Conduzimos o Mercedes GLC 400 4Matic…

…e ficámos rendidos à eficácia da versão elétrica do SUV mais vendido da Mercedes. Tem 489 cv, acelera até aos 100 km/h em 4,3 segundos e, conduzido a ritmos moderados, a bateria de 94 kWh promete até 666 km de autonomia.

Que o Mercedes GLC tinha uma versão elétrica a caminho não é novidade. Até já pode ser encomendada no configurador da marca da estrela a partir dos 78 000 €. Preço para o Mercedes GLC 400 4Matic, primogénito de uma família elétrica que em breve vai contar com quatro novos membros. Enquanto estes não chegam, o GLC 400 4Matic faz as honras da casa com um par de motores elétricos capaz de debitar 489 cv e, onde tal for possível, tocar os 210 km/h.

Para garantir uma aceleração progressiva ao longo de todo o regime útil dos motores, o GLC tem uma caixa de duas velocidades. A primeira, com um rácio de 11:1, é perfeita para rubricar os 4,3 segundos da prova de arranque e rebocar até 2,7 toneladas. A segunda, com rácio de 5:1, foi desenvolvida para entregar potência a velocidades elevadas, sendo perfeita para a evitar a caraterística perda de genica dos motores elétricos acima dos 120 km/h.

A segunda velocidade também ajuda a controlar os consumos, ainda que os 14,9 kWh/100 km homologados sejam difíceis de igualar. Admitindo que o primeiro contacto com o GLC 400 4Matic rapidamente resvalou para a condução desportiva, temos de reconhecer que as médias de 22 kWh/100 km nem podem ser consideradas muito elevadas. De qualquer forma, a Mercedes desenvolveu o GLC elétrico com tecnologia de 800 V capaz de carregar 305 km por cada dez minutos num carregador de 330 kW.

Bom para as curvas

Tudo isto já se sabia. O que faltava conhecer era a condução. E essa foi uma agradável surpresa. Entre a suspensão pneumática do Classe S, o eixo traseiro direcional e a tração integral, o GLC 400 4Matic tem os atributos necessários para ser muito mais do que um SUV citadino. A direção é muito rápida, sem grande feeling, mas com comunicação suficiente para perceber que o eixo dianteiro tem capacidade para resistir à subviragem superior ao que seria de esperar num SUV com as dimensões do GLC.

A suspensão pneumática ajuda a garantir o comportamento muito neutro da carroçaria. Os movimentos laterais são controlados, com o GLC a escorregar mais às quatro rodas do que a adornar. A aceleração também não afeta o equilíbrio, que só não resiste às travagens. Aí, a frente afunda e, em caso claro de exagero, ameaça alargar a trajetória. Ficámos com muita curiosidade de perceber como será a aplicação desta motorização ao futuro Classe C elétrico, que vimos, mas sobre o qual ainda não podemos falar…