Elegante, descontraído e muito confortável, o XC40 tem os argumentos certos para ser um caso sério de popularidade. Esta versão, com motor de dois litros e tração integral, é mais uma edição limitada, para conhecedores Como alguém que chega a um evento pouco depois da hora marcada, para que todos reparem na sua entrada, o… Read more »

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 3 Novembro, 2018

Elegante, descontraído e muito confortável, o XC40 tem os argumentos certos para ser um caso sério de popularidade. Esta versão, com motor de dois litros e tração integral, é mais uma edição limitada, para conhecedores

Como alguém que chega a um evento pouco depois da hora marcada, para que todos reparem na sua entrada, o Volvo XC40 chegou elegantemente atrasado à festa dos SUV compactos premium. Enquanto concorrentes como o Audi Q3, o BMW X1 ou o Mercedes GLA se reinventam para disfarçar a passagem dos anos, o SUV sueco tem a seu favor o fator novidade. Uma atenção que vai ter de repartir com concorrentes igualmente sérios como o BMW X2, que testamos no Ensaio Completo, ou o Jaguar E-Pace.

Adversários de elite, orientados para uma clientela exigente, habituada a padrões de qualidade acima da média e pouco tolerante com falhas. Nada a que a Volvo não esteja habituada. Como se pode confirmar pela popularidade das gamas XC60 e XC90. Aplicar esta fórmula de sucesso a um segmento inferior nem sempre é fácil, mas a Volvo voltou a superar-se. Em vez de adaptar uma plataforma existente, como a do XC60, o construtor sueco criou uma arquitetura nova, denominada Compact Modular Architecture (CMA).

Sem materiais exóticos, para manter os custos controlados, os 4,43 metros de XC40 desenvolveram-se em torno de uma estrutura em aço. O motor foi montado em posição transversal, permitindo esticar a distância entre eixos até aos 2,70 m, valor ultrapassado apenas pelos 2,76 m do BMW X1. Neste caso, os benefícios para a habitabilidade são diretos, com o Volvo a empatar com o Mercedes GLA e a perder apenas para o BMW X1.

Bons passeios

Com tração integral, 21 cm de altura ao solo e projeções curtas para melhorar os ângulos TT, o XC40 não se atrapalha fora do asfalto. No entanto, basta olhar para as linhas elegantes da carroçaria, mais suaves que as do XC60, para perceber que os principais obstáculos que este SUV vai enfrentar se encontram na cidade. Um ambiente onde o estilo contemporâneo do XC40 se enquadra na perfeição e as dimensões compactas garantem uma razoável agilidade.

A suspensão, com esquema McPherson à frente e multibraço atrás, quatro braços em vez dos cinco do XC60, disfarça como pode o empedrado. A direção ligeira não cansa e a visão de 360º, ainda que um pouco vertiginosa devido aos ângulos das câmaras, compensa a reduzia visibilidade traseira nas manobras em espaços apertados. Em movimento, os retrovisores bem posicionados nas portas fazem esquecer o volume exagerado do pilar C.

Ao contrário do que a linha de cintura ascendente possa sugerir, a visibilidade dos lugares traseiros não é muito limitada. Com dois lugares confortáveis e um banquinho ao meio, os bancos posteriores rebatem as costas na proporção 60:40, operação que pode ser feita a partir da mala. Esta tem a indispensável abertura elétrica, plano de carga acessível, linhas direitas e fundo plano. Os 460 litros disponíveis estão na base da concorrência. Só o Mercedes GLA, com 421 l, tem uma bagageira mais pequena. Não sendo particularmente grande, a mala do XC40 é funcional. O piso, que esconde um compartimento de dimensões generosas, pode ser dobrado ao meio e utilizado como divisória.

Plástico reciclado

Mais do que a esperada posição dominante sobre o trânsito ou as múltiplas regulações, é a sensação de espaço que mais impressiona quem se senta atrás do volante. Esta é potenciada pelo laranja das alcatifas feitas a partir de garrafas de plástico recicladas. No entanto, os lugares são chegados ao centro, com pouco espaço para a perna direita e excesso de liberdade para a esquerda.

Fiel à pureza do design sueco, o interior tem uma apresentação cuidada. Há materiais de qualidades distintas, mas sempre bem montados e intercalados de modo a evitar a convivência entre plásticos duros. Pelo menos na parte superior do tablier. Da linha de visão para baixo, o panorama torna-se mais pobre, rijo e menos agradável ao toque. Procurando bem, acabámos por encontrar algumas folgas excessivas. Concentram-se sobretudo no tablier e em torno da faixa prateada que o cruza, unido as aplicações do mesmo material de ambas as portas.

Com motor de dois litros, 190 cv e tração integral, o Volvo XC40 custa 53 495€. Este preço corresponde ao nível de equipamento Momemtum, bem recheado e por isso mais caro que a maioria. Só o BMW X2 xDrive190d de 190 cv (54 840€) e o Mercedes GLA 220 d 4Matic de 177 cv (54 549€) são mais caros. O panorama inverte-se com os 39 957€ do diesel de acesso, D3 de 150 cv e tração dianteira. BMW e Mercedes conseguem preços na casa dos 37 mil euros, mas com motores de 116 cv para o X1 sDrive16d e 109 cv para o GLA 180 d. Partindo do nível de equipamento R-design (57 160€) e somando uma extensa lista de opcionais, o XC40 das imagens custa 68 852€.

Sem stresse

Discreto e confortável cidade, o XC40 D4 revela-se inesperadamente ruidoso em aceleração. Sempre que se precisa de resposta por parte do bloco de quatro cilindros, o que só acontece acima das 2500 rpm, o motor impõe-se no habitáculo. Um excesso de ruido que desaparece por completo assim que a velocidade estabiliza. Cinco modos de condução permitem ajustar o XC40 às necessidades do condutor, mesmo que estas incluam breves aventuras fora do asfalto.

Muito orientado para o conforto, o XC40 tem o balanço típico dos SUV. A carroçaria adorna, mas sem excessos e com o mínimo de influência nas trajetórias. O equilíbrio das reações é ampliado pelo sistema de tração integral, com uma frente muito fácil de posicionar e uma traseira imune a movimentos inesperados.

Com oito relações muito próximas, o modo manual da transmissão automática até pode ser mais rápido a reduzir que as caixas de muitos desportivos. Mas este XC40 D4 não é um desportivo. Deve passar os dias entre a casa e o escritório. Por isso, mais vale poupar os 873€ que custam as patilhas do volante e deixar a caixa trabalhar em modo Auto, que é onde brilha.

Na verdade, todo o Volvo XC40 parece brilhar, tal é a facilidade com que chama a si as atenções. É o charme discreto do design sueco a funcionar. Linhas minimalistas servidas com doses idênticas de funcionalidade e qualidade. O resto, do pisar suave às prestações sem grande história, está em linha com a média do segmento. Resta esperar pela versão de tração dianteira e 150 cv, seguramente mais apetecível, tanto pelo preço, como pelos consumos, que neste motor D4 com tração integral se revelaram muito sensíveis à inclinação do terreno, com a média ponderada a não baixar dos 8,2 l/100 km.

Ensaio publicado na edição impressa Turbo 439