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C.A.F.E. . Já ouviu falar no último pesadelo dos construtores automóveis?

Texto: Redação
Data: 15 Fevereiro, 2020

Corporate Average Fuel Economy. Também conhecido como C.A.F.E. . Eis, nos dias de correm, aquele que é, seguramente, um dos maiores receios dos construtores automóveis, espécie de fantasma que teima em assombrar o futuro próximo muitos fabricantes. Explicamos-lhe o que é e porque está a causar tanta preocupação no sector.

Emissões. Eis o principal problema com que, especialmente a partir de 2009, todos os construtores automóveis a operar no espaço europeu, passaram a ter de conviver… e resolver.

Como acusador-mor, surge a União Europeia (UE), a exigir uma redução progressiva das emissões, feitas por um sector automóvel considerado responsável por cerca de 12% do total de emissões de dióxido de carbono na UE. Motivo pelo qual foi criado, não sem alguma inspiração alheia – é preciso não esquecer que já existe um regulamento semelhante, nos EUA… -, o Regulamento de Emissões Corporate Average Fuel Economy, ou C.A.F.E. .

Comecemos por um pouco de história…

Na verdade, tudo começou em 2009, com a criação, pelos Estados-Membros e no âmbito da União Europeia, de objetivos, em termos emissões para os carros novos, que os construtores passariam a ter de atingir. Com a primeira meta, fixada para 2015, a estipular como limite máximo por construtor, os 130 g/km de CO2. Ou seja, consumos até 5,6 l/100 km nas versões a gasolina, e de 4,9 l/100 km, nos Diesel.

Imposição que, diga-se, os fabricantes alcançaram, dois anos antes do final do prazo, ou seja, em 2013.

As emissões, a par das imposições da União Europeia em termos de poluição automóvel, tornaram-se numa autêntica dor de cabeça para os construtores
As emissões, a par das imposições da União Europeia em termos de poluição automóvel, tornaram-se numa autêntica dor de cabeça para os construtores

Já em 2019, Parlamento Europeu e Comissão Europeia adotaram uma nova regulamentação, fixando novos valores de emissões para automóveis ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros. Limites que terão de entrar em vigor em 2021, com 2020 a funcionar como ano de adaptação com vista à instauração do novo limite – 95 g/km de CO2.

Dito de outra forma, uma média de consumo, nos Diesel, que não poderá ultrapassar os 3,6 l/100 km, ao passo que, na gasolina, deverá ficar pelos 4,1 l 7100 km. Difícil…

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No entanto, a estória não acaba aqui, já que, a partir de 2023, novos limites, ainda mais baixos, entram em vigor para todos os carros novos matriculados, a partir desse ano: 75g/km de CO2 será a média que nenhum construtor poderá ultrapassar, mantendo-se essa exigência no ano seguinte. Não existindo qualquer garantia de que, a partir de 2025, os limites não baixem ainda mais!

E de que forma isto afecta os construtores?

Simples: os fabricantes que não consigam cumprir os limites impostos, sofrerão multas… pesadas!

Falando apenas do ano que agora começa, 2020, o C.A.F.E. prevê que os construtores automóveis paguem uma multa de 95€ por cada grama emitida, acima das 95 gramas, no caso dos ligeiros de passageiros. Montante que terá depois de ser ainda multiplicando por todos os veículos matriculados pelo construtor. Em suma… um dinheirão!

Aliás, conclusões apresentadas pela Nissan com base em dados da empresa JATO, relativos a 2019, revelam que, a aplicação do C.A.F.E. àquela que foi a média de emissões de cada construtor, deixaria apenas dois construtores a salvo das penalizações: a BMW, com uma média de 89,3 gr/km de CO2, e a Nissan, com 91 gr/km de CO2.

Ameaçados com penalizações aplicadas à grama, os construtores correm sérios riscos de pagarem somas astronómicas pelo excesso de emissões que podem ter
Ameaçados com penalizações aplicadas à grama, os construtores correm sérios riscos de pagarem somas astronómicas pelo excesso de emissões que podem ter

A partir daqui, todos os fabricantes com uma média de emissões entre as 98 e as 106,3 g/km (Renault, Toyota, Hyundai, Mercedes e Peugot), ficariam obrigados a pagar uma multa de 1.000€ por carro matriculado, ao passo que os restantes, com emissões entre as 106,6 e as 116,3 gr/km, teriam de pagar 2.000€ por carro. Se considerarmos que todos eles matriculam, durante um ano, milhares de veículos…

Mas também há atenuantes…

No entanto, também existem atenuantes. A começar, desde logo, pela norma de emissões aplicada, e que, em 2020, continua a ser o “Novo Ciclo de Condução Europeu”, mais conhecido por NEDC. Bastante menos exigente que o sucessor “Procedimento Mundial Harmonizado de Testes para Veículos Ligeiros” (WLTP), que entrará em vigor em 2021, cujos valores de referência também cairão, todos os anos, um pouco mais – começa nos 111,6g/km em 2021, passando para 111,2g em 2022, para 110,7g em 2023, e, finalmente, para 95,2 em 2024.

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Igualmente entre os atenuantes, a percentagem de veículos matriculados contabilizados em cada ano, com a legislação a levar em linha de conta, em 2020, apenas 95% dos veículos menos poluentes na gama de cada construtor. Percentagem que, no entanto e a partir de 2021 em diante, aumenta para 100% dos automóveis ligeiros matriculados.

… E créditos

Finalmente, os construtores automóveis poderão ainda somar créditos, como forma de atenuar os excessos de emissões, desde  logo, aproveitando o facto de, cada veículo matriculado a emitir abaixo das 50 g CO2, contar por dois, em 2020. Sendo que, a partir daí, o seu peso na contabilidade total, reduz-se: 1.67 em 2021, 1.33 em 2022, e apenas um, a partir de 2023.

No novo panorama europeu, os veículos zero emissões vão desempenhar um papel fundamental, também em termos de custos relacionados com as emissões
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De salientar ainda que, mesmo nos três primeiros anos, cada um destes carros não poderá descontar mais que 7,5 gramas de CO2, naquele que será, à partida, o valor final do fabricante.

Igualmente como forma de atenuar os prejuízos, os fabricantes podem ainda recorrer à comercialização das chamadas tecnologias Off-Cycle, as quais ajudam a reduzir o CO2. Como é o caso, por exemplo, dos faróis Full-LED, do alternador de alta eficiência ou ainda da bomba de combustível…

Perante este quadro global, compreende agora o pesadelo em que vivem as marcas automóveis?

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