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Acredite se quiser! Elétricos serão mais baratos do que a combustão até 2027

Texto: Carlos Moura
Data: 11 de Março, 2024

Os veículos elétricos poderão ser mais baratos dos que os de combustão até 2027 porque os custos de produção têm vindo a baixar, graças à introdução de novas soluções para fabricos das baterias e à diminuição dos preços das baterias. Pelo menos essa é a visão da consultora Gartner.

Os veículos elétricos custarão menos a produzir dos que os de combustão interna até 2027 graças às novas técnicas de construção e à diminuição do preço das baterias, defende Pedro Pacheco, vice-presidente de pesquisa da consultora Gartner, em declarações ao Automotive News Europe.

Os preços das baterias estão a baixar, mas os custos de produção vão diminuir mais depressa devido a inovações como o “gigacasting”, a qual permite a fundição de grandes secções do carro numa única peça em dez de se usar dezenas de soldaduras e agentes de colagem.

A Tesla, que Pedro Pacheco e outros especialistas citam líderes de inovação na redução de custos de montagem, tem sido pioneira na “gigacasting”. “A Tesla e outras marcas têm procurado fabricar de uma forma radicalmente nova”.

A taxa de adoção de veículos elétricos tem diminuído em vários mercados importantes, incluindo Estados Unidos e Europa. Os especialistas acreditam que as novas soluções serão cruciais para o lançamento de elétricos mais baratos. 

“Gigacasting” reduz custos até 20%

Pedro Pacheco afirma que só com a “gigacasting” é possível reduzir o custo de produção de uma carroçaria em “pelo menos” 20%. Outras poupanças podem ser alcançadas com a utilização do pack de bateria como um elemento estrutural. 

O custo das baterias tem vindo a diminuir nos últimos anos, mas a descida nos custos da montagem é o “factor surpresa” que fará a paridade entre veículos elétricos e de combustão acontecer mais depressa do que esperado.  

“Estamos a atingir este ponto de mudança mais cedo do que esperávamos”, referiu Pedro Pacheco. As plataformas dedicadas para veículos elétricos deram aos fabricantes a liberdade de desenharem linhas de montagem que estão ajustadas às suas caraterísticas, incluindo uma linha motriz mais pequena e um piso plano com a bateria.

Pelo contrário, as plataformas “multienergias” impõem limitações porque também necessitam de acomodar o depósito de combustível ou o espaço para motor e transmissão”.

Vendas de elétricos vão continuar a crescer

Se e quando estas poupanças se vão traduzir em preços mais baixos dos veículos, isso dependerá do fabricante, segundo afirma Pedro Pacheco, embora admita que a paridade de preços entre viaturas elétricas e de combustão possa ser alcançada até 2027.

Os recém-chegados como a BYD e a Tesla podem reduzir os preços porque os seus custos já são suficientemente baixos para não penalizar em demasia as margens.

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A Gartner ainda prevê um forte crescimento nas vendas de veículos elétricos, referindo que metade de todos os automóveis vendidos em 20230 serão elétricos. Contudo, Pedro Pacheco considera que o mercado está a passar para uma fase de “sobrevivência dos mais fortes” em comparação da anterior “corrida ao ouro dos elétricos”.

O vice-presidente de pesquisa da consultora Gartner descreve o ano de 2024 como de transição no mercado europeu de elétricos, com as marcas chinesas como a BYD e a MG a implantarem as suas redes de vendas, enquanto os fabricantes estabelecidos como a Renault e a Stellantis irão lançar modelos com preços mais baixos.