A família aristocrática do Bentley Bentayga tem um novo membro, o V8 a gasolina de 550 cv, uma versão que, mesmo sendo a mais barata da família, custa a módica quantia de 230 mil euros!

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 2 Maio, 2019

Depois do V8 Diesel de 435 cv e do W12 de 608 cv o Bentayga recebe o V8 4.0 biturbo a gasolina de 550 cv, como versão de entrada em termos de preço. Um preço que, mesmo assim, supera todos os seus concorrentes, desde o Range Rover até ao Mercedes GLS, inclusive o 63 AMG 4 Matic que tem mais 35 cv.

A razão de um posicionamento de preço tão alto não se deve tanto à superior qualidade ou à tecnologia usada, mas à imagem mais exclusiva da marca britânica, agora dominada pelos alemães da VW e da Audi a quem devem a originalidade de algumas soluções, nomeadamente a utilização deste motor V8 (o mesmo do Porsche Cayenne Turbo e do surpreendente Lamborghini Urus) que contempla a desativação de uma das bancadas do motor V8, como forma de aliviar o consumo.

Mesmo assim, é difícil descer muito dos 14 l/100 km, um valor exagerado para o comum dos mortais mas que pouca importância tem para quem, em vez de comprar um T1 na Expo, prefere exibir um Bentayga, mesmo que seja amarelo. O que nos valeu de comentários mais brejeiros foi a matrícula inglesa, pois os súbditos de sua majestade são mais dados a essas excentricidades.

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Para quem pode

Se para os clientes de um SUV tão exclusivo pouco importa que o consumo seja de 18 ou 14 litros, a marca tem outras responsabilidades ambientais, uma vez que uns litros a menos correspondem a uma diminuição dos gases de escape e respetivas emissões. Mesmo assim, as emissões de CO2 tendo em consideração uma média difícil de alcançar (11,4 l/100 km) chega aos 260 g/km.

Não é de estranhar que o cuidado em reduzir o consumo e as emissões não se resuma apenas à desativação dos cilindros, que em determinadas circunstâncias pouco ou nada se sente, para se estender a outros truques mais comuns como o mover-se por inércia quando nas relações de caixa mais altas aliviamos o pedal do acelerador. Na gíria chama-mos a isso andar “à vela”, um modo que ajuda também a reduzir a nossa pegada ecológica mas que não nos deixa ter o prazer de gozarmos o facto deste motor biturbo desenvolver 550 cv de uma forma expedita, graças a um binário de 770 Nm, constante entre as 1960 e as 4500 rpm!

 

Perante tamanha capacidade é fácil esquecer os consumos e emissões, para nos concentrarmos numa relação peso/potência de apenas 4,3 kg/cv e numa dinâmica em estrada que nos faz esquecer o peso de quase 2,5 toneladas e do tamanho exagerado de um dos maiores SUV do mercado.

 

 

Muito rápido

Bastam pouco mais de 4 segundos para, no modo sport e com a caixa automática de 8 velocidades na sua configuração mais reativa (que tanto pode funcionar no modo automático como manual bastando para isso usar as patilhas colocadas atrás do volante), chegar aos 100 km/h. Tudo isso acompanhado por um roncar acentuado do motor V8 e por uma abordagem à estrada muito segura, graças a uma direção muito direta, que interpreta bem as trajetórias (sabemos sempre a posição das rodas), a uma capacidade de tração exímia e a uma suspensão pneumática que filtra tudo tão bem que nos faz esquecer os mais de 5 metros de comprimento e 2 de largura do Bentayga.

 

A possibilidade de ajustarmos a dureza e a altura da suspensão permite-nos adaptar o Bentayga aos mais variados cenários, inclusive para uma abordagem mais radical, embora não acreditemos que quem dá 230 mil euros ou mais, conforme o equipamento escolhido, o submeta a essas aventuras. No caso de ser essa a escolha, há uma opção que ajusta diferentes parâmetros do veículo com base numa série de programas que analisam o perfil do piso de acordo com quatro modos específicos (neve/relva, gravilha, lama e areia). Mas se fugimos de uma utilização mais radical, para a qual desconhecemos o valor dos principais ângulos de todo o terreno (ataque, saída e ventral) mesmo assim aventuramo-nos em levar o Bentayga para estradões de terra, onde manteve um elevado nível de conforto, uma excelente aderência e padrões de tração surpreendentes.

 

Durante o nosso ensaio, face às boas prestações do motor V8 e da caixa automática de oito velocidades, preferimos uma utilização mais civilizada menos radical e desafiar a superior agilidade dada por um sistema elétrico (denominado Bentley Dynamic Ride) que modifica a rigidez das barras estabilizadoras, o que permite, entre outras coisas, reduzir significativamente a inclinação da carroçaria em curva (aumentando a rigidez) quando a transferência de peso é mais acentuada ou melhorar a comodidade em linha reta (diminuindo a rigidez).

 

Este sistema de barras estabilizadoras ativas usado por outros modelos do género confere ao Bentayga um comportamento dinâmico muito semelhante a um carro de caraterísticas desportivas.
Surpreendente é também o luxuoso interior, que na versão ensaiada tinha a configuração de quatro lugares, sendo os dois lugares traseiros individuais com 18 regulações elétricas e ainda massagens, aquecimento e arrefecimento, uma alternativa mais requintada que a configuração de cinco lugares ou sete lugares na versão mais familiar. O luxo começa pelos materiais utilizados e por uma qualidade de construção acima de qualquer suspeita.

Silêncio quase total

A insonorização é tão boa que o silêncio a bordo é quase total, mesmo quando andamos por estradões de terra ou enfrentamos os pisos mais irregulares. O equipamento de série não é muito vasto, mas os opcionais da versão ensaiada (num total de 82 mil euros) fizeram a delícia das nossas viagens. Viagens que só não foram tão longas devido à descida vertiginosa do ponteiro do combustível numa altura em que o preço da gasolina atingiu o seu valor mais alto de sempre. Como é apanágio da marca britânica, o cliente do Bentayga pode eleger entre uma grande variedade de peles, madeiras e molduras decorativas.

 

A mala não é muito grande para um SUV deste tamanho, pois só arrecada 430 litros nesta versão de quatro lugares ou 484 litros com cinco lugares. Se considerarmos que o Range Rover oferece 550 litros, o Volvo XC90 692 litros e o Audi Q7 870 litros, facilmente percebemos que este é um ponto fraco do primeiro SUV da marca britânica.

Outro ponto fraco é o conservadorismo de alguns elementos interiores, como o sistema de infoentretenimento, em especial a aparência e o enquadramento do painel digital central, em contraste com os tablets montados nas costas dos bancos da frente. Estes funcionam com o sistema operativo Android, têm conetividade 4G, Wifi e Bluetooth. Com os 82 mil euros de extras o preço da unidade ensaiada sobe para os 322 mil euros, o que corresponde a mais uma assoalhada na Expo.

Bentley Bentayga V8

PREÇO: 221 121 € (versão ensaiada: 322 707 €)

MOTOR gasolina; 8 cil. em V;  3996 c.c.;

POTÊNCIA 550 cv; 404 kw/6000 rpm;

BINÁRIO 770 Nm/1960-4500 rpm

REL. PESO. POTÊNCIA 4,3 kg/cv

TRANSMISSÃO Auto. de 8 vel.

PESO 2395 kg

COMP. LARG. ALT. 5,14/1,99/1,74 m

DIST. ENTRE EIXOS 2,99 m

MALA 484-1774 l

DESEMPENHO 4,5 S 0-100 KM/H ; 290 KM/H VEL. MÁX.;

CONSUMO 11,4 (13,7*) L/100 KM

EMISSÕES CO2 260 g/km (Classe F)

Altura ao solo 245 mm

Altura ao vau 500 mm

+ Conforto / Insonorização / Prestações

- Mala / Equipamento / Consumos

 

Artigo publicado na Revista Turbo 446, de novembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online