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Bugatti. Conheça a desconhecida história da ruína iminente à salvação

Texto: Carlos Moura
Data: 11 de Junho, 2024

O fundador da Bugatti quase levou a empresa à ruína ao fabricar o automóvel mais caro do mundo, mas depois encontrou a salvação ao desenvolver o comboio mais rápido do mundo e ao revolucionar a rede ferroviária francesa.

O fundador da Bugatti, Ettore Bugatti, teve de esperar 12 longos anos até concretizar o sonho de construir o maior e mais luxuoso carro do mundo, desde o projeto até à realidade, utilizando no processo todos os recursos de que dispunha. 

O resultado traduziu-se no Bugatti Type 41 Royale, que rapidamente recebeu o título de automóvel mais caro de sempre em todo o mundo. Além disso foi o único Bugatti a ter um ornamento no capot, um elefante a dançar.

Bugatti Type 41 Royale

O preço pedido na altura pelo Bugatti Type 41 Royale era superior a 40 mil euros, custando mais dez vez do que qualquer outro modelo da Bugatti e era duas vez mais caro do que um Rolls-Royce daquewla época. 

Por aquele valor o cliente tinha direito a um automóvel super-luxuoso com mais de cinco metros de comprimento, equipado o maior motor de produção com oito cilindros em linha e 12,8 litros, que desenvolvia 300 cv e era baseado no motor de aviação da Bugatti de 14,7 litros.

Que fazer aos 25 motores?

Infelizmente, a produção do Bugatti Type 41 Royale arrancou quando eclodiu a Grande Depressão e o primeiro Royale só foi vendido em 1932. A Bugatti produziu seis unidades, mas só quatro foram vendidas. 

O problema é que a Bugatti já tinha fabricado 25 motores e cada um conseguia fazer deslocar os 3500 quilos do Type 41 até aos 200 km/h, uma velocidade impressionante para a altura.

Com os recursos e desenvolvimento já absorvidos pelo projeto Bugatti Royale e como não havia sinais de recuperação económica na década de 1930, Ettore Bugatti procurou aproveitar o seu motor de 12,7 litros para um fim totalmente diferente: revolucionar a rede ferroviária francesa.

Recordista de velocidade

Com o objetivo de substituir as grandes locomotivas dos caminhos-de-ferro franceses, a Bugatti, em apenas nove meses colocou ao serviço uma versão modificada do enorme motor do Royale, nos comboios expresso que ele tinha desenhado para eficiência aerodinâmica.

Nos primeiros ensaios de homologação, o comboio de Bugatti estabeleceu um recorde para a altura ao atingir uma velocidade de 172 km/h, tornando-se no primeiro comboio moderno de “alta velocidade”.

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Com mais algumas afinações foi possível chegar aos 198 km/h, passando a ser o comboio mais rápido do seu tempo. O design de Bugatti colocou o maquinista numa cabina em posição central para uma melhor visibilidade. Por esse motivo, os comboios em França eram chamados “autorails”. Mesmo os interiores eram revolucionários, com assentos que podiam virar de forma a que os passageiros pudessem estar de frente uns para os outros.