Nissan Ariya Nismo: Ninja elétrico

A Nismo está de regresso à Europa pelo volante do Nissan Ariya. Um desportivo com tração integral, 435 cv, bateria de 87 kWh e 417 km de autonomia. As prestações, tão discretas como a imagem, chegam para o dia-a-dia.

A Nismo está de regresso à Europa pelo volante do Nissan Ariya. Um desportivo com tração integral, 435 cv, bateria de 87 kWh e 417 km de autonomia. As prestações, tão discretas como a imagem, chegam para o dia-a-dia.

Esqueça o Godzilla R32 e respeitáveis sucessores. A caça às emissões orquestrada pela União Europeia afastou o V6 3.8 biturbo do Nissan GT-R e GT-R Nismo do Velho Continente. É preciso ir até ao Japão para ouvir a plenitude dos 570 cv da versão base ou 600 cv da Nismo. O regresso da marca Nismo à Europa é feito de forma silenciosa, como um ninja. Um ninja com a forma e a base mecânica do Nissan Ariya e-4orce Evolve.

Escondido sob a aparência discreta de um crossover de 50 158 € encontra-se um desportivo com assinatura Nismo. São detalhes como o para-choques dianteiro de maiores dimensões ou o aileron traseiro, essenciais para obter um coeficiente de elevação 40% inferior ao dos restantes modelos Ariya, que denunciam a versão mais musculada. Visto de traseira não há como ignorar o extrator indispensável para aumentar o efeito de solo.

A assinatura Nismo e a risca encarnada que percorre toda a secção inferior ajudam os mais distraídos a identificar o Nissan Ariya mais potente. As alterações à carroçaria acrescentam 5 cm ao comprimento do Nismo, que toca os 4,65 metros.

Numa época onde a eletrificação vulgarizou a potência, os 600 cv do Nissan GT-R Nismo há muito que deixaram de ser um valor estratosférico, foi com surpresa que percebemos que o Ariya Nismo tem “apenas” 435 cv. Apenas, porque o concorrente mais direto apontado pela própria Nissan, o Hyundai Ioniq 5 N tem 650 cv. Com um preço de 81 500 €, o modelo coreano é significativamente mais caro que o Ariya Nismo, cujos 57 750 € o colocam em confronto direto com os 57 490 € do Tesla Model 3 Performance, com 627 cv.

Equilíbrio complicado

Se Nismo é sinónimo de automóveis desportivos, também o deve ser de performance. É aqui que o temperamento equilibrado se pode virar contra o Ariya Nismo. Se o cliente tipo desta categoria de automóveis ainda pode encarar os 435 cv como um valor razoável para utilizar na via pública, dificilmente vai ignorar os cinco segundos do arranque até aos 100 km/h.

É muito quando comparado com os 3,1 segundos do Tesla ou os 3,4 segundos do Hyundai. Pode até nem ser capaz de distinguir as diferenças sem a ajuda de um cronómetro, mas é importante saber que conduz um desportivo capaz de acelerar até aos 100 km/h em menos de quatro segundos.

Tomando o Hyundai Ioniq 5 N como principal adversário, o Nissan Ariya Nismo não parte necessariamente em desvantagem. Para além de ser mais acessível, é mais fácil de utilizar no dia-a-dia. Dispensa o arsenal tecnológico do modelo coreano em nome de uma abordagem mais funcional. Aumenta a potência do sistema de tração integral e4orce dos 306 cv para os 435 cv e reprograma a distribuição dos 600 Nm de binário em favor do eixo traseiro. Não há possibilidade de utilizar apenas tração traseira, mas, dependendo das condições, a distribuição pode chegar aos 25/75.

Para ajudar a manter o controlo durante as transferências de massas, a suspensão utiliza amortecedores, molas e barras estabilizadoras específicas. O resultado deixa o Nismo 3% mais firme à frente e 10% atrás, por comparação com os Ariya normais. As jantes Enkei de 20 polegadas são novas e calçam pneus Michelin Pilot Sport EV 255/45. Curiosamente, o sistema de travagem não foi aumentado, embora a programação do ABS tenha sido adaptada à condução desportiva.

Modo Nismo

Do ponto de vista do condutor há um novo modo de condução Nismo. Tudo muito simples. Eventualmente demasiado simples. Não é preciso chegar ao patamar de complexidade do Hyundai Ioniq 5 N ou da telemetria do último Nissan GT-R a ser comercializado na Europa.

Bastavam umas patilhas no volante para dar um toque mais desportivo, mesmo que servissem apenas para ajustar a intensidade da travagem regenerativa. Como nos restantes Ariya, o Nismo conta apenas com um botão para ativar o e-pedal.

Por todo o habitáculo há costuras feitas com linha encarnada, a mesma cor da marca do ponto neutro do volante e da faixa que cruza o tablier. O contraste com o tom preto dominante é marcado sem ser deselegante.

Os bancos têm um desenho mais envolvente que os da restante gama Ariya e são forrados a Alcantara, o mesmo material que reveste a zona central do tablier. O resto é comum a todos os Nissan Ariya, com destaque para o acabamento em madeira da consola, com botões embutidos retro iluminados.

Embora superem o apoio lateral oferecido pela restante gama Ariya, os bancos do Nismo estão em sintonia com o espírito equilibrado do crossover. Abraçam o condutor sem muita convicção expondo uma vantagem do Ariya normal que se pode transformar numa fraqueza do Nismo. Falamos do espaço livre entre a consola e o tablier que, dependendo da posição de condução, pode deixar a perna direita desapoiada durante as curvas apertadas para a esquerda.

Mais estrada. Menos pista

Da imagem aos valores de potência e prestações fica claro que o Nissan Ariya Nismo segue um caminho diferente do Hyundai Ioniq 5 N. Troca o foco na pista por uma abordagem orientada para uma utilização quotidiana. Pisa com uma suavidade que não desaparece no modo Nismo. Este melhora a resposta dos motores e o tato dos travões, mantendo um balanço controlado de curva para curva. Na verdade, é preciso ser conduzido perto dos limites para se diferenciar da versão que lhe serve de base.

Mais do que competir em provas de arranque, o Nissan Ariya Nismo gosta de recuperar velocidade. Os 600 Nm facilitam ultrapassagens e saem dar curvas com força e, se o acelerador for tratado com brusquidão, um ligeiro patinar de rodas. É preciso provocar ou falhar por completo o ponto de inserção para quebrar a aderência dos Michelin. O Ariya Nismo resiste estoicamente à subviragem, reforçando a confiança do condutor e convidando a acelerar cada vez mais cedo. É preciso procurar os limites para perceber que o fator Nismo está lá.

Sem se aproximar do nível de interatividade do Hyundai Ioniq 5 N, o Nissan Ariya Nismo permite jogar com o balanço da carroçaria e o peso da bateria para sair das curvas com a direção virada para fora. Basta encontrar o ponto certo para levantar o pé do acelerador e deixar a física fazer o resto. A emoção é breve, porque a eletrónica, apesar de mais permissiva no modo Nismo, não se desliga, mas totalmente recompensadora.

Apesar das jantes Enkei terem um desenho que favorece o arrefecimento dos travões, os discos e maxilas deviam ter sido adaptados à performance da versão desportiva do Nissan Ariya. O tato melhora bastante no modo Nismo, sem reflexos na resistência à utilização intensiva.

VEREDICTO

Provavelmente não é defeito. É feitio de um desportivo pensado para ser conduzido no dia-a-dia. Potência e performance estão equilibradas com uma direção ligeira e suspensão confortável. A bateria de 87 kWh promete 420 km, que os consumos de 23,1 kWh/100 km reduzem para 377 km. O maior defeito do Ariya Nismo não é culpa da Nissan, mas sim das portagens portuguesas que o colocam na classe 2.

FICHA TÉCNICA

Nissan Ariya Nismo

PREÇO  57 750€ (60 157€ versão ensaiada)

MOTOR Elétrico (2)

POTÊNCIA 320 kW (435 CV)

BINÁRIO 600 NM

TRANSMISSÃO Integral, Auto, 1 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,65/1,85/1,66 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,78 M

PESO 2220 KG

MALA 415 - 1280 L

ACEL 0 - 100 KM 5,0 S

VEL. MAX 200 KM/H

CONSUMO WLTP 24,5 (23,1*) kWh/100 km

EMISSÕES 0 G/KM

CAPACIDADE BATERIA 87 kWh (úteis)

AUTONOMIA 420 KM (377 km*)

TEMPO DE CARGA 13H30M (7,4 KW) 40M - 10% A 80% (130 KW) 

IUC 0 €

* Medições Turbo

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