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Homenagem aos caídos. Dez automóveis que nos deixaram em 2020

Texto: Carlos Moura
Data: 12 de Fevereiro, 2021

Esta é a nossa homenagem àqueles que caíram, que sucumbiram, na guerra pela sobrevivência no mercado. Conheça os dez automóveis que nos deixaram em 2020 pelos mais variados motivos, desde ambientais até às fracas vendas. Alguns modelos terão substitutos; outros não. São os sinais dos tempos.

O ano de 2020 não ficará na história por bons motivos. A crise pandémica do COVID-19 teve um forte impacto na atividade económica e um reflexo direto no setor automóvel.

Além disso, manteve-se a pressão política para a descarbonização dos transportes, com a introdução de normas de emissões mais restritivas. Para cumprirem os limites impostos pelas autoridades europeias e evitarem o pagamento de pesadas multas, as marcas viram-se obrigadas a apostar na eletrificação e a acabar com a produção de alguns modelos.

Aqui deixamos uma lista de dez modelos que nos deixaram em 2020, vítimas não só das normas europeias de emissões, mas também da nova preferência dos consumidores pelos SUV.

Bentley Mulsanne: o último moicano

O Bentley Mulsanne foi o último da sua espécie, isto é, com uma plataforma única na gama e um motor V8 de 6,75 litros que datava originalmente da década de ’50 do século passado. Trata-se de um automóvel superluxuoso, construído à mão, e capaz de se bater de igual para igual com o Rolls-Royce Phantom. 

O novo topo de gama passa a ser o Bentley Flying Spur, um automóvel de elevada qualidade e requinte, mas cuja construção assenta em plataformas comuns a outros automóveis do Grupo Volkswagen, enquanto os motores também estão longe de serem exclusivos.

BMW i8: um híbrido plug-in objeto de desejo

Juntamente com modelos como o McLaren P1 ou o Porsche 918 Spyder, o BMW i8 foi um dos primeiros híbridos plug-in verdadeiramente interessantes.

Lançado em 2014, não era só um protótipo para as ruas, mas um automóvel construído sobre uma avançada estrutura em fibra de carbono e com uma motorização de 362 cv, que demonstrava ser possível compatibilizar prestações e diversão ao volante com baixas emissões e respeito pelo ambiente. Provavelmente, o BMW i8 era demasiado avançado para o seu tempo.

Ferrari GTC4Lusso: o primeiro “crossover” de Maranello

O Ferrari GTC4Lusso foi uma evolução do Ferrari FF, um automóvel que podemos considerar como o primeiro “crossover” – com muitas aspas – da marca do Cavallino Rampante.

Não era um SUV nem um crossover, mas, sim, um shooting brake dotado com um moderno sistema de tração integral permanente. Este automóvel chegou a estar disponível com um motor V12 de 690 cv.

O Lusso morre sem descendente direto, embora a Ferrari esteja a preparar o lançamento do Purosangue, o seu primeiro SUV.

Fiat 124 Spider: adeus, Fiata

O Fiat 124 Spider, também conhecido como “Fiata”, era um desportivo bilugar baseado no Mazda MX-5. Este modelo também foi disponibilizado pela Abarth, com um aspeto mais radical e personalizado.

A particularidade do Fiat 124 Spider residia na sua mecânica: em vez de um motor atmosférico como o roadster japonês, utilizava o motor 1.4 Multiair turbo de 140 cv, com um som e um tato diferenciado. Nunca registou vendas substanciais, mas era agradável de saber que a Fiat procurava manter os seus clássicos e ícones mais apaixonantes.

Ford Fusion: a morte da berlina americana

O Ford Fusion é o equivalente norte-americano ao Ford Mondeo europeu, que ainda continua em comercialização. A sua inclusão nesta lista deve-se ao seu simbolismo, pois é a primeira vez em mais de um século que a Ford deixou de comercializar berlinas tradicionais no seu mercado doméstico. 

A aposta da Ford nos SUV, crossover e pick-up parece ser total e irreversível. A morte do Fusion é prova disso. A berlina tradicional não vai morrer totalmente, mas a marca que a inventou e popularizou durante décadas desferiu-lhe um golpe mortal.

Kia Optima: a berlina generalista morreu

Se segmento houve que sofreu intensamente com a ofensiva dos SUV, foi o das berlinas. Trata-se da carroçaria ideal para longas viagens, mas é menos prática do a de um SUV, embora seja superior noutros aspetos.

As berlinas generalistas foram as que mais sofreram neste segmento e por esse motivo a Kia deixou de vender o Optima na Europa. O mesmo sucedeu com o Hyundai Sonata, cuja geração atual nunca foi comercializada na Europa. 

Nissan 370: o desportivo do povo

O Nissan 370Z é um desportivo muito competente e purista, bem ao agrado dos adeptos dos desportivos convencionais: tração traseira, caixa de velocidades manual, motor V6 aspirado de 328 cv.

Na verdade, trata-se de um modelo lançado em 2009 e já muito datado em quase todos os aspetos. O seu substituto vai receber a designação de 400Z e combinará uma imagem retro inspirada no mítico Datsun 240Z, com um motor V6 biturbo de 400 cv. Infelizmente não deve chegar à Europa.

Peugeot 308 GTI: o último GTi da Peugeot?

A produção do Peugeot 308 GTI terminou há poucas semanas em possível e é provável que seja o último GTI da velha guarda da Peugeot, isto é, equipado apenas por um motor de combustão interna. Não há um Peugeot 208 GTI, nem se espera, a não se ser que seja cem por cento elétrico.

O futuro dos Peugeot mais desportivos passa pelos híbridos plug-in como o Peugeot 508 PSE. Isso significa que a aposta não será nos compactos ou utilitários ligeiros, puros e acessíveis. Essa fórmula de automóveis está em vias de extinção devido às normas europeias de emissões médias.

Toyota GT 86: o adeus dos irmãos discretos

O Toyota GT 86 – e o irmão gémeo Subaru BRZ comercializado nalguns mercados europeus – despediu-se do mercado em 2020. Após oito anos no mercado, as vendas globais não deixavam de ser interessantes, embora na Europa fossem decepcionantes. 

A Toyota vai voltar a apostar num desportivo na Europa com a disponibilização do GR 86, equipado com motor boxer de 2,4 litros com 230 cv. A fórmula será quase idêntica à dos antecessores, mas melhorada em todos os aspetos.

Volkswagen e-Golf: variante pioneira

No ano de 2020 também se despediu para sempre uma versão pioneira do Volkswagen Golf. No panorama atual dos automóveis elétricos e devido à sua plataforma MQB modificada, o e-Golf já estava desfasado a nível de autonomia e prestações.

O golpe de misericórdia foi dado pelo Volkswagen ID.3, modelo que beneficia da plataforma dedicada MEB.