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“Não faz sentido”. Carlos Tavares apela ao fim do Euro 7 pela eletrificação

Texto: Francisco Cruz
Data: 20 de Outubro, 2022

Numa altura em que a Comissão Europeia optou por adiar, mais uma vez, a sua entrada em vigor, o CEO da Stellantis, Carlos Tavares, veio a público apelar ao fim, puro e simples, da norma anti-emissões Euro 7. Recordando não somente o período que irá vigorar, como também os elevados custos que a sua aplicação implicará.

Encarada por muitos fabricantes automóveis como uma espécie de decreto de morte antecipado para os motores de combustão, a nova norma anti-emissões Euro 7 viu a sua entrada em vigor, novamente adiada, na semana passada. Estando agora prevista para vigorar a partir de 2028.

No entanto e embora os construtores possam, mesmo com muito esforço e investimento, caminhar no sentido do seu cumprimento, evitando dessa forma pesadas multas, não é menos verdade que, passados apenas sete anos da entrada em vigor desta regulamentação, ou seja, em 2035, os motores de combustão terão mesmo de e segundo também está já definido pela União Europeia, deixar de fazer parte da oferta nos automóveis novos.

Carlos Tavares, CEO do grupo Stellantis
Carlos Tavares, CEO do grupo Stellantis

Perante este quadro, o português Carlos Tavares, que é também o CEO do grupo automóvel Stellantis, veio agora apelar para que, tomando em consideração todos os aspectos, entre os quais os elevados custos a que obriga, para depois vigorar durante um curto período de tempo, a União Europeia desista da implementação do Euro 7.

Falando na abertura para os media do Salão Automóvel de Paris, o responsável máximo por marcas automóveis como a Abarth, Alfa Romeo, Citroën, DS, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati e Opel, defendeu, segundo noticia a Autocar, que, “do ponto de vista da indústria, não precisamos do Euro 7, uma vez que atrairá recursos que, de outra forma, aplicaríamos na electrificação”.

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Para o gestor português, “gastar dinheiro para desenvolver aquilo que será mais um passo na combustão interna e que só terá aplicação a partir de 2028… não faz sentido”. Deixando, mesmo, a pergunta: “Para quê gastar recursos que são escassos em algo que irá durar um período de tempo tão curto? A indústria não precisa disso e é contraproducente”.

De resto, Carlos Tavares relembra que o Euro 7 já foi adiado várias vezes, a última das quais na semana passada, pelo que esta é uma etapa de deveria ser, simplesmente, anulada, até porque, garantiu, a indústria automóvel está “pronta para a eletrificação”.

O objectivo ‘Dare Forward 2030’

A terminar, recordar que a Stellantis apresentou, no passado mês de março, o seu plano estratégico ‘Dare Forward 2030’, com o qual o grupo automóvel fixa como objectivo deixar de comercializar veículos com motores de combustão, até ao final da presente década. Ou seja, ao longo dos próximos oito anos…