Eis o novo Mercedes Classe C EQ

Desenvolvido sobre a arquitetura do Mercedes GLC, o novo Classe C elétrico tem condições de se tornar uma referência no segmento. Tem estreia nacional agendada para setembro, devendo os preços ser conhecidos em maio.

Seguindo uma abordagem conservadora à eletrificação, a Mercedes manteve os bestsellers fiéis aos motores de combustão. Classe C e GLC demoraram a converter-se às baterias, mas agora que o fizeram mostram que a espera compensa.

Partilham a mesma base mecânica, o que, a julgar pelo contacto que tivemos com o SUV elétrico, é um excelente ponto de partida para uma berlina como o Classe C. Para a Mercedes é bom que assim seja, pois é a primeira vez que o construtor de Estugarda se aventura em território do Tesla Model 3. O mesmo segmento onde a BMW acabou de apresentar o i3, a versão elétrica do Série 3.

Conhecemos o novo Mercedes Classe C EQ num estúdio fechado e guardado por um segurança que se encarregou de recolher os smartphones antes de a berlina ser destapada. A primeira impressão ao vivo é de uma silhueta mais baixa e larga que a das motorizações de combustão.

A frente apresenta uma grelha mais vertical, que pode ser ornamentada com uma estrela iluminada e 1050 pontos LED. O pesadelo de quem tiver de deixar o Classe C EQ estacionado na rua em paralelo… o tejadilho flui para uma traseira baixa, ao estilo coupé, que acaba por condicionar o acesso aos lugares traseiros.

Seria de esperar que a maior distância entre eixos (mais 97 mm que as motorizações de combustão) e as vias mais largar ampliassem significativamente a habitabilidade traseira. Supera a do Classe C com motor de combustão, mas fica aquém do oferecido por outras berlinas elétricas. O banco baixo não ajuda, forçando as pernas a fletir um pouco mais do que seria desejável em deslocações longas. Curiosamente, condutor e acompanhante beneficiam de mais 12 mm para as pernas.

MBUX Hiperscreen

É a nova coqueluche da Mercedes. O ecrã de alta-definição com 39 polegadas, idêntico ao do GLC, pode ser dividido em três ambientes distintos, cada um com regulação independente da luminosidade, ou apresentar um único papel de parede ou fotografia personalizável. Dependendo das opções do comprador, o interior pode ter um certificado vegano e/ou um sistema de som que acrescenta a tecnologia 4D à lista de funcionalidades dos bancos, onde já figuram o aquecimento, a ventilação e a massagem.

Desenvolvido sobre a plataforma do Mercedes CLA escalada para o segmento médio, o novo Classe C EQ pode utilizar baterias entre os 64 kWh e os 94 kWh. Com a bateria mais potente e o sistema de tração integral 4Matic, 489 cv de potência combinada entre os dois motores, o Classe C 400 promete 760 km de autonomia, baseados num consumo médio de 14,2 kWh/100 km. A arquitetura elétrica de 800 V permite carregamentos rápidos até 330 kW para adicionar 320 km por cada dez minutos de carga ou repor dos dez aos 80% da bateria em 22 minutos.

Para ajudar a baixar os consumos, o motor traseiro utiliza uma caixa de duas velocidades. A primeira relação (com um rácio de 11:1) favorece o binário para acelerações, arranques ou rebocar atrelados até 1,8 toneladas.

A segunda velocidade (5:1) permite manter a potência máxima a regimes elevados, sem a perda de vigor caraterística das motorizações elétricas com apenas uma velocidade. Ativa até aos 80 km/h, podendo chegar até aos 120 km/h dependendo das circunstâncias, a primeira relação garante a maioria das deslocações. É também a responsável pelos quatro segundos do arranque até aos 100 km/h. Já os 210 km/h de velocidade máxima são da responsabilidade da segunda velocidade.

Ver estrelas

Elegante e aerodinâmico, o novo Classe C EQ não descura a funcionalidade. A bagageira oferece 470 litros de capacidade, superando os 455 l da berlina com motor de combustão e esmagando os 315 l dos híbridos com bateria recarregável. À bagageira tradicional soma-se uma frunk com 101 l, nas palavras da Mercedes, ideal para transportar uma grade de… garrafas 33 cl.

Nascido na era digital, o Classe C EQ está carregado de tecnologia. A maioria é acessível por meio do MBUX Superscreen de série ou Hyperscreen opcional. Outra pode ser vista no teto panorâmico que equipa todas as versões do Classe C elétrico.

Quando equipado com Sky Control, o vidro pode passar de transparente a opaco em milissegundos. O teto panorâmico passa a estar dividido em nove segmentos, que podem ser ativados de forma independente. Durante a noite, o teto pode ser iluminado por 162 estrelas cuja cor pode ser personalizada desde o ecrã central.