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Soterrada por prejuízos. Borgward abre falência e fecha portas

Texto: Francisco Cruz
Data: 2 de Dezembro, 2022

Outrora o terceiro maior fabricante automóvel alemão, a Borgward acabou por desaparecer, naquelas que foram as suas origens, em 1961, para ressuscitar, já neste século, na posse dos chineses da Beiqi Foton Motor. Os quais, apesar do suporte financeiro do gigante BAIC, acabam de pedir agora, junto de um tribunal chinês, a falência do fabricante.

A notícia está a ser avançada pela Automotive News Europe, acrescentando que o pedido de falência da Borgward, apresentado pela Beiqi Foton Motor, uma subsidiária para o sector dos camiões do gigante automóvel chinês BAIC Group, foi já aceite por um tribunal de Pequim.

Entretanto, os atuais responsáveis da Borgward estão, igualmente, à espera de autorização do mesmo tribunal, para liquidarem todos os activos da marca que já foi alemã, revelou a Beiqi Foton Motor em comunicado.

O Borgward BX7 chegou a ser comercializado na Europa
O Borgward BX7 chegou a ser comercializado na Europa

A decisão agora conhecida marca o fim daquela que foi a segunda vida do fabricante automóvel que, após ter sido fundado por Carl F. W. Borgward na década de 20 do século passado, chegou a ser o terceiro maior na Alemanha. Mas que também acabou por fechar portas em 1961, na sequência uma polémica e controversa falência, imposta pelos credores, apesar de e como se veio a provar depois, a companhia possuir liquidez mais do que suficiente.

Entretanto e após um desaparecimento de várias décadas, a Borgward voltou à vida, mas na posse dos chineses da Foton, que em 2014 compraram a marca e os respectivos direitos, inicialmente, para voltar a comercializá-la, mas no florescente mercado automóvel  chinês.

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Entre 2015 e 2019, a Borgward deu a conhecer, apenas para o mercado chinês, quatro crossovers a gasolina, denominados BX3, BX5, BX6 e BX7, além de uma versão a bateria deste último. Veículos que eram produzidos na renovada fábrica da Foton, nos arredores de Pequim.

Entretanto, em 2018, a companhia chegou, mesmo, a lançar o BX7, um crossover de dimensões parecidas às do Audi Q5, em alguns mercados europeus. Anunciando, inclusivamente, a intenção de abrir uma fábrica em Bremen, na Alemanha, para aí produzir, a partir de 2019, cerca de 10.000 carros por ano.

O Borgward BX3 era, até aqui, o modelo de entrada na gama da marca "alemã"
O Borgward BX3 era, até aqui, o modelo de entrada na gama da marca “alemã”

Infelizmente, não só a fábrica europeia acabou por nunca ser construída, como as próprias vendas da Borgward na China acabaram conhecendo um acentuado declínio, caindo das 55.000 unidades vendidas em 2019, para qualquer coisa como 3.600 veículos, em 2021.

Juntamente com esta queda nas vendas, a marca começou a somar prejuízos, que entre 2016 e 2018 chegaram aos quatro mil milhões de yuan, mais de 540 milhões de euros, sendo que, só em 2021, os resultados negativos atingiram os 4,7 mil milhões de yuan, mais de 636 milhões de euros.