Rali, Lazer e Cultura

Texto: Júlio Santos

Porto, Ponte de Lima, Fafe, Serra do Marão…

 

O Rali de Portugal regressa este ano de 2015 ao norte para um há muito ansiado reencontro com alguns dos mais carismáticos troços da história do Mundial de Ralis. É, também, uma boa oportunidade para conhecer uma região com encantos únicos.

Fafe, Marão, Ponte Lima ou Fridão voltam ao mapa dos apaixonados pelo desporto automóvel e, mesmo que os protagonistas sejam outros, o espetáculo está, de novo, assegurado. Desde logo porque na Argentina os Citroën DS3 deram sinais de terem encurtado a desvantagem para os VW Polo, enquanto os Hyundai continuam a evoluir, mas também porque os responsáveis pelas localidades atravessadas pela caravana tudo têm feito para a receber de forma a recordar os tempos do Melhor Rali do Mundo.

A estrutura prevista também é de molde a facilitar a vida àqueles que pretendem acompanhar a prova, com passagens duplas pelos diferentes troços, o que não só permite fixar as pessoas, como lhes “liberta” tempo para descobrirem os tesouros daquela que é uma das mais belas regiões de Portugal. A pensar naqueles que planeiam acompanhar de forma relaxada a edição de 2015 do Rali de Portugal preparamos um roteiro paralelo que pode partilhar com a família.

 

GUIMARÃES: REGRESSO ÀS ORIGENS

Escolher como base a cidade de Guimarães pode ser uma boa solução. Daqui a Paredes, palco para o Shakedown, na quinta- feira de manhã, são 50 quilómetros, primeiro pela A11, em direção a Penafiel e depois seguindo pela A4 até Paredes.

Depois deste “aquecimento”, cujos últimos metros utilizam o Kartódromo de Baltar, a caravana ruma a Guimarães onde será dada a partida oficial, junto ao castelo que simboliza a fundação de Portugal. Depois de ver as “máquinas” vale bem a pena redescobrir Guimarães, que é a demonstração cabal de como iniciativas como a Capital Europeia da Cultura (2012) podem e devem ser potenciadas.

A profunda remodelação operada deu à cidade uma vida extraordinária, colocando-a no lugar que merece no roteiro internacional de turismo cultural. A recuperação do vasto património histórico restituiu a Guimarães aquele que foi durante séculos um dos seus principais tesouros mas essa revitalização estendeu-se ao comércio e, sobretudo, à qualidade da oferta hoteleira e de entretenimento. Em Guimarães há sempre algo para visitar (uma exposição, um museu, um monumento) mas por ventura ainda mais cativante é a qualidade e a diversidade de locais para conviver ao redor da mesa.

Partindo da Praça do Toural e embrenhando-nos pelas ruelas do centro histórico que convergem no Largo das Oliveiras, acompanham-nos simpáticas lojinhas “disto e daquilo” e principalmente, dezenas de bares sempre “efervescentes” e inúmeros restaurantes que fazem jus à tradição de bem receber da cidade consagrada em 2001 pela Unesco como Património da Humanidade. Escolher vai ser o mais difícil mas, pela qualidade da comida e pelo ambiente, o “Histórico” é o nosso eleito.

Depois desta primeira noite realmente Especial (não confundir com a Super Especial que tem lugar na pista de Lousada na noite de quinta-feira), o rali ruma ao Alto Minho para duas passagens pelos troços de Ponte de Lima, Caminha e Viana do Castelo. Recomendamos-lhe que opte pela A11 em direção a Braga e daqui até Viana do Castelo, pela A28 que alcançará ao cabo de 80 quilómetros, menos de uma hora, sempre em autoestrada. Para ver o Rali, não lhe faltam opções. Continue pela A28 durante 20 quilómetros e alcance Freixieiro de Soutelo e daí percorra mais 21 quilómetros pela N305 até alcançar o final do troço de Ponte de Lima ou, em alternativa, pode ver o final da classificativa de Viana,14 quilómetros depois de atravessar a povoação de Outeiro.

Se após o parque fechado em Viana do Castelo preferir ficar pela cidade, não deixe de subir ao topo do Monte de Santa Luzia e alcançar o Santuário com o mesmo nome cuja traça arquitetónica (segundo alguns) é inspirada na Basília de Sacré Coeur, em Paris. Tanto quanto a imponência do edifício em granito impressiona, nos dias com visibilidade, a lindíssima vista que se espraia pelo Atlântico realçando a beleza de uma cidade que nos últimos anos tem feito um esforço visível para aumentar a sua atratividade.

Além de praças e jardins bem cuidados, cá em baixo destacamos um passeio pela marginal e pelo porto que, na primeira metade do século passado, teve uma enorme relevância para toda a região ao assumir-se como entreposto para as mercadorias provenientes ou com destino ao norte da Europa.

Por toda a cidade não faltam testemunhos desse passado de grande prosperidade, misturando-se com invulgar elegância edifícios de traça renascentista com outros onde predomina o barroco ou até mesmo alguns dos elementos mais marcantes da Art Deco. Além do Elevador que nos leva até ao topo de Santa Luzia, destacam-se, então, a Igreja Católica (elevada a Catedral, desde 1977) e a Capela das Almas.

História diferente mas não menos rica tem o navio Gil Eannes, aportado à doca comercial, agora convertido em Museu da fundação com o mesmo nome. Aquele que, para muitos, é apenas um belo navio com 98 imponentes metros é, afinal, uma peça de inestimável valor para compreender uma parte relevante da história de Portugal. Afinal, serviu na Primeira Grande Guerra, depois de ter sido adquirido à armada alemã, foi importante estrutura de apoio para os pescadores que desde Viana partiam para a pesca do bacalhau, esteve ao serviço do Estado Novo, durante a segunda Grande Guerra e desempenhou com bravura importantes missões durante a Guerra Colonial. A visita ao interior é, para os mais novos, uma forma lúdica de adquirir e consolidar conhecimento.

 

AMARANTE, PARA RECORDAR

Depois do Minho, o segundo dia “a sério” do Rali de Portugal 2015 tem como palco a lindíssima região do Marão, com passagens duplas pelos troços de Baião, Marão e Amarante. De novo, desde Guimarães tome a direção de Amarante pela A11 e daí pelo IP 4 até Sanche e Aboadela, pela saída 19, cumprindo 56 quilómetros, alcançando o troço do Marão cuja parte final promete grande espetáculo. O último concorrente deve estar aí cerca das 11 horas, pelo que, se somarmos meia hora de caminho até Amarante, pode dizer-se que o local para o almoço está encontrado! Debruçados sobre o rio Tâmega não faltam excelentes restaurantes com ótimas vistas e ainda melhores iguarias, entre as quais se destacam as tripas, o cabrito serrano ou a vitela maronesa.

Seria imperdoável desperdiçar a oportunidade para conhecer uma das mais belas cidades do norte de Portugal. Se é apreciador de pintura aproveite para visitar o museu de Amadeo de Souza-Cardoso e, de seguida, percorra a pé as margens do rio, atravesse a lindíssima ponte que mantém a mesma estrutura desde que foi reconstruída em 1766 e visite o Mosteiro de São Gonçalo, junto à capela. Por fim, antes de regressar despeça-se de Amarante na esplanada da Confeitaria da Ponte com uma Léria ou um Papo de Anjo. O rali já lá vai mas a recordação vai manter-se durante muito tempo.

O último dia da prova, domingo, reserva-nos um “prato” especial: o regresso do mítico troço de Fafe que será disputado por duas vezes, a última das quais na configuração de “Power Stage”. Mesmo que já tudo esteja decidido o espetáculo está garantido já que a passagem pelo mundialmente famoso “salto” é sempre motivo para um “bruá” coletivo. No final, ainda com as emoções bem presentes, deixe passar a “multidão” visitando o Museu Regional do Automóvel, no centro de Fafe, onde pode recordar algumas “velhas” glórias. Rali é espetáculo mas pode ser, também, diversão para toda a família.

 

VW POLO GTI

O Polo GTi é, visível e tecnicamente a base do carro com o qual a Volkswagen tem passeado uma avassaladora superioridade pelo Campeonato do Mundo de Ralis. Um ponto de partida que, sem dúvida, tornou tudo mais fácil dado o equilíbrio do chassis, evidente na facilidade de inserção em curva e na manutenção de uma total estabilidade mesmo nas situações mais críticas. Apesar da firmeza da suspensão, conforme convém a um desportivo, importa salientar que as irregularidades do piso são muito bem absorvidas, o que favorece a atitude dinâmica e o conforto. E aqui gostamos da solidez da construção e do espaço, bem como da posição de condução, com o volante e instrumentação principal bem ao alcance das mãos e da visão.

Em condução desportiva ou num registo mais despreocupado o Polo GTi revela sempre uma total disponibilidade. O motor de 1,8 litros mostra-se sempre bastante progressivo, enquanto a caixa de sete velocidades DSG faz um aproveitamento ótimo dos 192 CV, o que explica que, em viagem, consigamos com facilidade manter consumos pouco acima dos 8l/100 km.

 

HOTEL OPEN VILLAGE

Se o Rali pode muito bem ser o pretexto para revisitar uma região de múltiplos encantos, sem dúvida que o Open Village Sports Hotel & SPA (quatro estrelas) é a base ideal. Pela proximidade em relação aos principais pontos a visitar (está a 5 minutos de Guimarães, em Mesão Frio) mas, sobretudo, pela qualidade e diversidade da oferta. De tal maneira que não temos dúvidas em dizer que ao Open Village não faltam motivos para lá voltarmos uma e outra vez. Seja com a família, ou com os amigos. Com um total de 48 quartos e três suites, o Hotel desenvolve-se num edifício de traça moderna em que prevalece o vidro, o que cria um ambiente luminoso e alegre no interior. Além do conforto dos quartos há uma vasta oferta de estruturas de lazer, com destaque para os 13 campos de ténis (quatro dos quais cobertos), quatro pistas de paddle, um campo interior para a prática de futsal, um ginásio excelentemente equipado e uma piscina aquecida. Para os menos desportistas, o conselho é que se entreguem às maravilhas do excelente SPA, com diversos tratamentos personalizados.

 

CONTACTOS:

Site: www.ovs.pt

Email:geral@ovs.pt

Telef: 253 540 630

Travessa da Ribeira 629 4810- 235 Guimarães

 

Viagem publicada na Revista Turbo 405, de Junho de 2015