Mini Countryman John Cooper Works All4: O poder da sugestão

De Mini, o novo Countryman só tem o nome. Está mais espaçoso, funcional e, noutras versões que não esta JCW, confortável. Aqui, o foco está nos 300 cv e na capacidade de os colocar no chão.

De Mini, o novo Countryman só tem o nome. Está mais espaçoso, funcional e, noutras versões que não esta JCW, confortável. Aqui, o foco está nos 300 cv e na capacidade de os colocar no chão.

Com a estreia da terceira geração, o Mini Countryman ascende a um novo patamar de conforto e funcionalidade. Do Mini original mantém o nome e diversos apontamentos estéticos. As formas gerais da frente, grelha, óticas e a relação entre estas e o tejadilho, lembram o Mini. Mas em grande, como todo o resto da carroçaria.

Ao esticar o comprimento até aos 4,45 metros, o novo Countryman aproxima-se do Audi Q3 (4,48 m) rivalizando com concorrentes como o Cupra Formentor (4,45 m) ou o Mercedes GLA (4,44 m). Os 2,69 m de distância entre eixos só encontram rival nos 2,73 m do Mercedes.

Apresentado como o maior Mini de sempre, o Countryman deve a nova volumetria à partilha da plataforma com a família BMW X1 e X2. As linhas retas predominam sobre as curvas, tanto no desenho do exterior como do interior.

Por fora estão presentes da grelha frontal aos puxadores das portas, passando pelas óticas hexagonais, com três padrões de luz diurna à escolha do condutor. As novas dimensões não impediram a Mini de apurar o coeficiente aerodinâmico, dos 0,31 da geração anterior até aos 0,26.

Acompanhando o redimensionamento do Countryman, a mala cresceu até aos 440 litros, valor em linha com os concorrentes, ultrapassado apenas pelos 530 l do Audi Q3. O plano de carga é baixo e bem alinhado com o piso, libertando um amplo espaço de arrumação sob este.

Em caso de necessidade, as costas dos bancos da segunda fila rebatem 40:20:40. O movimento é acionado por pequenas presilhas entre as almofadas. Pelo contrário, o portão traseiro e a bola de reboque têm movimento elétrico.

Como seria de esperar, o maior dos Mini é aquele que melhor recebe os ocupantes. As portas são amplas e os bancos bem alinhados com a moldura. Uma calha de 13 cm permite jogar com a relação entre o espaço para pernas e bagagens ou puxar o banco para a frente de forma a facilitar as operações com cadeiras de crianças.

Entrar para o Mini Countryman é como entrar para uma versão ampliada do Mini Cooper. Os bancos integrais têm o mesmo desenho desportivo e a secção dianteira é praticamente igual. A diferença é feita pelas saídas da climatização, verticais no Countryman e horizontais no Cooper.

Como no Cooper, o tablier é uma peça única forrada a tecido. Uma opção agradável ao toque e, adivinha-se, de difícil limpeza. O centro é dominado pelo primeiro ecrã redondo da indústria.

Circular

Com 24 cm de diâmetro, o ecrã OLED é a interface do Sistema Operativo 9. Os menus são intuitivos, o funcionamento rápido e inclui um assistente virtual com a representação gráfica de um cão… entre as ligações e aplicações da moda encontra-se uma câmara para selfies.

Dos oito Mini Experience Modes, apenas três se refletem no comportamento do Coutryman JCW. Os restantes cinco resumem-se a espetáculos de luz e cor destinados a “criar ambiente”. Go-Kart, Core e Green são os modos a utilizar, com o primeiro e o último a representarem os extremos da condução desportiva e económica.

Apesar de haver muito mais espaço do que em qualquer outro Mini, o Countryman JCW não é confortável. A culpa é da suspensão demasiado firme e do excesso de ruído, na maioria artificial, do motor. Em especial no modo Go-Kart.

Dependendo unicamente de um bloco sobrealimentado de dois litros e quatro cilindros, com 300 cv e 400 Nm entre as 2000 e as 4500 rpm, o Countryman JCW é um Mini à antiga, sem a ajuda de motores elétricos.

Sem o binário instantâneo das máquinas elétricas é preciso deixar o motor respirar, ganhar balanço, trabalhar o modo sequencial da caixa de dupla embraiagem e sete velocidades. A interação com a transmissão é feita por meio das patilhas do volante, com a esquerda a ativar o modo Boost. São dez segundos de disponibilidade total de motor e caixa para acelerar. Bom para ultrapassar e igualar os 5,4 segundos do arranque até aos 100 km/h.

Em estrada, o Countryman JCW tem tendência para alargar a trajetória. A frente descola com facilidade, levando a traseira por arrasto. O sistema de tração integral All4 garante um escorregar suave às quatro rodas, sem reações bruscas. Com o tempo vão se adivinhando os limites, mais por instinto e repetição do que informação da direção.

Como acontece com muitos SUV e crossover com aspirações desportivas, o Countryman JCW sofre de suspensão esquizofrénica. Os amortecedores são excessivamente firmes para cidade, comprometendo o conforto sobre pisos menos que perfeitos, sem conseguirem controlar a carroçaria em estrada.

A frente parece flutuar nas curvas rápidas, minando a confiança do condutor, dependente da informação visual para identificar os limites do Countryman JCW. Em reta e estrada tem resposta rápida.

Tal como a carroçaria luta para manter a compostura nas sequências de curvas mais fechadas, a caixa automática tem dificuldade em responder com prontidão a solicitações consecutivas. O modo sequencial segue o posicionamento da terceira geração do Countryman e está menos Mini. Não significa que seja mau. Apenas que já não é Mini.

VEREDITO

A terceira geração do Countryman parece ser tudo menos um Mini. Mas há quem goste e por isso adivinha-se a continuação do sucesso comercial das anteriores. Há mais espaço e conforto, que nesta versão John Cooper Works é minado pelo acerto desportivo da suspensão.

FICHA TÉCNICA

Mini Countryman John Cooper Works All4

PREÇO 59 900 € (71 051 € versão ensaiada)

MOTOR Gasolina; 4 cil. 1998 cc

POTÊNCIA 585 cv/5500-6500 rpm

BINÁRIO 300 Nm/5750-6500 rpm

TRANSMISSÃO Integral; Auto 7 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,45/1,84/1,65 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,69 M

BAGAGEIRA 440/1460 L

ACEL. 0-100 km/h 5,4 S

VEL. MÁX. 250 KM/H

CONSUMO WLTP 7,8 (9,3*) L/100

EMISSÕES 177 G/KM

IUC 258,73 €

*Medições Turbo

GOSTÁMOS

NÃO GOSTÁMOS

Prestações
Motor
Espaço

Conforto
Consumos
Dimensões