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DS 7 Vauban. Fortaleza sobre rodas

Texto: Francisco Cruz
Data: 8 de Junho, 2024

Desafio assumido em 2017 com a entrega de um primeiro DS blindado ao Presidente de França, Emanuel Macron, a DS Automobiles apresenta, passados cinco anos, o DS 7 Vauban, a “fortaleza sobre rodas” para figuras públicas que necessitem de segurança acrescida, com o refinamento e descrição correspondentes. Mas também um preço que é um terço da concorrência!

O projecto foi delineado pela DS Automobiles, em conjunto com um parceiro já bem conhecido do grupo Stellantis na preparação deste tipo de veículos blindados e altamente personalizados, a Welp France. A qual, depois de já ter participado na construção do DS 7 Elysée entregue ao Presidente de França, em 2021, embarcou, desta feita, numa nova versão blindada do DS 7, para venda a clientes que necessitem de segurança acrescida. 

Convertido nas instalações do preparador em Herimoncourt (curiosamente, o local onde nasceu… a Peugeot), a cerca de 100 km da fábrica de onde saem todos os DS 7, em Mulhouse, o DS 7 Vauban assume-se, assim e desde logo, como um produto genuinamente francês. Ambição que expressa, de resto, no nome escolhido, Vauban, e que tem origem em Sebastien Le Preste de Vauban, um dos grandes engenheiros militares do século XVII e que ficou também conhecido como o pai e mentor das fortalezas construídas, durante o reinado de Luis XIV, não apenas em França, mas também na Bélgica, Alemanha, Itália… e Portugal.

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Edificações que, no seu tempo, se tornaram famosas por serem praticamente inexpugnáveis, essa é também a principal qualidade que que a marca premium francesa promete oferecer aos clientes do DS7 Vauban. Neste caso, graças uma blindagem que, embora quase imperceptível do exterior, recorre às fibras de aramida ou kevlar, a fibras de polietileno de alto desempenho, ao aço blindado e a vidros de segurança com 22 mm (!) de espessura (mais grossos que um dedo!), para garantir um nível de protecção VPAM. Ou seja, uma defesa eficaz contra grande parte das armas de fogo, desde pistolas a espingardas. 

Por outro lado e porque do “caderno de encargos” do projecto fazia igualmente parte a exigência de manutenção da mesma agilidade e dinamismo do modelo que está na base da conversações, destaque para o feito alcançado pelos técnicos da Welp, que, mesmo com todos os acréscimos feitos, não adicionaram mais do que 164 kg ao peso do DS 7 (habitualmente, este tipo de conversões implica um aumento de peso na ordem da tonelada!). O que não só veio permitir a manutenção de veículos de aspecto e dimensões idênticos ao original, como não obrigou a quaisquer mudanças na suspensão adaptativa ou sistema de travagem. Permitindo, igualmente, a sua condução por qualquer condutor com carta de condução de ligeiros!

Ainda assim e conforme confidenciou o responsável máximo da Welp, Giles Demaret, à TURBO, existem alguns aspectos que estão ainda em processo de alteração e aprovação. Como é o caso dos pneus, equipamento que, no único Vauban produzido até ao momento e que tivemos oportunidade de observar “in loco” na apresentação levada a cabo na região de Paris, França, não apresenta qualquer alteração face à solução que equipa o DS 7 standard, mas apenas porque a Welp continua em conversações com várias marcas de pneus, com o objectivo de encontrar o pneu Runflat que melhor se adequa ao veículo blindado francês.

“Basicamente, pretendemos um pneu Runflat que não implique um aumento excessivo de peso para o carro, sendo que, assim que encontrarmos o que pretendemos, o passo seguinte será voltar a homologar o carro com essa nova solução”, explicou Demaret.

Altamente protegido… e personalizado

Igualmente específico deste Vauban, são soluções como o sistema automático de extinção de fogos, o sistema de regeneração do ar no interior, intercomunicadores que permitem falar (e ouvir) com o exterior sem necessidade de abrir qualquer porta ou janela, além de equipamentos como os pirilampos azuis e sirene. Esta última, a poder emitir uma sonoridade própria, de forma a não ser confundido com um veículo policial. 

Ao mesmo tempo e porque se trata de um veículo blindado pensado não apenas para altas individualidades políticas e governamentais, mas também e principalmente, para clientes civis, à procura de segurança e protecção nas deslocações, a garantia, deixada por Gilles Demaret, de que, mesmo mantendo a discrição e distinção que um veículo deste tipo exige, os interessados vão poder desfrutar de uma elevada customização. “O cliente apenas tem de dizer-nos o que pretende e nós tudo faremos para o concretizar”, garantiu.

Aliás e segundo pudemos constatar na unidade que nos foi dada a conhecer, estaticamente, em Mortefontaine, a primeira ideia que sobressai é a dificuldade em distinguir o Vauban do DS 7 convencional, com ambos a primarem pelo mesmo ar distinto e até estatutário, sendo preciso uma análise mais demorada, de preferência, na companhia de quem sabe o que temos pela frente, para descobrirmos a troca do pequeno vidro triangular, no último pilar, por uma bem disfarçada placa blindada que protege/esconde a cabeça dos ocupantes. Ou e já no interior, a enorme grossura do vidro na porta do condutor e que é também o único que abre (os restantes estão desactivados por questões de segurança), além de um vidro anti-bala a dividir o habitáculo da área de carga.

Num habitáculo sem alterações, tanto em termos estéticos, como no equipamento, habitabilidade e elevado bem-estar, face ao modelo original, igualmente específico desta versão blindada, é o conjunto de botões metálicos junto à manche da caixa de velocidades, destinados a accionar os vários equipamentos que permitem interagir com o exterior.

Motorização (e condução) sem alterações

Já sem quaisquer novidades, surge o trem de força sob o capot do DS 7 Vauban e que é, nada mais, nada menos, que o bem conhecido híbrido E-Tense de 300 cv,  acompanhado de caixa automática de dupla embraiagem de oito velocidades e sistema de tracção integral. Solução que, neste DS um pouco mais pesado, deverá permitir, ainda assim, acelerações dos 0 aos 100 km/h em 6,1 segundos, a par de recuperações dos 80 para os 120 km/h em 3,9s.

E dizemos “deverá”, porque, apesar de convidados para o evento de apresentação, não nos foi permitido ainda conduzir o Vauban. Segundo explicaram os responsáveis da DS, porque ainda só existe uma unidade finalizada, já que o modelo encontra-se, neste momento, em processo de homologação. 

Como forma de aplacar a curiosidade dos jornalistas presentes, uma solução alternativa e que passou por um momento de condução, em vários tipos de trajectos disponíveis dentro do próprio circuito de Mortefontaine, ao volante de um DS 7 E-Tense 4x4 300 (a mesma e única motorização que serve o Vauban), mas com um lastro de 164 kg na bagageira!

Embora a solução apresentada dificilmente possa ser comparável, em termos de sensações, à versão blindada, desde logo, pela forma como surge distribuído o peso (no Vauban, o acréscimo de peso envolve o habitáculo, enquanto nos veículos de teste estava na mala), a verdade é que o momento não deixou de ser especial, já que e mesmo com a forte chuva que, nesse dia, se abatia sobre a região, foi-nos possível conduzir um DS 7 na pista oval do circuito, com uma inclinação de 45 graus nos topos, a velocidades que roçaram os 150 km/h e, pior ainda, tirar as mãos do volante, como forma de comprovar a estabilidade e segurança do veículo! Tudo, naturalmente, na companhia de um experiente instrutor… 

Depois e a juntar a esta experiência, tempo ainda para mais um pouco de condução num trajecto em alcatrão que, com algumas chicanes pelo meio, procurava imitar as sinuosas estradas secundárias francesas (nalgumas zonas, até mesmo no piso fortemente degradado!), com a condução a terminar numa zona mais aberta, tipo estacionamento, onde foi “construída”, com recurso a pinos, uma pista de slalom, a terminar numa pequena reta de aceleração, seguida de travagem a fundo. Tudo, exigências a que a DS 7 respondeu de forma competente.

Seis meses de espera

A terminar, dizer apenas que, com o Vauban ainda em vias de de homologação, a DS Automobiles espera poder iniciar as vendas logo a seguir, muito provavelmente ainda em junho, com Portugal a fazer parte dos mercados previstos. Sendo que, a partir do momento da encomenda, o cliente deverá ter de enfrentar uma espera de, pelo menos, seis meses, até poder desfrutar da sua “fortaleza”.

Quanto a preços e embora nada esteja ainda definido para o mercado nacional, em França, o DS 7 Vauban deverá ostentar um valor de entrada de 165 000€. Montante que, embora podendo parecer alto à partida, é, segundo frisou por diversas vezes a marca francesa, cerca de um terço daquilo que a grande maioria dos rivais custa!…