Koenigsegg pode lançar motor de combustão sem CO2

Texto: Nuno Fatela
Data: 1 Fevereiro, 2019

Recorrendo a uma inovadora arquitetura que elimina a necessidade de uma árvore de cames e da alimentação com combustíveis fósseis, a Koenigsegg poderá estar perto de lançar um motor de combustão neutro de CO2

 

(Explicação adicional: Não se trata de um motor que não queima CO2, mas sim de um processo neutro de CO2, pois a quantidade de CO2 libertada aquando do uso dos biocombustíveis é compensada por aquele que foi captado pelas plantas durante o seu crescimento. [atualização do artigo a 02/02/2019])

E se a solução para as emissões não estiver no fim do motor de combustão, mas antes na substituição da sua fonte de alimentação? Esta poderá ser a solução revolucionário que a Koenigsegg prepara para o sucessor do Agera RS (o seu multirecordista, superando a Bugatti em diferentes ocasiões). Após ter assegurado um avultado investimento da NEVS, a empresa que nasceu dos “escombros” da Saab, a marca pode estar a preparar o lançamento da tecnologia camless  (indicativo da ausência da camshaft, a árvore de cames) “Freevalve” num modelo de produção.

 

A ideia não é nova, e já em 2014 a empresa sueca tinha explicado o sistema. A base está no recurso a atuadores hidráulicos, quer permitem controlar eletronicamente, com maior precisão e liberdade de atuação e de forma individualizada, as válvulas e os circuitos de ar e óleo. Na altura foi mesmo feita uma curiosa comparação. Para a Koenigsegg, usar uma árvore de cames pode ser equiparado a tocar piano com uma vassoura, enquanto a tecnologia camless “Freevalve” é igual a usar os dedos para tirar notas das várias teclas.

Segundo foi agora explicado pela Koenigsegg à Top Gear, esta inovação permite não apenas o total controlo da abertura e encerramento das válvulas de forma indiviidual, mas também outras vantagens. Como, teoricamente, a possibilidade do motor alterar o comportamento entre dois tempos e quatro tempos, e o facto dele poder, sem qualquer modificação, ser alimentado por gasolina, gasóleo ou outro álcool (como os biodiesel).

É a partir deste último ponto que o fabricante de superdesportivos chega à conclusão que pode criar um motor de combustão sem emissões de CO2. Ou seja,a ideia passa por criar um propulsor híbrido que não tenha de recorrer a combustíveis fósseis. É mesmo afirmado que “o nosso objetivo é criar um motor completamente neutro de CO2”, em que o combustível queimado seja compensado pelo captado durante o crescimento das plantas usadas para o álcool usado no motor.

Para tal a marca poderá, provavelmente, optar por um automóvel com uma combinação similar à do potente Regera de 1500cv, que tem um motor de combustão apoiado por três elétricos. Isto porque é explicado que “graças à tecnologia FreeValve, podemos arrancar o motor a frio com álcool puro, a temperaturas até -30º Celsius, pelo que não necessitamos de qualquer combustível fóssil na mistura. A ideia é provar ao mundo que até um motor de combustão pode ser completamente neutro de CO2”.


Uma solução alternativa pode passar pelas válvulas inteligentes para o motor, como explicado neste artigo…


Prometendo pouco impacto no design dos seus supercarros, Christian von Koenigsegg associa esta opção a outro motivo. Que passa pela escassez de baterias devido ao aumento da procura pelos grandes fabricantes. A solução passa, portanto, por “um pack de baterias mais pequeno, e combiná-lo com um motor de combustão neutro de CO2 é uma solução muito sedutora, excitante e de baixo peso para um desportivo”.

O problema está, tendo em conta que se trata de uma das mais exclusivas marcas, no facto desta tecnologia ser aplicada a poucos automóveis. Porque, segundo já revelou também a Koenigsegg, este futuro modelo, substituto do Agera RS, poderá ter um custo próximo de um milhão de euros…

 

Fonte: Top Gear e Road&Track

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