com profundo conhecimento sobre a Opel, já que entre 2009 e 2011 esteve à frente dos destinos da marca como líder da GM Europe. Antes de se reformar, nesse último ano, teve responsabilidade pela estabilização da marca, preparando a venda por parte da General Motors à Magna International. O negócio acabou por não seguir para a frente, porque a GM recuou nas suas intenções mesmo à última hora.

 Foto: Nick Reilly, quando era líder da GM Europe

Fonte: Automotive News Europe