Flexis: Conheça as razões do divórcio entre Renault e Volvo

A Renault e o Volvo Group vão acabar com a parceria na Flexis, devendo o fabricante francês assumir o controlo total daquele fabricante de veículos comerciais elétricos. Na base do divórcio entre gauleses e suecos estão profundas divergências estratégicas acerca do ritmo da eletrificação.

Parceria anunciada pomposamente pelo então CEO da Renault, Luca de Meo, para desenvolver e produzir os “Tesla dos comerciais”, a Flexis - joint-venture Flexis constituída pela Renault, Volvo Group e CMA-CGM -, está a viver momentos atribulados por divergências estratégicas entre os dois principais acionistas, que terá como resultado inevitável a separação, ficando a marca do losango com o controlo total.

A Renault e o Volvo Group possuem uma participação combinada de 90% no capital da Flexis, detendo cada uma 45%, pertencendo os restantes 10% ao operador de transportes e logística CMA-CGM.

Criada em 2024, a Flexis apresentou a sua gama de furgões elétricos em abril do ano passado no Salão de Birmingham, tendo sido anunciado o início da comercialização já para este ano. A gama inicial era constituída por três modelos - Step-in Van, Cargo Van e Panel Van - que marcaram presença no Salão Solutrans, que decorreu em novembro na cidade de Lyon.

Estes modelos utilizam uma plataforma dedicada para veículos comerciais em forma de prancha, com arquitetura eletrónica desenvolvida pela divisão Ampere da Renault. Juntamente com os veículos, a Flexis criou uma plataforma de software para apoiar os operadores logísticos na eletrificação das frotas e na resposta aos crescentes desafios da logística urbana.

Tensões após nomeação de François Provost

Segundo o jornal francês Le Monde, as tensões começaram a surgir após a nomeação de François Provost para CEO da Renault. A divergência acionista está relacionada com o ritmo de eletrificação mais lento do que o antecipado, com os franceses a querem desacelerar, enquanto o Volvo Group e a CMA-CGM preferiram redobrar os esforços.

As fortes tensões entre Renault e Volvo acabaram em tribunal e levaram à intervenção de um mediador, tendo-se chegado a um acordo que implica a aquisição total do capital da Flexis pela Renault. O Volvo Group e a Renault investiram, cada, 300 milhões de euros no projeto, enquanto a CMA CGM entrou com 120 milhões.

No final do ano passado, a Flexis dizia que mantinha o seu programa de desenvolvimento, que incluía engenharia do veículo, primeiros protótipos, testes de estrada, parcerias e colaboração com clientes. A empresa adiantava que já tinham sido assinadas 40 cartas de intenção e que as primeiras unidades deveriam chegar ao mercado no final de 2026, além de que alguns serviços já estavam em funcionamento.

Liderada por Phillipe Divry, que veio do Volvo Group, a Flexis tinha contratado 150 colaboradores e pretendia entrar no mercado com marca própria com uma oferta integrada de serviços.