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Apontando as razões. Toyota vai desenvolver novos motores de combustão

Texto: Francisco Cruz
Data: 5 de Fevereiro, 2024

Conhecida a pouca confiança do seu líder num futuro exclusivamente elétrico, a Toyota tomou já a decisão de avançar para o desenvolvimento de novos motores a combustão. A revelação foi feita pelo próprio Chairman da companhia, Akyo Toyoda, depois de, já no último Salão de Tóquio, ter deixado a certeza de que “todos [os fabricantes automóveis] continuaremos a fabricar motores”.

Falando num encontro com cerca de 200 gestores e executivos de empresas, o hoje em dia Charmain da Toyota Motor Corporation garantiu que a companhia que lidera pretende avançar com um “grande projecto de desenvolvimento de motores [a combustão]”, até porque, defendeu, os elétricos a bateria dificilmente excederão uma quota de mercado de 30 por cento, independentemente dos avanços tecnológicos.

A sustentar esta visão, os resultados da Toyota em 2023, ano em que o construtor japonês voltou a sagrar-se o maior fabricante mundial de automóveis e em que, dos 11.233.039 veículos entregues a clientes, apenas 104.018 unidades foram elétricos a bateria. Aliás, apenas 0,926% dos carros vendidos pela Toyota, Lexus e outras subsidiárias, foram veículos elétricos a bateria.

Ainda segundo Akyo Toyoda, os restantes 70 por cento de viaturas que continuarão a chegar ao mercado serão constituídos por veículo a gasolina, híbridos e veículos elétricos a célula de combustível, sendo que, no entender deste gestor, os automóveis movidos a hidrogénio também farão parte da solução. Já o Diesel, não foi mencionado.

Na sua intervenção, o Chairman da Toyota não deixou de recordar a questão particularmente delicada dos empregos que poderão desaparecer, com a transição para uma mobilidade exclusivamente elétrica. Com Toyoda a afirmar que, “se mudarmos repentinamente para os veículos elétricos a bateria, tenho a certeza que os 5,5 milhões de funcionários da indústria automóvel japonesa, que passaram a vida a trabalhar em motores de combustão, perguntarão: ‘Para que é que serviu tudo isto?’.”

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Aliás, “alguns dos nossos fornecedores, cujo contributo está relacionado com os motores de combustão, já nem conseguem que os bancos lhes emprestem dinheiro, devido ao que está a acontecer”, completou.

Para Akyo Toyoda e numa altura em que grande parte dos fabricantes fixaram já datas para se tornarem exclusivamente elétricos, deixando de produzir veículos a combustão ainda antes disso, até mesmo a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos, está longe de estar pronta para dar resposta à procura anunciada.

O gestor recordou que “mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem, ainda hoje, sem acesso à eletricidade”, pelo que e porque a Toyota também vende automóveis nessas latitudes, não faria qualquer sentido apostar única e exclusivamente nos veículos elétricos, defendeu.