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Renault Master. Tudo novo, menos os puxadores das portas

Texto: Carlos Moura
Data: 31 de Maio, 2024

Da geração anterior da gama de comerciais de grandes dimensões da Renault, Master, ficaram apenas os puxadores das portas, já que tudo o resto é novo. A oferta compreende mais de 40 tipos de carroçarias, com propulsão diesel ou elétrica, e possibilidades de transformação quase ilimitadas.

Com base numa plataforma multienergias e arquitetura totalmente novas, a Renault desenvolveu uma nova geração da gama Master, que já tivemos oportunidade de conduzir, quer na versão elétrica com bateria em de 84 kWh e motorização de 105 kW, quer na diesel com motor de 2,0 litros e 170 cv. 

A nova geração do Master é facilmente reconhecível pela secção frontal, dominada por uma ampla grelha, com o novo logo da marca francesa ao centro e os faróis full-LED de grandes dimensões, com a sua assinatura em forma de C. O elemento em U por baixo da grelha pode ser preto granulado ou na cor da carroçaria. 

As proporções da carroçaria foram meticulosamente afinadas em túnel de vento para garantir o equilíbrio correto para cada tipo de carroçaria. A traseira é mais estreita para otimizar a eficiência aerodinâmica. A Renault reivindica que o seu Scx é 20% inferior ao da geração anterior e melhor do que toda a concorrência.

A equipa de estilo da Renault teve uma preocupação especial com todos os detalhes: o capot é mais curto, o pára-brisas está mais avançado e inclinado, os espelhos retrovisores, as condutas de entrada de ar no pára-choques e a inclinação do tejadilho foram simplificados.

Para garantir uma proporção harmoniosa em todas as 40 silhuetas, a distância entre-eixos foi ligeiramente encurtada, mas o comprimento do compartimento de carga até aumentou dez centímetros. A porta lateral deslizante também Para não penalizar o espaço no habitáculo, a cabina avançou ligeiramente, o que se tornou possível graças ao novo desenho da secção dianteira. 

OpenR Link

Passando ao habitáculo destaque para o painel de bordo em forma de S, virado para o condutor, que contribui para transmitir uma sensação de amplo espaço interior. Perfeitamente integrado da consola central encontra-se o ecrã tátil de 10”, que é de série, o qual permite aceder ao sistema de informação e comunicação OpenR Link, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fios. O sistema é simples, intuitivo e funciona como um tablet.

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Em opção está igualmente disponível o OpenR Link com Google incorporado, que já inclui as capacidades de navegação do Google Maps, o catálogo de aplicações do Google Play e o Google Assistant. 

A utilização deste sistema também permite a criação de aplicações personalizadas para veículos personalizados, graças ao Open Link com Converter Companion. 

Espaço na cabina

O habitáculo está preparado para receber três ocupantes, contando com um assento individual para o condutor e duplo para o acompanhante. Os estofos escuros reforçam a sensação de conforto, enquanto o volante multifunções é oriundo do universo dos ligeiros de passageiros, sendo possível ajustar a altura e profundidade.

A cabina oferece um total de 135 espaços de arrumação – mais 25% do que na geração anterior – podendo ser encontrados compartimentos no painel de bordo e no tecto, ao que se juntam suportes laterais para copos, gavetas no porta-luvas e dois níveis de arrumação das portas.

As costas do banco central podem ser transformadas numa mesa, sendo que a base dispõe de um compartimento para guardar um computador portátil e existem portas USB-C para alimentar diferentes dispositivos.

O painel de instrumentos pode ser digital na versão elétrica ou analógico com painel LCD. Em ambos os casos, o acesso aos menus e assegurado por botões físicos no novo volante multifunções, localizado no lado direito. No esquerdo encontram-se os comandos do limitador de velocidade / regulador da velocidade de cruzeiro. 

Os comandos da climatização continuam a ser físicos, estando localizados por baixo do ecrã tátil, sendo semelhantes aos utilizados por outros modelos de passageiros da Renault.

Multienergias

A nova plataforma multienergias está preparada para receber diferentes sistemas de propulsão: diesel, elétrico e hidrogénio.

As versões elétricas da Master, denominadas E-Tech, são propostas em dois níveis de potência – 96 kW (139 cv) ou 105 kW (140 cv) -, ambos com 300 Nm de binário. A primeira opção, designada “urban range”, está associada a uma bateria de 40 kWh, que permite percorrer até 200 quilómetros entre carregamentos, incluindo rápidos até 50 kW. 

A segunda variante, denominada “long range”, vem com uma bateria de 87 kWh e oferece uma autonomia homologada em ciclo WLTP de até 460 km, graças a um consumo de 21 kWh/100 km. A bateria pode carregada num posto doméstico de 22 kW, demorando a operação menos de quatro horas, ou num rápido até 130 kW, sendo possível recuperar entre 15% a 80% do nível de carga em 38 minutos. Em cerca de meio hora é possível ganhar 230 km de autonomia.

Apesar da grande aposta na versão elétrica, a maioria das vendas dos comerciais de grandes dimensões nos próximos anos vai continuar a ser de motores de combustão. Para responder à procura, a Renault propõe quatro motorizações diesel, baseadas no bloco de 2,0 litros, com níveis de potência de 105 cv, 130 cv, 150 cv e 170 cv.

A transmissão é assegurada, de série, por uma caixa manual de seis velocidades, estando prevista ainda, em opção, uma automática de nove relações, de origem ZF. A Renault assegura que o motor 2.0 BlueDci já está preparado para cumprir as futuras normas de emissões da União Europeia. Relativamente à geração anterior, a marca anuncia uma redução no consumo de combustível de 1,5 l/100 km e nas emissões de dióxido de carbono de 39 g/km.  

Ao volante do Master E-Tech

Na região de Bordéus, tivemos oportunidade para fazer um primeiro contacto dinâmico com o novo Renault Master. A primeira volta foi efetuada ao volante de um furgão elétrico L2H2, equipado com o motor elétrico de 105 kW e a bateria de 87 kWh. O compartimento de carga tinha um lastro de 400 quilos.

Ao contrário do que seria de esperar num novo veículo elétrico, o novo Master E-Tech ainda continua a ter o botão tradicional da ignição e o travão de estacionamento mecânico. Os responsáveis da Renault afirmam que o botão de ignição e o travão de estacionamento elétrico virão mais tarde, como opcionais. 

Rodando o botão da ignição, acende-se o painel de instrumentos digital e quando surge a mensagem “Ready”, o veículo está pronto para iniciar a marcha. Para o efeito basta rodar o comando atrás do volante para a posição D ou B e destravar o veículo.

Com a bateria totalmente carregada no início, o computador de bordo indicava uma autonomia de 420 quilómetros. O modo de condução B ativa o sistema de travagem regenerativo, que no Master está disponível apenas num nível, o mais intenso, mas não existe modo “e-Pedal”, pelo que o condutor tem de travar sempre o veículo com o pé para o imobilizar. Além do programa de condução Normal também existe o modo Eco, ativado através de um botão no painel que limita a climatização e a potência do motor.

Graças aos 300 Nm de binário e aos 140 cv de potência, a versão “long range” do Master oferece uma condução agradável e suave, assim como uma aceleração vigorosa no arranque. Num trajeto com trechos em estrada nacional e atravessamento de localidades, nalgumas zonas com limitações de velocidade a 70 km/h, 50 km/h ou mesmo 30 km/h, e vias rápidas foi possível alcançar um consumo de energia ligeiramente superior a 22,4 kWh/100 km, o que não deixa de ser interessante.

Diesel de 170 cv

A segunda ronda foi efetuada ao volante de um furgão diesel L2H2, equipado com motor 2.0 dCi de 170 cv e caixa manual de seis velocidades. Enquanto a versão elétrica tem um painel de instrumentos digital, a de combustão mantém o tradicional quadro de instrumentos analógico, que inclui ao centro um pequeno ecrã LCD.

Quando se passa de um elétrico para um diesel nota-se naturalmente o som oriundo do compartimento do motor. O correto escalonamento da caixa de velocidades permite explorar eficazmente as capacidades do propulsor, que responde com prontidão. Naturalmente que não é tão rápido a acelerar nem a recuperar como o seu congénere elétrico. 

Após um trajeto misto com estradas nacionais, atravessamento de localidades e vias rápidas, o computador de bordo indicou uma média combinada de 8,5 l/100 km. Para otimizar o consumo, o Master 2.0 BluedCi dispõe de um sistema que aconselha a engrenar uma mudança acima ou abaixo.

Quer o Master diesel, quer o elétrico vêm equipados com os avançados e modernos sistemas de assistência à condução, como o de manutenção na faixa de rodagem com retoma (algo intrusivo), alerta de obstáculo próximo, câmara traseira, assistência inteligente de velocidade, entre outros. 

Estes atributos contribuíram para o júri do “International Van of the Year” nomeasse o novo Renault Master como um dos candidatos ao prémio na edição de 2025. Será que vai ser eleito? Em setembro, já saberemos.