Volkswagen Tiguan eHybrid. Poupadinho no combustível

Com a nova bateria de maior capacidade, o Tiguan eHybrid consegue percorrer mais de 100 quilómetros sem quase gastar uma gota de combustível, desde que a mesma esteja carregada, minimizando assim o impacto da subida do preço dos combustíveis.

Com a nova bateria de maior capacidade, o Tiguan eHybrid consegue percorrer mais de 100 quilómetros sem quase gastar uma gota de combustível, desde que a mesma esteja carregada, minimizando assim o impacto da subida do preço dos combustíveis.

Em equipa que ganha não se mexe, diz a sabedoria popular. A Volkswagen, porém, fez exatamente o oposto com a mais recente geração do seu modelo mais vendido em todo o mundo, o Tiguan, e mudou quase tudo. A terceira geração do SUV-C da marca alemã apresenta um design exterior moderno e agradável, tendo as dimensões exteriores registado um ligeiro crescimento de três centímetros para 4,54 metros.

A sua imagem segue a atual linguagem de design da marca alemã, destacando-se a secção frontal que inclui uns grupos óticos semelhantes aos que se podem encontrar noutros modelos como, por exemplo, o Passat. A zona do pára-choques é igualmente atrativa, com aberturas generosas, ainda que a maioria delas sejam apenas decorativas.

O perfil é caraterizado pelas formas musculadas. As jantes chamam igualmente atenção, podendo ser de 20” como no caso da unidade ensaiada.

Interior minimalista

A traseira é dominada por grupos óticos que ocupam toda a largura do veículo e apresentam um desenho fino e estilizado. A parte central integra o logotipo iluminado da marca. O pára-choques, por seu lado, é bastante volumoso e está rematado com uma moldura escura. 

O interior, por sua vez, foi profundamente revisto. Se, por um lado, o visual é minimalista, por outro, conta com a mais recente tecnologia embarcada para ajudar este popular modelo a oferecer um ambiente a bordo ainda mais agradável.

Atrás do volante encontra-se um painel de instrumentos digital de 12,9” que permite personalizar os dados apresentados em função das preferências do condutor. A lógica de funcionamento é igual a de muitos outros modelos da Volkswagen, recorrendo-se a botões no volante multifunções para fazer a configuração.

A transferência do selector dos programas de condução para um comando rotativo atrás do volante veio libertar algum espaço no habitáculo. Ao contrário de outros modelos como, por exemplo, o Passat, o Tiguan possui um comando giratório entre os bancos dianteiros, que é muito semelhante aos “Smart Dials” da Skoda, e oferece várias funcionalidades como a regulação do volume de som, os modos de condução ou os temas estéticos do sistema.

A consola central é dominada por um ecrã tátil de 14,9”, que oferece um acesso simples às diversas funções e o grafismo também é agradável. Menos positivo é a localização dos comandos do ar condicionado na parte inferior do ecrã tátil, obrigando a tirar os olhos da estrada quando se quer regular a climatização.

Equipamento generoso

Em termos de habitabilidade, o Tiguan carateriza-se pelo amplo espaço disponível para os ocupantes dos lugares dianteiros, que permite viajar com toda a comodidade. Para os passageiros dos bancos já não é tanto assim, já que, apesar de não ser acanhado, o espaço para as pernas é apenas suficiente, enquanto o assento central é apenas de recurso.

Por outro lado, a instalação da bagageira sob os bancos traseiros veio “roubar” algum espaço à bagageira, que, não obstante, ainda oferece um volume útil de 490 litros contra os 652 litros do congénere de combustão, que no entanto, pode ser ampliado até aos 1486 litros com o rebatimento dos assentos da fila de trás.

Todas as versões vêm equipadas de série com Pack Assist Pro com estacionamento remoto, sistema de informação e entretenimento com ecrã central tátil de 12,9”, ar condicionado automático de três zonas, keyless assist, câmara traseira, bagageira elétrica, vidros escurecidos.

A unidade ensaiada, que corresponde à versão R-Line, conta igualmente com bancos dianteiros desportivos, aquecidos e com função de massagem, luz ambiente com 30 cores, volante aquecido, forro de tejadilho em preto.

Mais de 100 km de autonomia elétrica

Uma das principais novidades da gama consistiu no aumento da autonomia elétrica das versões híbridas plug-in, ou eHybrid, - assim são designadas pela marca alemã -, graças à introdução de uma bateria com uma capacidade bruta de 25 kWh e útil de 19,7 kWh, que, no caso da unidade ensaiada - 1.5 TSI PHEV DSG (272 cv) R-Line - anuncia um alcance de 119 quilómetros e um consumo de 1,6 l/100 km.

Durante o ensaio, a autonomia em modo elétrico foi ligeiramente menor, de 106 quilómetros, e o consumo também com o computador de bordo a indicar uma média combinada de combustível nos primeiros cem quilómetros de 0,2 litros e de energia elétrica de 20,2 kWh.

Mesmo assim, estes valores são bastante “simpáticos” numa altura em que se verifica uma escalada no preço dos combustíveis. Isto significa que para um custo médio do litro de gasolina de 1,83 euros e do quilowatt/hora de 16 cêntimos na rede doméstica ou 32 cêntimos na pública, isto traduz-se num valor de de 3,60€ ou 6,83€, respetivamente.

Volvidos mais cem quilómetros sem carregar a bateria, o computador de bordo indicava uma média de 3,6 l/100 km e 10,3 kWh/100 km, o que representa um custo de 8,24€ ou 10,30€, respetivamente. Esgotada a carga na bateria, o utilizador pode esperar um consumo médio de 5,8 l/100 km, o que significa que o custo para 10,61€ por cada 100 quilómetros, isto é, quase o triplo do que em modo elétrico com carregamento doméstico.

O Tiguan eHybrid pode recuperar a capacidade total da bateria em cerca de 2h15m num posto normal com potência de 11 kW, mas também pode carregar num ponto rápido com potência de 50 kW, demorando cerca de 26 minutos dos 10% aos 80%.

Potência combinada de 272 cv

O Tiguan eHybrid vem equipado com uma linha motriz que combina um propulsor turbo a gasolina de quatro cilindros em linha com 1498 cc (1.5 TSi) que desenvolve uma potência máxima de 177 cv e um binário de 250 Nm e um motor elétrico com 116 cv de potência e 150 Nm de binário, sendo o sistema gerido por uma transmissão de dupla embraiagem de seis velocidades. A tração é assegurada pelas rodas dianteiras.

Em conjunto, os dois motores oferecem uma potência de 272 cv e um binário de 400 Nm, que estão sempre disponíveis enquanto existe carga na bateria. Esta última nunca esgota por completo, já que o sistema de travagem regenerativa permite fazer alguma recuperação de energia, que é usada nos arranques. Nalguns troços com pendentes mais acentuadas é possível mesmo ganhar alguns (poucos) quilómetros de autonomia.

Em termos de prestações, o Tiguan eHybrid consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h nuns aceitáveis 8,2 segundos para um veículo que pesa em vazio quase 1,9 toneladas e alcançar uma velocidade de ponta de 215 km/h.

VEREDICTO

O Volkswagen Tiguan 1.5 TSI eHybrid está disponível com preço de venda ao público a partir de 49 594 euros, mas as versões mais equipadas R-Line são propostas a partir de 54 549 euros para a motorização de 204 cv e 56 387 euros para a de 272 cv. A inclusão de opcionais como a pintura metalizada, os pacote Driver Assistance Plus e infotainment e faróis LED Matrix elevam o preço final da unidade ensaiada para 61 143 euros.
A introdução de uma bateria com maior capacidade veio reforçar os argumentos do Tiguan e-Hybrid, que que consegue percorrer mais de 100 quilómetros sem quase gastar gasolina, o que é um ponto a seu favor nestes tempos de escalada dos preços dos combustíveis. Evidentemente para tirar todo o partido dessa vantagem convém andar sempre com a bateria carregada como, de resto, em qualquer plug-in.

FICHA TÉCNICA

Volkswagen Tiguan 1.5 TSI eHybrid R-Line

PREÇO  57 281€ (61 143€ - unidade ensaiada)

MOTOR Gasolina, 4 cil. 1498 cc + Elétrico

POTÊNCIA 200 kW (272 CV)

BINÁRIO 400 NM

TRANSMISSÃO Dianteira; Auto, 6 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,54/1,96/1,65 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,68 M

PESO 1890 KG

MALA 490 - 1468 L

ACEL 0 - 100 KM 7,0 S

VEL. MAX 215 KM/H

CONSUMO WLTP 1,6 (0,2) L/100 KM + 13,5 (13,6 kWh/100 km*)

EMISSÕES 10 G/KM

CAPACIDADE BATERIA 19,7 KWH

AUTONOMIA 119 KM (106 KM*)

TEMPO DE CARGA 11 kW (2H15M) 50 kW (26M - 10% a 80%)

IUC 148,22 €

* Medições Turbo

GOSTÁMOS

NÃO GOSTÁMOS

Classe 1
Autonomia elétrica
Conforto a bordo

Motor ruidoso
Comandos AC
Regulação em altura do volante