Publicidade

GSR2. O regulamento europeu que vai tornar os carros mais seguros e…caros

Texto: Carlos Moura
Data: 1 de Maio, 2024

A partir de 7 de julho de 2024 entra em vigor o novo regulamento de segurança de veículos, conhecido como GSR2 que vai tornar os automóveis novos não só mais seguros, mas, também, mais caros. Para alguns modelos também constitui uma sentença de morte porque deixam de poder ser comercializados. 

Todos os veículos novos que recentemente têm vindo a ser apresentados pelos mercados vêm equipados com sistemas avançados de assistência à condução, também conhecidos como ADAS. E isso tem uma razão. A partir de 7 de julho de 2024 entra em vigor na União Europeia o novo Regulamento de Segurança dos Veículos (GSR2), que obriga todas viaturas novas a virem equipadas, de série, com 20 tecnologias de assistência.

Como consequência, muitos modelos terão de ser atualizados para cumprirem o novo regulamento comunitário e outros deixarão de ser comercializados. Isso também significa um aumento do custos para os automóveis mais baratos, os quais irão ficar mais caros.

Assistente de deteção de distração ou sonolência passa a ser de série na Europa

A Comissão Europeia defende que os novos equipamentos de segurança irão ajudar a proteger os passageiros, peões e ciclistas  em toda a União Europeia, permitindo poupar cerca de 25 mil vidas e evitar 140 mil feridos graves até 2038. 

Assistentes obrigatórios

De acordo com o novo GSR2, todos veículos novos – automóveis, comerciais ligeiros, camiões e autocarros – têm de vir equipados de fábrica com o assistente inteligente de velocidade, apoio à marcha-atrás com câmara ou sensores de estacionamento, alerta de atenção em caso de sonolência ou distração, gravador de dados de eventos (“caixa negra”), assim como aviso de paragem de emergência.

Os automóveis e os comerciais ligeiros também são obrigados a estarem dotados com sistemas adicionais como o assistente de manutenção na faixa de rodagem e a travagem automatizada. 

Inicialmente introduzidas em modelos de marcas premium tecnologias como o assistente de travagem ativo passam a integrar a lista de equipamentos obrigatórios de todos os modelos novos

Os camiões e autocarros, por sua vez, têm de dispor tecnologias para um melhor reconhecimento dos possíveis ângulos mortos, alertas para impedir colisões com peões ou ciclistas e sistemas de monitorização da pressão dos pneus.

Alguns modelos acabam

Com base na GSR2, a Comissão Europeia está planear adotar normas técnicas para veículos automatizados e conectados, em particular aqueles que podem substituir o condutor em autoestrada (Condução Autónoma de Nível 3) e veículos totalmente sem condutor como shuttles urbanos ou robotaxis (Condução Autónoma de Nível 4).

Renault ZOE
Uma das “vítimas” do GSR2 é o Renault ZOE

As novas regras irão alinhar a legislação da União Europeia com as das novas regras das Nações Unidas sobre Condução Autónoma de Nível 3, assim como a adoção na legislação para veículos totalmente autónomos.

LEIA TAMBÉM
Nove sistemas de assistência ao condutor obrigatórios na Europa a partir de 2024

A entrada em vigor do GSR2 vai ser a sentença de morte para alguns modelos. Por exemplo, o Renault Zoe já deixou de ser comercializado porque seria demasiado caro cumprir a nova legislação. O kit de segurança exigido não pode ser instalado facilmente na arquitetura deste modelo que foi lançado originalmente em 2012. As nova regras também restringir as vendas do Alpine A110.