O SUV compacto da Nissan recebeu uma nova série especial Enigma, que aposta numa imagem exclusiva e na conectividade, para manter a competitividade do Juke num segmento onde foi pioneiro e continua a ser uma das referências.
Sétimo modelo mais vendido em Portugal no ano passado entre os veículos com carroçaria do tipo SUV / crossover, com 1891 matriculadas, de acordo com o "Relatório Estatísticas do Sector Automóvel - Edição 2021" da ACAP - Associação Automóvel de Portugal, o Nissan Juke é, indiscutivelmente, uma das referências do segmento.
Se na classificação geral já tem uma posição de destaque, esta sai reforçada no subsegmento dos SUV compactos, onde ocupa mesmo o quarto lugar, atrás do Peugeot 2008, do Renault Captur e do Hyundai Kauai.
A atual geração do Juke, lançada no último trimestre de 2019, foi desenvolvida com base na plataforma CMF-B da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, o que permitiu um aumento das dimensões exteriores, designadamente em comprimento e em largura, com reflexos positivos a nível da habitabilidade.
Em termos de imagem, o modelo atual deu continuidade à irreverência da geração original lançada em 2010, destacando-se as grandes óticas arredondadas, as cavas das rodas bem pronunciadas ou o ângulo acentuado entre o pára-brisas e o tejadilho.
Para manter atualizada a gama, a Nissan introduziu uma nova série especial, designada Enigma, que reforça o estilo irreverente do Juke com a inclusão de um conjunto de elementos exclusivos, incluindo as jantes pretas de liga leve Akari de 19 polegadas, os padrões gráficos intricados na linha do tejadilho e nos espelhos retrovisores rebatíveis. A assinatura gráfica "Enigma" no pilar C pode ser complementada por três combinações de pintura em duas cores, sendo uma delas o branco pérola com tejadilho em preto da unidade ensaiada.
INTERIORCom um comprimento exterior de 4,21 metros, uma largura de 1,80 metros e uma distância entre-eixos de 2,63 metros, o crossover compacto da Nissan oferece um espaço desafogado para os ocupantes, enquanto a bagageira disponibiliza um volume de 422 litros com todos os bancos na posição normal, podendo ser ampliado até aos 1088 litros com o rebatimento dos assentos traseiros.
O ambiente a bordo carateriza-se pela qualidade dos materiais utilizados, que incluem mesmo um acabamento em couro sintético no painel de bordo e nas portas. A série especial Enigma recebe bancos dianteiros desportivos Monoform, ajustáveis em altura, profundidade e inclinação, enquanto os encostos de cabeça se distinguem na parte de trás pela inserção em preto. Os estofos dos assentos possuem revestimento em tecido preto e cinza. Por sua vez, o volante e o punho da alavanca da caixa de velocidades conta com revestimento em pele.
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O painel de bordo inclui um ecrã central de 8", que permite aceder ao sistema de infoentrenimento e aos comandos das principais funções. A parte central da consola central alberga os comandos físicos do ar condicionado automático, enquanto as saídas da ventilação do tipo turbina apresentam um design inovador e funcional.
No túnel da transmissão foi instalado o botão de ignição do motor, numa posição que exige alguma habituação. O travão de estacionamento, por sua vez, é elétrico com função auto-hold.
O painel de instrumentos possui um ecrã TFT, que oferece as informações disponibilizadas pelo computador de bordo, ladeado pelos tradicionais mostradores circulares do conta-rotações e do velocímetro.
Passando aos lugares traseiros, a habitabilidade é bastante generosa e mesmo os ocupantes de maior estatura não têm grandes constrangimentos ao nível do espaço para as pernas. A única crítica que se pode apontar é a altura para a cabeça, apenas aceitável, o que se deve ao formato de uma carroçaria do tipo coupé da secção anterior, que também dificulta a visibilidade.
MECÂNICAPor baixo do motor, a única opção disponível atualmente é o bloco a gasolina de três cilindros e 999 cc, sobrealimentado, que desenvolve uma potência máxima de 114 cv às 5000 rpm e um binário máximo de 200 Nm entre as 1750 e as 3750 rpm. A potência é transmitida às rodas dianteiras através de uma caixa manual de seis velocidades, precisa e bem escalonada.
Em termos de prestações, a marca anuncia uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 10,7 segundos e uma velocidade máxima de 180 km/h. O consumo médio em ciclo WLTP é de 6,2 l/100 km e emissões de 140 g/km.
O chassis, por sua vez, possui suspensão independente, do tipo McPherson, no eixo dianteiro, sendo de torção atrás, com molas. O sistema de travagem conta com discos à frente atrás, sendo complementado pelo ABS com EBD e assistência à travagem de emergência.
A direção assistida elétrica de cremalheira permitiu a introdução de sistemas de assistência à condução, destacando-se o regulador da velocidade de cruzeiro e limitador de velocidade, o identificador de sinais de trânsito, o sistema inteligente anticolisão com deteção de peões e ciclistas, o assistente de manutenção de manutenção de faixa de rodagem.
TECNOLOGIAO interface multimedia de 8" surge no topo do painel de bordo e é uma verdadeira central de conectividade com Wi-Fi e Bluetooth, compatibilidade com Apple CarPlay ou Android Auto, assim como o acesso remoto via smartphone através da aplicação NissanConnect Services para controlar o estado do veículo.
Os gráficos podiam ser mais nítidos e, por vezes, o ocorre algum atraso entre o momento em que se toca no ecrã e a resposta ao comando. Além disso, alguns ícones são demasiado pequenos para se tocar quando se está em andamento. Referência ainda para os botões físicos na parte inferior o ecrã tátil que facilitam o acesso imediato ao sistema de audio, ao telefone ou à câmara.
Para carregamento de dispositivos móveis, a parte inferior da consola central dispõe de uma porta USB e de uma tomada 12V, a que se junta uma porta USB traseira.
Igualmente disponível está o sistema de reconhecimento de voz com comandos no volante, que é compatível com o Amazon Alexa através da Nissan Skill. Assim que esta última estiver instalada na aplicação Alexa e ligada à conta NissanConnect Services do proprietário, o sistema permite, onde estiver disponível, a monitorização do automóvel através de 13 expressões personalizadas.
A dotação de série do Juke Enigma compreende ainda a chave inteligente, a câmara de visão traseira, os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros com deteção de objetos em movimento, os sensores de luminosidade e chuva, assim como o retrovisor interior com anti-encadeamento automático.
AO VOLANTEA combinação das possibilidades de regulação do banco do condutor com o correto posicionamento dos pedais permite a obtenção da posição mais confortável atrás do volante. Para se adequar a diferentes tipos de prestações estão disponíveis três modos de condução, selecionáveis num comando localizado no túnel do motor: Eco, Normal e Sport.
Em termos dinâmicos, a conjugação do motor de de 999 cc de 114 cv com a caixa manual de seis velocidades oferece uma utilização agradável, com um elevado refinamento para um tricilíndrico e que só transmite algumas vibrações quando está parado.
As acelerações convencem para um veículo que em vazio pesa mais de 1,2 toneladas e só as recuperações deixam algo a desejar, mas isso também não será de estranhar num bloco de apenas três cilindros. No que se refere ao consumo, o computador de bordo indicou uma média de 7,1 l/100 km durante o ensaio, acima dos 6,2 l/100 km anunciados pela marca.
Por outro lado, este propulsor revelou-se relativamente silencioso e, curiosamente, o maior ruído é oriundo dos pneus devido às jantes de 19 polegadas.
A direção revelou-se leve e precisa, proporcionando uma elevada agilidade a este modelo, A suspensão, por sua vez, é bastante firme, digerindo com eficácia as irregularidades do piso e os movimentos da carroçaria. Para o efeito, o Juke conta com algumas ajudas preciosas como o controlo inteligente da trajetória e de carroçaria para tornar a condução mais segura e previsível, permitindo ainda abordar algumas curvas mais apertadas com confiança.
VEREDICTOProposta por 25.130 euros, a nova série especial Enigma combina uma imagem mais exclusiva e um nível de equipamento mais completo, que já inclui alguns sistemas de assistência à condução e de conectividade, com destaque para os NissanConnect Services. Apesar da forte ofensiva da concorrência, o Juke continua a ser uma das referências do segmento dos SUV-B e também é um dos mais avançados no domínio tecnológico. O consumo, por sua vez, é aceitável para um veículo da tipologia SUV e com motor a gasolina de baixa cilindrada, embora sobrealimentado.
Gostámos
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Estilo exterior A série especial Enigma recebeu apontamentos estéticos exclusivos que proporcionam uma imagem mais sofisticada e requintada, destacando-se a personalização com vinis e logotipo ou as jantes de liga leve de 19 polegadas. |
Conectividade O sistema de infoentrenimento a bordo é uma central de comando no interior do Juke Enigma para as funcionalidades de conectividade, fornecendo também uma integração simples com smartphones para utilização segura na estrada. |
Equipamento completo O equipamento de série do Juke Enigma é bastante completo, não só em termos de conforto aos ocupantes, mas também a nível tecnológico, que inclui sistemas avançados de assistência à condução. |
Não Gostámos
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Visibilidade O formato descendente da carroçaria penaliza fortemente a visibilidade traseira e lateral, podendo dificultar algumas manobras. Para compensar esse constrangimento está disponível a câmara de visão traseira. Sempre é uma ajuda… |
Habitabilidade traseira Os bancos traseiros permitem acomodar confortavelmente dois adultos. Três já será mais difícil porque o tecto é estreito, levando a cabeça a deslocar-se para o centro do automóvel, movimento esse acompanhado pelo corpo. |
Sistema navegação Não obstante um nível de equipamento bastante completo e de uma forte aposta na conectividade é de estranhar a ausência de um sistema de navegação, obrigando o utilizador a recorrer ao seu smartphone. |






