Timoneiro “pós-Dieselgate” abandona VW

Texto: Nuno Fatela
Data: 13 Abril, 2018

O responsável por liderar o Grupo Volkswagen após o maior escândalo de um fabricante automóvel no século XXI será substituído por Herbert Diess, que acumula agora as funções de CEO na marca de Volfsburgo e em todo o consórcio.

O Grupo Volkswagen anunciou uma mudança na cúpula de decisão da empresa, com Matthias Müller a ser substituído por Herbert Diess no cargo de CEO. Desta forma, durou cerca de dois anos e meio a liderança de Müller, que estava na Porsche quando foi nomeado Diretor-Executivo do Grupo VW em setembro de 2015, na sequência da demissão de Martin Winterkorn devido ao seu envolvimento no Dieselgate. Uma das razões para a mudança foi o desejo dos stakeholders da empresa em ter uma liderança a longo-prazo (o CEO cessante tem 64 anos) e ela significa também uma reorganização da empresa.

 

Além de sair de CEO do Grupo, Muller também deixa vago um lugar no Conselho de Administração da Porsche, que é ocupado pelo CEO da marca, Oliver Blume. Esta reorganização também inclui mais uma alteração da atribuição de responsabilidades, em que os CEO de várias marca ficam com a supervisão de diferentes áreas. O CEO do Grupo e da Volkswagen, Herbert Diess, lidera a Pesquisa e Desenvolvimento. O seu homólogo da Audi, Rupert Stadler, vai ficar com a área de Vendas, e o Diretor Executivo da Porsche, Oliver Blume, vai ter sob a sua égide a Produção em todo o consórcio.

Herbert Diess acumula a liderança da Volkswagen com a de todo o Grupo

Fica confirmada a divisão do maior fabricante automóvel europeu em três grandes unidades (no que se refere às marcas de ligeiros de passageiros). A VW, Seat e Skoda estão numa divisão dedicada às generalistas, a Audi é a representante nos Premium e, no topo, temos Porsche, Lamborghini, Bentley e Bugatti unidas nos “Super-Premium”. A maior curiosidade é o isolamento do emblema dos quatro anéis,  numa unidade de negócios separada, mas o novo CEO explicou que ela é “a principal para este competitivo segmento, que inclui BMW, Mercedes e Lexus. A Audi tem um papel fundamental dentro de todo o grupo”. Ela fica separada dos super-premium porque este segmento “é especificamente para entusiastas do automóvel que gostam de gastar dinheiro nos carros – pessoas que são verdadeiramente apaixonadas pelos carros e petrolheads”.

 

Muller assumiu a liderança da empresa num momento extremamente difícil, conferindo uma imagem de confiança quando ela estava abalada pela fraude de emissões e conseguindo manter elevados os índices de vendas (a liderança do mercado mundial é disputada com a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi). Agora Diess vem consolidar os frutos deste trabalho. Depois de ter sido progressivamente diluída a visão de Winterkorn focada apenas no volume de vendas, o novo CEO vem agora dar mais um passo rumo ao futuro, prometendo acelerar as sinergias e a tomada de decisão numa indústria com um ritmo de transformações cada vez mais elevado. Também serão consolidados os primeiros passos que Müller deu para acompanhar as novas tendências do sector. Algo que se aplica às novas formas de mobilidade e digitalização, e especialmente à aposta nas motorizações alternativas. Durante os últimos dois anos e meio essa aposta multiplicou-se através da progressiva apresentação de concepts Volkswagen ID, Porsche Mission E e Audi E-Tron, que anunciam os modelos que chegam ao mercado a breve-prazo.