Publicidade

Ford E-Transit L2H2 135 KW. Prestações convencem e autonomia é suficiente

Texto: Carlos Moura
Data: 11 de Julho, 2022

A Ford E-Transit já está em comercialização em Portugal e tivemos a oportunidade de fazer um ensaio com um furgão L2H2 com peso bruto de 3500 kg e motorização de 135 kW (184 cv). As prestações dinâmicas convencem e a autonomia é suficiente para a maioria das utilizações. A surpresa menos agradável será o preço.

Até 2024 quase toda a gama de comerciais da Ford, com exceção da Transit / Tourneo Connect, vai ter versões elétricas que no final da década deverão representar cerca de 75% do volume de vendas da marca.

O primeiro membro da nova família de comerciais elétricos da Ford é a E-Transit, que já pode ser encomendada na rede de concessionários da Ford Pro, encontrando-se disponível num total de 25 variantes, entre furgões, chassis-cabina simples e dupla, com pesos brutos de 3500 kg, 3900 kg e 4250 kg.

A equipa de desenvolvimento da Ford E-Transit teve a preocupação de que a versão elétrica mantivesse as mesmas dimensões do que o derivativo equivalente de combustão com tração traseira, assim como as mesmas capacidades.

Assim, as dimensões exteriores são idênticas, assim como o compartimento de carga, já que a bateria foi instalada num subchassis entre os eixos por baixo do piso para oferecer o mesmo volume útil. 

Um motor, duas potências

Para possibilitar a instalação de uma arquitetura elétrica mais pesada, os técnicos da Ford tiveram de alterar o eixo traseiro e instalar uma suspensão independente, com reflexos positivos ao nível do comportamento dinâmico, com e sem carga.

Específica da Ford E-Transit é naturalmente a linha motriz que compreende uma bateria de iões de lítio com uma capacidade de 68 kWh, a qual alimenta um motor elétrico que oferece sempre um binário máximo de 430 Nm, mas é disponibilizado em duas opções de potência máxima: 135 kW (184 cv) e 198 kW (269 cv). Em função da limitação de velocidade máxima, a Ford anuncia uma autonomia entre 258 km (limitada a 130 km/h) e 317 km (limitada a 90 km/h). 

Para recuperar a capacidade da bateria, a E-Transit possui um carregador de 11 kW, cuja entrada se encontra localizada na grelha dianteira atrás do logotipo da Ford, que permite carregar de 10% a 100% em cerca de sete horas. Também é possível efetuar um carregamento rápido num posto com potência de 115 kW, demorando 34 minutos a recuperar o nível de carga de 15% a 80%.  

Volume útil de 9,5 m3

Uma das 25 variantes da Ford E-Transit é o furgão L2H2 350 135 kW, que apresenta um comprimento exterior de 5,53 metros, uma largura sem espelhos de 2,06 metros, uma altura de 2,49 metros e uma distância entre-eixos de 3,30 metros.

Aquelas dimensões permitiram à Ford disponibilizar um compartimento de carga com um comprimento de de 3,08 metros, uma largura entre as cavas das rodas de 1,39 metros e uma altura de 1,89 metros. A combinação dessas medidas permite disponibilizar um volume útil de 9,5 m3.

A acessibilidade à área de carga é assegurada por duas portas traseiras de batente com fixador magnético (opção) ou por uma porta deslizante localizada no lado direito. O piso do compartimento de carga dispõe de um kit de proteção, também opcional, constituído por revestimento antiderrapante e as paredes dotadas com painéis em folha de madeira a meia altura.

LEIA TAMBÉM
Preços conhecidos. Ford E-Transit já está disponível em Portugal

A unidade ensaiada também estava equipada com o igualmente opcional sistema ProPower Onboard, localizado junto à porta traseira direita, que permite fornecer eletricidade a ferramentas ou conversões, enquanto se está a trabalhar.    

Cabina espaçosa

Passando ao habitáculo, este inclui um assento individual para o condutor com regulação elétrica e um assento duplo para o acompanhante. Por baixo deste encontra-se um compartimento de arrumação que pode servir, por exemplo, para guardar o cabo de carregamento.

À semelhança da versão de combustão, a cabina é ampla e espaçosa. Entre as principais novidades destaca-se o novo ecrã tátil de 12” localizado na consola central, que inclui o sistema de comunicações e informação SYNC 4, que no caso do nível de equipamento Trend da unidade ensaiada, conta com o Sistema de Navegação Conectada Ford que, além das funções habituais, também permite planear a rota da forma mais eficiente, atualizar o condutor relativamente a informações sobre carregamento, tráfego, disponibilidade de carregamento em tempo real. 

Navegação inteligente

O Sistema de Navegação Conectada Ford também incorpora o sistema Intelligent Range, que apresenta valores mais precisos em termos de autonomia até vazio.

Igualmente específico da E-Transit é o comando giratório dos programas de condução, localizado na consola central e que também inclui um botão (B) para ativar o nível mais potente do sistema de travagem regenerativa.

Por baixo do ecrã tátil podem ser encontrados os comandos da climatização, com botões físicos, assim como dos perfis de condução (Eco – Normal – Escorregadio), da câmara traseira ou do estacionamento assistido.

O painel de instrumentos analógico com ecrã digital ao centro já é conhecido de outros modelos da Ford, designadamente do Fiesta ou do Puma, assim como os comandos do volante multifunções. O conta-rotações, porém, foi substituído por um potenciómetro, enquanto o indicador do nível de combustível foi substituído por um indicador do nível de carga da bateria.

O equipamento de série compreende os assentos e pára-brisas aquecidos, entrada sem chave, travão de estacionamento elétrico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

Ao volante

A posição ideal atrás volante encontra-se com facilidade, graças à regulação elétrica do assento e da coluna da direção. O amplo pára-brisas e os espelhos retrovisores de campo  duplo garantem uma excelente visibilidade do meio envolvente e das condições de trânsito. 

Para arrancar, basta libertar o travão de estacionamento elétrico, rodar o comando giratório para a posição D e depois iniciar a marcha. O arranque é efetuado de forma suave e silencioso. Como em todos os veículos elétricos, a aceleração pode ser bastante vigorosa, graças à disponibilidade imediata dos 430 Nm de binário. A transmissão está a cargo de uma caixa de velocidades com regulação única.

A unidade ensaiada estava equipada com a motorização de 135 kW (184 cv) que se revelou bastante competente para fazer deslocar uma viatura com um comprimento superior a 5,5 metros, uma altura de 2,49 metros e um peso em vazio de quase 2500 quilos. 

A direção tem a assistência correta, sendo suficientemente rápida, enquanto o raio de não é excessivamente grande, como é tradicional nos veículos com tração traseira. A suspensão traseira independente surpreende pela positiva, absorvendo com eficácias as irregularidades dos maus pisos.

Por outro lado, como a bateria está instalada entre ambos os eixos, a E.Transit oferece um baixo centro de gravidade (algo estranho num veículo com esta altura), permitindo fazer as curvas de forma relativamente previsível. 

A unidade ensaiada estava limitada a uma velocidade máxima de 100 km/h, situação essa que exige algumas precauções quando se circula em autoestradas ou vias rápidas, sobretudo quando se pretende ultrapassar outros veículos.

Fraca regeneração

A E-Transit dispõe de um sistema de regeneração da energia das travagens e acelerações, cuja maior intensidade pode ser ativada pelo botão “L” no comando giratório, mas que em situações reais, mesmo nas descidas mais pronunciadas, não permite obter ganhos muitos significativos e visíveis em termos de autonomia.

Acreditamos que pode contribuir para a eficiência do sistema de tração elétrico e para o consumo de energia. Neste capítulo, o computador de bordo indicou, no final do ensaio, uma média de 22 kWh/100 km.

Para um custo de energia elétrica de 0,15€ numa instalação própria, isto traduz-se num custo de 3,3 euros por cada 100 quilómetros, bastante inferior a um veículo equivalente diesel. Todavia, se for efetuado num posto público rápido, este custo pode ser desagradavelmente superior à viatura diesel.

A eficiência da linha motriz elétrica contribui igualmente para a obtenção de uma autonomia de 268 quilómetros, um valor bastante aproximado ao anunciado pela marca e superior aos 220 quilómetros indicados no painel de instrumentos no início do ensaio, sendo que boa parte dele foi realizado com os modos Eco e “L” ativados. 

Preço elevado

Para apoiar a condução, o equipamento de série da E-Transit inclui os sistemas de aviso de saída de faixa e ajuda à manutenção, assistência pré-colisão com deteção de peões, cruise control com limitador de velocidade ajustável.

Na unidade ensaiada também estavam presentes opcionais como o cruise control adaptativo inteligente que funciona em associação com o sistema de reconhecimento de sinais de trânsito para manter o veículo sempre nos limites legais, o sistema de informação de ângulo morto com alerta de trânsito cruzado, a assistência ativa ao estacionamento ou a assistência à travagem em márcha-atrás.

No que se refere a preços e à semelhança de outros veículos elétricos, a Ford E-Transit não será propriamente uma proposta acessível para um pequeno e médio empresário que queira fazer a transição para a mobilidade elétrica. A unidade ensaiada, sem opcionais e no nível de equipamento Trend, está disponível a partir de 73.109 euros.

Ficha técnica

Ford E-Transit L2H2 350 135 KW

PREÇO73.109 €
MOTORELÉTRICO; 135 kW ( cv);
BINÁRIO430 NM
TRANSMISSÃODianteira; 1 Vel; Auto
COMP./LARG./ALT.5531/2059/2490 MM
D.E.E.3300 MM
PESO BRUTO3500 KG
TARA2485 KG
CARGA ÚTIL 1015 KG
VOLUME ÚTIL9,5 M3
CONSUMO kWh/100 KM (WLTP) (Teste 21,0 kWh/100 KM)
AUTONOMIA258 KM
EMISSÕES0 G/KM
IUC0 €

Equipamento