Mini Countryman JCW ou SE All4: Oito ou oitenta

Seja elétrico ou a gasolina, a terceira geração do Countryman tem soluções para tudo. Até para quem procura um Mini com 300 cv e espaço para pessoas e malas.

Seja elétrico ou a gasolina, a terceira geração do Countryman tem soluções para tudo. Até para quem procura um Mini com 300 cv e espaço para pessoas e malas.

No dia em que a terceira geração do Countryman associou o nome Mini a um crossover com 4,45 metros de comprimento, o paradigma automóvel nunca mais foi o mesmo. Ao ponto de ser possível alguém ficar indeciso entre adquirir a versão mais desportiva ou mais refinada do Mini Countryman. Uma escolha de adjetivos estudada, porque o Mini Countryman mais potente é este SE All4 (cinza-claro) e o mais eficiente seria, com a mesma bateria de 66,5 kWh e motor dianteiro de 204 cv, o Countryman E. Embora não exceda os 28 km, a diferença de autonomia entre os dois modelos elétricos pode representar mais uma deslocação pendular entre casa e trabalho.

Sabemos que atravessamos uma época de mudança quando a versão John Cooper Works não é a mais potente da respetiva gama Mini. Em 2024, 300 cv extraídos de um bloco de dois litros e quatro cilindros, com bielas novas, pistões revistos e admissão otimizada, não chegam para colocar o JCW no topo da hierarquia Countryman. Esta pertence ao SE All4, que partilha a plataforma UKL2 com as motorizações térmicas, instalando um motor de 190 cv em cada eixo para chegar aos 313 cv de potência combinada.

Na defesa do título de versão mais desportiva, o Countryman JCW parte com uma grande vantagem: o peso. A bateria acrescenta cerca de 300 kg ao SE All4. É como andar sempre com a lotação completa… por outro lado, o posicionamento da bateria entre os eixos ajuda a baixar o centro de gravidade. E o binário combinado dos dois motores elétricos chega instantaneamente aos 494 Nm, enquanto o motor térmico precisa de 2000 rpm para debitar 400 Nm.

Tira teimas

Considerando os tempos homologados, o arranque até aos 100 km/h devia ser indistinguível. Reconhecemos não ter a sensibilidade necessária para apurar os dois décimos de segundo que separam o JCW (5,4 s) do SE All4 (5,6 s). E no entanto… o elétrico parece nitidamente mais rápido. Tanto a acelerar como a recuperar velocidade. O equipamento de medições confirmou as suspeitas do nosso ouvido interno.

Com o modo Boost ativado, por meio de pressão prolongada da patilha esquerda do volante, a única no caso do SE All4, os dois Countryman assumiram a configuração mais agressiva para o arranque até aos 100 km/h. E o binário instantâneo do elétrico não deu qualquer hipótese ao motor a gasolina, que registou um tempo de 6,9 segundos, contra os 5,7 s do SE All4. Os 120 km/h passaram sem alterações nas posições, ainda que a vantagem do elétrico tenha caído para um segundo certo (SE All4 7,9 s; JCW 8,9 s). Uma diferença que se manteve na marca dos 400 metros, atingida pelo SE All4 em 14 s, menos um segundo que o JCW.

Quando a luta parece estar irremediavelmente perdida, o turbo começa a encher o pulmão permitindo ao JCW recuperar terreno. Os mil metros chegam com os dois Coutryman separados por meio segundo, a vantagem do elétrico a esbater-se com o aumentar da velocidade. Esta é a arma secreta do JCW.  Imbatível no arranque, o SE All4 perde vigor acima dos 100 km/h. Precisamente quando o JCW começa a brilhar, mantendo o ritmo muito para além dos 180 km/h a que o elétrico está limitado.

Recuperar terreno

Com o turbo cheio, o Countryman JCW mantém o SE All4 em sentido. O elétrico tem vantagem nas recuperações mais curtas, dos 40 aos 60, 80 e 90 km/h, mas esta é respetivamente de três (1 s), dois (2,4 s) e um décimo de segundo (3,3 s). A recuperação até aos 100 km/h é feita pelos dois Coutryman em 4,2 segundos. Confirmando a maior elasticidade a velocidades elevadas do bloco de dois litros a gasolina, o JCW reclama a vitória na recuperação de 40 a 120 km/h. O tempo de 6,2 s retira quatro décimos de segundo à marca do SE All4.

Sistemas de travagem adaptados às prestações e, no caso do SE All4, peso permitem aos dois Countryman travar desde os 100 km/h em 44 metros. A tendência do Countryman elétrico para perder qualidades com o aumento da velocidade volta a fazer-se notar no isolamento. A vantagem esmagadora do pára-arranca começa a esmorecer assim que se cruzam os limites urbanos. Em estrada a vantagem é de 4,5 decibéis, que caem para apenas dois em autoestrada. A sonoridade artificial dos modos de condução altera estes valores sem esconder as falhas de isolamento de ambos os crossovers.

Selecionar o modo de condução Go Kart melhora a resposta do acelerador, acrescenta peso à direção, alivia o controlo de tração e cria um ambiente sonoro a puxar para o desportivo. Promete. No entanto, como lembramos no início do texto, um crossover com 4,45 metros de comprimento de Mini só tem o nome. Mesmo na versão JCW, o Countryman pesa mais de 1700 kg.

A tradição…

Seguindo o (mau) exemplo de muitos crossovers com aspirações desportivas, o Countryman JCW aposta num amortecimento demasiado firme para a condução em cidade. Ainda se admite contar todas as pedras da calçada, tampas de coletor e juntas de dilatação quando o comportamento em estrada justifica esta firmeza de suspensão. Mas não é o que acontece com o JCW, cuja carroçaria é embalada pela aceleração lateral. A subviragem é inevitável, apesar dos esforços da tração integral para manter trajetórias limpas.

Mais suave em cidade, onde as jantes de 19 polegadas deixam mais espaço para pneu do que as de 20 polegadas do JCW, o Countryman SE All4 vale-se de um acerto de suspensão equilibrado para se afirmar como opção familiar. Mesmo com o piso ligeiramente mais elevado por causa da bateria, os passageiros do SE All4 vão apreciar o conforto superior ao do JCW. Em estrada, o centro de gravidade baixo ajuda a segurar a carroçaria sem necessidade de recorrer a amortecedores demasiado firmes. Eventualmente o Countryman SE All4 curva mais direito que o JCW. No entanto, o excesso de peso leva-o a alargar a trajetória mais cedo.

Seria de esperar que o modo sequencial da transmissão automática de sete velocidades fosse uma vantagem inegável do JCW nas zonas de curvas… infelizmente para quem tem a sigla John Cooper Works como sinónimo de comportamento desportivo, a terceira geração do Countryman está menos Mini, mais crossover. Uma evolução que não é necessariamente má. Apenas leva o Countryman para um caminho diferente. Um caminho onde a afinação desportiva da suspensão do JCW só é uma vantagem em situações onde os 250 km/h de velocidade máxima sejam um trufo utilizável face os 180 km/h da versão elétrica.

VEREDICTO

Por muito que custe aos defensores dos motores desportivos gasolina, o Mini Countryman SE All4 é superior ao JCW. É mais potente, mais rápido a acelerar e recuperar velocidade, oferece um nível de conforto superior e ainda é mais barato. Esta é, provavelmente, a primeira vez em que temos dificuldade em defender um JCW.

PREÇO

Mini Countryman JCW

Mini Countryman SE All4

60 653 € (71 051 € versão ensaiada)

57 510 € (69 139 € versão ensaiada)