A Audi não só quer que o Q3 se torne o seu SUV mais vendido, passando o Q5, como, acima de tudo, quer vencer na tremenda luta pelo mais apetitoso segmento do mercado! E não só refez por completo o Q3, como o equipou com o melhor que tinha

Texto: Sérgio Veiga
Data: 30 Abril, 2019

A Audi quer ter uma forte palavra a dizer na divisão da mais suculenta fatia do mercado automóvel atual e, para isso, precisava de ter um produto de indiscutível qualidade sob todos os pontos de vista. A guerra entre os SUV compactos “sub 4,5 m” é tremenda, mais ainda quando nos limitamos às marcas “premium” e era nesta luta que a Audi estava mal colocada, com um Q3 que, embora tendo vendido 1,1 milhões de unidades desde 2011, tinha problemas com concorrentes mais novos ou renovados como BMW X1, Mercedes GLA, Range Rover Evoque ou Volvo XC40. Tinha… Porque, a partir do início de 2019, o Q3 vai contra-atacar e com uma força de argumentos que deverá deixar a concorrência em sentido.

A segunda geração do Q3 é um carro totalmente novo, não ficou peça sobre peça. As imagens dizem quase tudo acerca da enorme evolução do design, pelo que importa começar pelo significativo crescimento do novo Q3 e o que isso lhe trouxe. A anterior geração foi lançada pouco antes de o Grupo VW aparecer com as suas plataformas modulares, pelo que só esta pôde beneficiar das vantagens da plataforma MQB, nomeadamente para um importante aumento da distância entre eixos em 7,7 cm (2,68 m), a base de um interior muito mais espaçoso e funcional. O comprimento também cresceu bastante, mais 9,7 cm (4,485 m), a largura apenas 8 mm (1,849 m) e a altura reduziu-se em 5 mm (1,585 m).

 

Estas alterações resultaram num habitáculo desafogado, com bastante espaço para pernas nos lugares traseiros, onde viajámos “à larga” e ligeiramente mais altos que os lugares dianteiros, com boa visibilidade. A bagageira também aumentou para excelentes 530 litros, que podem chegar aos 675 litros porque o crescimento entre eixos permitiu a adoção de um banco traseiro que desliza na proporção 40:60, permitindo modular a relação espaço para pernas/volume da mala. Com as costas dos bancos rebatidas (40:20:40), o volume chega aos 1525 litros e, em opção, a tampa da mala pode ter abertura elétrica com sensor sob o para-choques para se ativar passando o pé.

 

Toda a profunda evolução que a Audi tem vindo a introduzir nos habitáculos dos seus mais recentes modelos está plasmada no do Q3, nomeadamente no painel de instrumentos digital – ecrã de 10,25’’ ou, em opção, o de 12,3’’ do Audi virtual cockpit –, no desaparecimento físico do sistema MMI, agora integrado no ecrã tátil central de 10,1’’ e, claro, em todos os mais recentes avanços a nível de conectividade: wi-fi hotspot, as habituais capacidades de “espelhar” os smartphones, a “app” myAudi que permite controlar algumas funções do carro à distância a partir do telemóvel, a utilização do Google Earth no sistema de navegação, etc. O interior sofreu inegável “upgrade” a nível de materiais e da qualidade dos bancos para nos fazer sentir “um SUV acima”. Porque o Q3 tem a ambição, com a ajuda do mercado chinês, de destronar o Q5 como o SUV mais vendido da Audi.

 

Para isso muito contribui a sua estética totalmente refeita e que rompe com um Q3 que parecia querer passar despercebido… Pelo contrário, este quer ser dono da estrada, com a grelha octogonal (assinatura dos Q’s) proeminente, capot alto com vincos bem visíveis e entradas de ar generosas a dar-lhe até um ar maior do que é. A lateral musculada pela solução das cavas das rodas salientes já experimentada no Q2 e a traseira inesperadamente curta, como se o carro estivesse a ser empurrado, dão-lhe um visual dinâmico e personalidade muito forte.

COMPETÊNCIA DINÂMICA

Ou seja, a Audi evoluiu imenso o “embrulho” do Q3, bem como o espaço e funcionalidade, faltava apenas analisar o seu desempenho. Por estradas alpinas do sul do Tirol – curiosa e lindíssima região de Itália, de paisagem austríaca e onde muito se fala… alemão! – pudemos experimentar as duas motorizações que farão o grosso das vendas em Portugal, no início do próximo ano, ambas com 150 cv e a acelerarem até aos 100 km/h em 9,2 s: o 1.5 TFSI (35 TFSI na nova e impenetrável designação da marca…) com caixa S tronic de 7 velocidades; e o 2.0 TDI (35 TDI) com caixa manual de 6 velocidades.

 

O gasolina deliciou-nos com a suavidade e silêncio de funcionamento, a força que apresenta em baixas rotações e, claro, a competência da sempre deliciosa caixa S tronic. O Diesel, mais ruidoso (é quase cruel saltar diretamente do TFSI para o TDI…), mostrou boas recuperações e obteve, sem surpresas, consumos mais baixos. Mas, na altura, será de fazer contas rigorosas pois, embora não haja preços definidos, é natural que o TFSI seja bem mais barato que o TDI.

 

Dinamicamente, o Q3 mostrou-se bastante competente, mesmo forçando o ritmo nas estradas alpinas, com uma frente sempre bem agarrada e um rolamento da carroçaria bastante limitado, embora contasse com a suspensão mais firme do “pack” S Line – há a suspensão base e ainda, em opção, a adaptativa com a seleção de diversos modos. O ligeiro aumento de vias, a maior distância entre eixos, um centro de gravidade um pouco mais baixo e a nova e mais precisa direção contribuem para uma estabilidade maior, bem como o facto de as rodas (agora entre 17 e 20’’) terem crescido, para maior contacto com o solo. Em resumo, o novo Audi Q3 preparou-se para a luta com os rivais… e vem “armado até aos dentes”!

Sven Lange – Diretor de projeto do Audi Q3

“Até aqui o Q5 tem sido o nosso SUV mais vendido, mas espero que esta geração do Q3 se torne no modelo de maior sucesso. Estaremos também dependentes da sua carreira no mercado chinês, mas penso que poderemos vender à volta de 300 mil unidades por ano. Ou seja, ultrapassaremos as vendas totais da primeira geração do Q3, de 1,1 milhões de unidades, em apenas quatro anos. É um carro com um interior totalmente novo que se quer tornar no líder digital da sua classe e com equipamentos que nenhum rival do segmento tem, como os faróis Matrix LED. Tem um ‘design’ de forte caráter e isso ajudará muito ao seu sucesso. Que, a nível pessoal, me dará um enorme prazer por se tratar do meu último projeto, após uma já longa carreira de várias décadas no Grupo VW.”

 

Artigo publicado na Revista Turbo 446, de novembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online

Esta metodologia não se aplica a este teste da Revista Turbo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial

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