Ford E-Transit Custom Van Trend. TCO melhor que diesel

Com custo total de utilização inferior ao da versão congénere com motor de combustão, a E-Transit Custom já se assume como uma alternativa racional para operações de distribuição urbanas e suburbanas, especialmente numa altura em que se assiste a uma escalada no preço do gasóleo.

Com custo total de utilização inferior ao da versão congénere com motor de combustão, a E-Transit Custom já se assume como uma alternativa racional para operações de distribuição urbanas e suburbanas, especialmente numa altura em que se assiste a uma escalada no preço do gasóleo.

Pode ter partido com atraso relativamente aos concorrentes no domínio da eletrificação, mas a Ford Pro está a conseguir recuperar o terreno, tendo passado a disponibilizar uma gama completa, que vai desde o compacto E-Transit Courier até à E-Transit de duas toneladas.

O processo de eletrificação estendeu-se ao seu modelo mais importante na Europa, a Transit Custom, líder de vendas no segmento nos comerciais de dimensões médias, cuja oferta passou a incluir versões híbridas plug-in (PHEV) e elétricas a bateria (BEV), que se vieram juntar à diesel Ford EcoBlue, a qual, recorde-se, foi distinguida com o prémio de “International Van of the Year” de 2024.

Plataforma totalmente nova

A segunda geração da Transit Custom foi desenvolvida a partir de uma plataforma multienergias totalmente nova, projetada para o otimizar o transporte e o acesso à carga, bem como proporcionar um elevado conforto e comodidade ao condutor. O design suporta   vários grupos motopropulsores de elevada eficiência e opções de tração integral. As variantes elétricas combinam uma bateria com capacidade útil de 64 kWh e três opções de motorização, com 136 cv (100 kW), 218 cv (160 kW) e 285 cv (210 kW).

À semelhança de outras propostas atualmente disponíveis no mercado são poucas as diferenças estéticas que se podem encontrar entre as versões elétricas e de combustão da Transit Custom, com exceção dos apontamentos em azul na grelha frontal, a porta da tomada de carregamento no lado direito do pára-choques ou a designação E-Transit na porta traseira esquerda.

A unidade ensaiada corresponde à versão de chassis curto e teto baixo com peso bruto de 3200 kg (320 L1), o que significa que se carateriza por um comprimento exterior pouco superior a cinco metros, uma distância entre-eixos de 3,10 metros, uma largura de dois metros sem espelhos e uma altura de 1,96 metros, permitindo aceder à maioria dos parques subterrâneos.

Graças à combinação de um compartimento interno de 2,38 metros com uma largura de 1,78 metros (sendo de 1,39 metros entre as cavas das rodas) e um altura de 1,43 metros, o compartimento de carga oferece um volume útil de 5,8 m3. Para transportar a mercadoria em segurança existem seis olhais de amarração.

Com objetivo de maximizar o espaço de carga, reduzir o peso e complexidade, o motor elétrico foi montado diretamente no piso traseiro (não no eixo) e rodado a 90º.

Procurar as diferenças

Se exteriormente poucas diferenças existem entre a Transit Custom 2.0 EcoBlue com caixa de velocidades automática e a E-Transit Custom, o mesmo sucede no habitáculo. Mesmo o seletor dos programas de condução (P-R-N-D) é idêntico, ao que se junta o botão B que permite aumentar a intensidade de travagem regenerativa, a qual possibilita a condução com um só pedal para uma condução urbana mais confortável. Aquela função é ativada no ecrã tátil.

A E-Transit Custom vem equipada de série com três lugares no habitáculo, com assento individual para o condutor e duplo para o passageiro, mas a unidade ensaiada contava apenas com dois lugares, opcional disponível por 52 euros.

A qualidade dos materiais utilizados a bordo é de excelente nível, mesmo no nível de equipamento Trend, designadamente os revestimentos dos assentos, os plásticos do painel de bordo e os acabamentos da portas. 

À semelhança do que acontece na maioria dos furgões, a divisória metálica limita o ajuste do assento do passageiro. O condutor, por seu lado, tem à disposição várias possibilidades de regulação manual do banco, em profundidade, altura e inclinação.

Ford SYNC4

Atrás do volante encontra-se um quadro de instrumentos digital de 8”, que pode ser personalizável através do volante multifunções, apresentando a informação essencial necessária, podendo-se acrescentar as instruções da navegação, o computador de bordo, os indicadores de eficiência ou a informação da playlist de música.

Ao lado do painel digital existe um ecrã tátil de 13” para o sistema de informação e comunicação, que é usado para controlar a maioria das configurações do veículo e onde corre o software Ford SYNC 4. O sistema é compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

Os comandos do aquecimento e ventilação estão localizados no ecrã tátil, o que significa que não são amigáveis para o utilizador como botões a sério, mas são exibidos permanentemente numa barra na parte inferior do ecrã. O comando do som tem regulação física, assim como outros sistemas.

O equipamento de série compreende câmara traseira, ar condicionado automático, pacote de estacionamento, jantes de 16”. O sistema de navegação com câmara de 360º é opcional, assim como o volante em pele sintéticas, o fecho automático da portas em andamento, entre outros.

Condução só com acelerador

Em termos dinâmicos, a E-Transit Custom com motorização de 136 cv (100 kW) dá a sensação de ser mais potente do que é na realidade, graças ao binário de 415 Nm disponível logo no arranque, garantindo acelerações rápidas, mas esse ímpeto começa a diminuir à medida que a velocidade aumenta.

Para acelerar dos 0 aos 100 km/h são necessários 13 segundos e a velocidade máxima está limitada a 120 km/h. Em função das preferências do condutor ou da orografia estão disponíveis três modos de condução: Normal, Eco e Sport.

Para apoiar a condução, a E-Transit Custom conta com os sistemas de assistência obrigatórios por lei como o limitador de velocidade, regulador da velocidade de cruzeiro, assistente inteligente de velocidade, assistente de manutenção na faixa de rodagem, assistente de pré-colisão, reconhecimento de sinais de trânsito.

Durante o ensaio, o computador de bordo indicou uma média de 19,1 kWh/100 km, o que se traduz num custo de 3,88 euros por cada cem quilómetros num carregamento doméstico com tarifa simples (0,203€), segundo dados da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos) ou de 9,57€ num carregamento na rede pública (0,501€). Por comparação

, o Transit Custom 2.0 EcoBlue de 136 cv, ensaiada anteriormente, apresentou um consumo médio de 8,5 l/100 km, o que se traduz num custo de 14,14€ por cada cem quilómetros, para o custo do litro de gasóleo de 1,664€.

Para a eficiência energética contribui igualmente o sistema de travagem regenerativo e o modo e-Pedal, que permite conduzir quase exclusivamente com o acelerador.

Custos de utilização

A Ford anuncia uma autonomia de até 330 quilómetros para a E-Transit Custom, mas em condições reais de utilização, esta não deverá ultrapassar os 290 quilómetros. Para recuperar autonomia, este veículo está equipado com um carregador de bordo de 11 kW, que permite fazer uma carga completa em menos de sete horas.

A E-Transit Custom também aceita cargas rápidas em postos com potência de até 125 kW, permitindo carregar entre 20% a 80% da capacidade em cerca de 40 minutos. A Ford, entretanto, anunciou que irá aumentar a capacidade da bateria de todas as versões da E-Transit Custom para 71 kWh, o que se traduzirá num alcance de até 370 km. Por sua vez, a velocidade de carregamento também irá ser incrementada, permitindo baixar o tempo de carga em cerca de dez minutos num posto de 125 kW.

Relativamente aos principais concorrentes, a E-Transit Custom L1H1 também se apresenta como um proposta competitiva face, por exemplo, ao Farizon SV L1H1 49 kWH (48 585€), Maxus eDeliver 5 64 kWh (39 643€), Peugeot E-Expert Standard 75 kWh (51 106€), Toyota Proace Electric L1 Comfort 75 kWh (52 600€9, Volkswagen E-Transporter Cargo 83 kWh (57 269€).

VEREDICTO

Com o objetivo de tornar a versão elétrica da E-Transit Custom mais competitiva face à sua congénere diesel, a Ford decidiu aproximar os preços de venda de ambas as propostas, com a versão ensaiada a ser disponibilizada a partir de 37 819 euros contra 39 280 euros da Transit Custom L1H1 equipada com motor 2.0 EcoBlue de 136 cv, com caixa de velocidades automática de oito velocidades. 
Igualmente inferior é o custo total de utilização de 21,69€/100 km contra 34,09€/100 km, o que se deve não só aos menores custos energéticos, mas também da manutenção, que pode chegar aos 40%. Numa altura em que se assiste a uma escalada no preço do gasóleo, a versão elétrica da Transit Custom constitui uma escolha racional para vários tipos de operações, sendo também recomendável ter uma infraestrutura própria de carregamento não depender da rede pública. Com o aumento da capacidade útil da bateria para 71 kWh e consequentemente da autonomia para até 370 quilómetros, esta solução faz ainda mais sentido nos dias que correm.

FICHA TÉCNICA

Ford E-Transit Custom Van Trend 320 L1 BEV 136 cv

PREÇO  37 819€

MOTOR Elétrico (1)

POTÊNCIA 100 kW (136 CV)

BINÁRIO 415 NM

TRANSMISSÃO Traseira; Auto, 1 vel.

COMP./LARG./ALT. 5,05/2,04/1,96 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 3,10 M

PESO BRUTO 3225 KG

TARA 2195 KG

CARGA ÚTIL 1030 KG

ACEL 0 - 100 KM 13,0 S

VEL. MAX 120 KM/H

CONSUMO WLTP 20,0 (19,1*) kWh/100 km

EMISSÕES 0 G/KM

CAPACIDADE BATERIA 64 KWH

AUTONOMIA 330 KM (289 km*)

TEMPO DE CARGA (11 kW) 6H50 (125 KW) 39M - 20% A 80%

IUC 0 €

* Medições Turbo

GOSTÁMOS

NÃO GOSTÁMOS

Preço
Equipamento
Custo utilização

Comandos AC
Autonomia
Dois lugares