Volvo acredita no fim dos motores a combustão em 2035

Volvo acredita que a indústria automóvel será totalmente elétrica dentro de 10 anos. O CEO garante que “não há caminho de volta” e pede firmeza à União Europeia.

A Volvo mantém-se convicta de que o futuro da mobilidade é elétrico, mesmo numa altura em que enfrenta uma quebra significativa de veículos sem motor a combustão.

Em entrevista à Bloomberg, Håkan Samuelsson, o CEO da marca sueca, afirmou que a marca já vê uma data de validade para o motor de combustão: “A indústria será elétrica — não há caminho de volta. Pode demorar um pouco mais em algumas regiões, mas a direção está traçada. Dentro de (cerca de) 10 anos, todos os carros serão elétricos e terão um custo mais baixo”.

Vendas de elétricos em queda

São declarações ousadas, sobretudo tendo em conta que as vendas de elétricos da Volvo estão em queda, de acordo com a publicação Motor1.

Entre janeiro e agosto, a marca sueca vendeu 90.326 veículos elétricos, uma queda de 24% face a 2024. As vendas de híbridos plug-in também recuaram, mas apenas 1%, para 107.380 unidades. Já os modelos a gasolina e mild-hybrid desceram 7%, para 253.376 unidades.

No total, as vendas globais da Volvo caíram 10%, contabilizando 498.464 veículos.

Híbridos plug-in serão cruciais

Ainda assim, o executivo de 74 anos acredita que a marca poderá “dar a volta por cima” se a decisão certa for tomada, essa sendo a aposta em novos híbridos plug-in.

Na entrevista com a Bloomber, Samuelsson afirmou que a empresa precisa de lançar novos híbridos plug-in, descrevendo-os como “carros elétricos com um motor de apoio”.

Contudo, não ficou claro se se estava a referir a híbridos plug-in de longo alcance, como o XC70, ou a elétricos com extensor de autonomia, que utilizam um motor a gasolina como gerador.

Importante relembrar que a Geely, que detém a Volvo, já tem experiência nesta tecnologia através da Horse, a joint-venture estabelecida com a Renault.

Marcas chinesas serão líderes

O líder da Volvo acredita que a indústria caminha para uma grande reestruturação com a transição elétrica, e antecipa que “duas ou três marcas chinesas muito fortes” irão se tornar dominantes, enquanto muitos construtores tradicionais poderão não resistir.

Esta visão contrasta com a de marcas como a BMW, Mercedes, Audi e Porsche, que defendem uma abordagem mais gradual e até alertam para um possível colapso do setor automóvel europeu se o fim dos motores de combustão avançar em 2035.

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Enquanto isso, a Polestar, marca irmã da empresa sueca, tem criticado os rivais pelas suas promessas falhadas em relação à transição elétrica. Tanto esta como a Volvo têm pressionado a União Europeia para manter firme a meta de emissões zero para 2035, enquanto outras empresas concorrentes pedem uma legislação mais flexível.