Mini Aceman SE JCW: O Mini do meio

Com o desaparecimento do Mini Clubman, o Aceman é um novo crossover que ocupa o lugar do meio entre o Mini Cooper e o Countryman que assume o posicionamento da marca no segmento B-SUV

Com o desaparecimento do Mini Clubman, o Aceman é um novo crossover que ocupa o lugar do meio entre o Mini Cooper e o Countryman que assume o posicionamento da marca no segmento B-SUV

Desde que a Mini pertence ao universo da BMW são várias as estratégias e desenvolvimentos de uma marca que é hoje mais global e diversificada.

De apenas um modelo a Mini tem uma gama atualmente composta por três modelos distintos e várias soluções energéticas, desde motores de combustão até soluções elétricas como acontece com o novo Mini Aceman, passando por soluções híbridas.

Este modelo que só existe em versões 100% elétricas é fruto da colaboração entre a Mini e a chinesa GWM (Great Wall Motors) proprietária de marcas como a WEY razão pela qual numa primeira fase a produção deste modelo seja feita na China, para depois, em 2028 regressar a Inglaterra mais concretamente a Oxford onde a mítica marca fundada em 1960 por Alec Issigonis nasceu. 

Se nessa altura eram poucos os concorrentes hoje as situações mantêm-se, por isso e tendo em conta as suas dimensões e um posicionamento mais exclusivo podemos eleger como adversário mais direto a versão elétrica do novo Alfa Romeo Junior.

100% elétrico

Nesta fase a Mini definiu apenas duas versões (E e SE de 184 cv e 218 cv respetivamente).

Duas versões que, não só se diferenciam pela potência como também pela autonomia porque se o primeiro só alcança os 309 km, o segundo vai até aos 405 km, valores de acordo com a norma WLTP paras carros elétricos e que se deve à utilização de duas baterias com diferentes capacidades (43 e 54 kWh).

Dois níveis de capacidade que corresponde também a velocidades de carga distintas. A bateria de 43 kWh recebe cargas em corrente contínua (CC) até 75 kW enquanto a de 54 kWh admite uma potência máxima de carga até 95 kW.

É o caso desta versão SE com o nível de equipamento JCW. Em ambos os casos com corrente alterna (AC) a potência máxima admitida não vai além dos 11 kW. Embora estes valores possam parecer reduzidos a verdade é que conseguimos carregar a bateria da versão SE em cerca de 30 minutos enquanto numa wallbox de 11 kW essa mesma operação demora cerca de cinco horas e meia.

Para tornar o carregamento mais eficaz do ponto de vista energético e ao mesmo tempo proteger a bateria o sistema de navegação em viagens planificadas tem em conta os vários carregadores disponíveis no destino ou intermédios caso a distância seja mais longa que a autonomia prevista. Consegue-se dessa forma preparar termicamente a bateria para admitir a maior potência de carga possível, especialmente nos dias mais frios.

O interior não engana

Como já referimos a Mini refere-se ao Aceman como um crossover, ou seja, não se enquadra no conceito de turismo nem como um SUV.

Ele é três centímetros mais alto que o Mini de três portas e dezassete centímetros mais baixo que o Mini Countryman ocupando por isso um lugar intermédio entre os dois, daí a vantagem de ser uma alternativa familiar para quem não pretenda soluções pequenas ou mais radicais.

Mas se o interior até é desafogado, o mesmo não acontece com a mala onde a capacidade não vai além dos 300 litros que podem ser ampliados para os 1005 litros se abdicarmos dos lugares traseiros.

Dos quatro níveis de equipamento propostos, o JCW é o mais desportivo graças a vários elementos decorativos específicos quer no interior quer no exterior com destaque para as jantes de maiores dimensões ou para o spoiler traseiro.

No habitáculo o ecrã central redondo do tipo OLED de 240 milímetros de diâmetro embora seja um denominador comum às duas versões não tem as mesmas aplicações e programas.

Nele concentram-se quase todos os comandos à exceção do arranque e da seleção dos vários modos de condução que dão origem a cenários diferentes, e um “layout” algo confuso.

E para que o condutor não desvie a atenção da informação essencial existe  o head-up display com realidade aumentada.

Uma ajuda importante é dada pela câmara frontal que, definido o destino no sistema GPS transmite imagens para o ecrã central das situações mais críticas com uma grande definição.

Essa é uma vantagem da utilização da versão 9 do sistema operativo, a mesma que é utilizada pela BMW nos modelos mais recentes.

A regulação elétrica do banco e a dimensão correta do volante que contém alguns dos comandos mais utilizados ajudam a definir correta e rapidamente a melhor posição de condução.

Embora nem todos os materiais usados sejam os que mais gostamos o ambiente a bordo goza de uma grande luminosidade graças a um teto panorâmico de grandes dimensões com uma iluminação lateral que dá ao interior uma ambiência agradável em especial à noite.

Comportamento à Mini

O som metálico que se acentua à medida que aceleramos mostra bem a capacidade de aceleração do Aceman ao chegar aos 100 km/h em apenas 7,1 segundos.

A mesma rapidez acontece nas recuperações onde o binário quase instantâneo de 330 Nm nos empurra para as costas do banco ao mesmo tempo que no modo de condução mais desportivo podemos acompanhar a evolução do regime e da velocidade no ecrã central onde o grafismo assume um aspeto mais desportivo.

O motor elétrico do tipo síncrono montado sobre o eixo da frente com 218 cv faz com que o peso nessa zona seja mais acentuado, uma caraterística que influencia o comportamento desviante da parte frontal quando atacamos as curvas mais apertadas.

Nessa altura sentimos menos determinação do eixo traseiro em gerar um maior apoio.

Passada essa vertigem mais desportiva e com um modo de condução mais virado para a economia e para a obtenção de uma autonomia mais confortável é natural e mais fácil sentirmos o conforto desta solução 100% elétrica.

Com consumos médios reais da ordem dos 16,2 kWh/100 km a autonomia fica a uma distância de100 km do anunciado pela Mini, o que atira a utilização do Aceman para ambientes mais urbanos.

Falta-lhe uma bateria maior capaz de assegurar viagens mais longas sem o stress de sabermos onde o carregar para seguir viagem.

Com mais de 12 mil euros de opções o preço da versão ensaiada (JCW) ultrapassa os 54 mil euros, um valor que pode ser um handicap num tempo em que a guerra pelo melhor preço é uma constante.

VEREDITO

O Mini Aceman é claramente uma boa opção familiar ainda que a capacidade da bateria o tornem numa opção preferencialmente urbana onde revelou ter um rendimento energético bastante bom com consumos reais da ordem dos 16,5 kWh/100 km. Sendo um Mini e sem descurar o conforto o comportamento dinâmico é também um dos pontos mais relevantes.

FICHA TÉCNICA

Mini Aceman SE JCW

PREÇO 41 999 € (54 719  € versão ensaiada)

MOTOR 1 Sincrono de íman permanente

POTÊNCIA 218 cv

BINÁRIO 330 Nm

TRANSMISSÃO Dianteira; Auto 1 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,07/1,75/1,51 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,60 M

BAGAGEIRA 300-1005 L

ACEL. 0-100 km/h 7,1 S

VEL. MÁX. 170 KM/H

CONSUMO WLTP 14 (16,2*) kWh/100 KM

AUTONOMIA ELÉTRICA 405 km (303 km*)

CAPACIDADE DA BATERIA 54,2 kWh

TEMPO DE CARGA (11 kW) 5,5 h (95 kW) 31 minutos até 80%

POTÊNCIA MÁXIMA DE CARGA EM CC 95 kW

POTÊNCIA MÁXIMA DE CARGA EM AC 11 kW

*Medições Turbo

GOSTÁMOS

NÃO GOSTÁMOS

Habitabilidade
Equipamento 
Eficiência energética

Potência de carga em CC
Mala
Autonomia real