Espaço para passageiros e bagagens, servido com conforto numa carroçaria compacta. Argumentos convincentes para o novo modelo de acesso à gama SUV da Skoda. Tem ainda a vantagem de pagar classe 1 Goste-se ou não do estilo quadradão, com muito vidro e linha de cintura plana, o Skoda Yeti rapidamente se transformou numa referência. Aliava… Read more »

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: José Bispo
Data: 3 Fevereiro, 2019

Espaço para passageiros e bagagens, servido com conforto numa carroçaria compacta. Argumentos convincentes para o novo modelo de acesso à gama SUV da Skoda. Tem ainda a vantagem de pagar classe 1

Goste-se ou não do estilo quadradão, com muito vidro e linha de cintura plana, o Skoda Yeti rapidamente se transformou numa referência. Aliava o espaço e a funcionalidade caraterísticos do construtor checo a um inédito estilo crossover. Um caso de popularidade, que aumenta a pressão sobre o modelo que o substitui, o novo Skoda Karoq. Nada que não se resolva com uma abordagem, se não cautelosa, consensual. Para trás ficam o estilo irreverente e a atitude vincada do Yeti, substituídos pela imagem de família estreada no Kodiaq.

Foi ao SUV maior da Skoda que o Karoq foi buscar inspiração para a grelha e para as formas convencionais da carroçaria. As semelhanças ficam-se pela imagem, com o Karoq a partilhar a plataforma MQB com o Seat Ateca e o VW Tiguan. A modularidade da arquitetura permite ao Karoq ser dez centímetros mais curto que o Tiguan, que também é mais pesado, e por isso menos ágil que o primo mais novo. Os 4,38 metros de comprimento fazem do Karoq um concorrente natural do Nissan Qashqai (4,39 metros) e uma alternativa ao Peugeot 3008 (4,44 m) ou mesmo ao Renault Kadjar (4,45 m).

 

Uma concorrência feroz, frente à qual o Skoda tem como principais trunfos o espaço e a modularidade do interior, ainda que grande parte de esta seja opcional. A solidez da base mecânica é outro ponto a favor num segmento que extrema a difícil convivência entre as noções de conforto e dinâmica. Incontornável, o preço também joga a favor do Skoda. A versão base do motor diesel 1.6 TDI de 116 cv que aqui ensaiamos custa 30 563€. Melhor, só os 28 891€ do Nissan Qashqai 1.5 dCi de 110 cv. O resto, mais 500, menos 500, alinha pelos 31 mil euros, com os 33 340€ do Peugeot 3008 1.5 BlueHDi de 130 cv a servirem de exceção.

Tradicionalmente associada a bagageiras de grande capacidade, a Skoda não desilude com o Karoq. Os 521 litros só encontram paralelo nos 520 l do Peugeot 3008 e do VW Tiguan, ambos mais compridos. O plano de carga é acessível e só não alinha com o piso plano, porque o nosso Karoq tem os bancos Varioflex. Herdado do Yeti, este sistema permite mover individualmente ou remover os lugares da segunda fila. O processo é simples, mas depois de soltos os bancos são pesados e precisam de ser arrumados em algum lugar. Como o lugar central não é brilhante, o melhor é removê-lo, chegar os laterais para o centro e criar duas confortáveis poltronas.

 

Esta configuração obriga a esticar um pouco mais a perna para chegar ao lugar, mas compensa. E o Karoq tem portas amplas e bem alinhadas com os bancos. A linha ligeiramente descendente do tejadilho não interfere com os movimentos, nem rouba espaço à cabeça. Cria uma silhueta elegante que, não sendo muito aerodinâmica, corta o vento com suavidade, não criando mais do que uma pequena turbulência na zona dos espelhos. Nada mais do que o reflexo do cuidado da Skoda com a construção do Karoq. Pode ser o mais barato dos concorrentes diretos, mas a qualidade de construção rivaliza com os melhores.

Moderno e luminoso, ainda que com menos vidro que o Yeti, o habitáculo do Karoq beneficia dos brinquedos associados à plataforma MQB. Nomeadamente o ecrã tátil ao centro do tablier e a possibilidade, lá mais para o final do ano, de poder trocar o painel de instrumentos analógico pelo ecrã digital. A apresentação cuidada cria uma sensação de qualidade superior à de alguns materiais que, tendo uma textura agradável ao toque, são duros.

 

Para além de luminoso, o interior oferece boa visibilidade para todos os lugares. O condutor beneficia ainda de bons espelhos retrovisores e da ajuda de uma câmara traseira. Na fila de trás, mesmo com um túnel central relativamente elevado, há espaço para as pernas de todos os ocupantes. Olhando para as rodas, percebe-se que estas têm bastante movimento vertical, que se traduz em conforto. Este só não é maior na fila posterior, porque a suspensão das versões de tração dianteira utiliza um eixo traseiro de torção. Não é tão eficaz como o multibraço da versões 4X4, mas permite arrumar um pneu sobresselente sob o piso da mala.

 

A utilização da plataforma MQB garante ao Karoq, não só as cinco estrelas nos testes de colisão EuroNCAP, bem como o acesso aos principais sistemas de segurança e apoio à condução do Grupo VW. Assistente de travagem de emergência, detetor de veículos no ângulo morto e cruise control com limitador de velocidade fazem parte do equipamento de série, reforçado nesta unidade o detetor de fadiga do condutor, o cruise control adaptativo e o assistente de manutenção na faixa de rodagem.

Bestseller do Grupo VW, o motor 1.6 TDI de 116 cv ultrapassou a crise das emissões praticamente sem sequelas. Tradicionalmente associado a caixas de escalonamento longo, nunca foi conhecido pelas prestações. Cenário que não se altera com esta DSG de sete velocidades. É agradável de usar, mas processa toda a informação com muita calma. O que significa que os 1500 kg de Karoq se movem sem pressas. Influenciado por este clima de tranquilidade, o motor só acorda acima das 2500 rpm. Faz-se ouvir a frio ou quando se puxa por ele, mas de resto dilui-se nos ruídos de rolamento.

 

Junte-se o trabalhar discreto a uma suspensão afinada para o conforto e jantes de 18’’, pequenas para os padrões atuais, e temos um excelente companheiro de viagem. Confortável e muito previsível, o Skoda Karoq é bom exemplo da nova geração de SUV compactos que se conduzem como berlinas do segmento C.

Com 1,60 metros de altura e 172 mm de altura ao solo, há movimento da carroçaria em curva. É natural e perfeitamente controlado. A inclinação progressiva, proporcional ao ângulo da curva multiplicado pela velocidade, corrige a falta de comunicação da direção. Ao antecipar o limite de aderência dos pneus, evita-se que a frente alargue demasiado a trajetória. Conduzido ao ritmo moderado de um SUV compacto, o Karoq distingue-se pela segurança do eixo dianteiro. Segura a linha com estabilidade e sem perdas de motricidade pela roda interior.

 

O clima de tranquilidade do Karoq é extensível às prestações. Com cada cavalo a carregar mais de 12 kg, estas não impressionam. Nem a caixa automática safa as recuperações. A DSG demora a reagir ao kickdown, respondendo sempre de forma mastigada. Falando em dentadas, os travões não são particularmente eficientes. No entanto, dentro dos 45 metros que precisam para imobilizar o Karoq desde os 100 km/h, são muito fiáveis e resistentes à fadiga.

 

Todas estas impressões são apreendidas a partir de um banco com múltiplas regulações e bem alinhado com uma coluna de direção ajustável em altura e alcance. A boa visibilidade completa as qualidades de uma posição de condução em linha com o melhor do segmento.

Qualidade VW servida por um preço competitivo. Ainda que a verdade desta afirmação seja cada vez mais ténue, muito por causa dos custos associados ao salto qualitativo dos produtos do construtor checo, a Skoda continua a ter uma das melhores relações qualidade/preço do segmento. Uma confiança que se reflete nos valores de retoma que lhe estão associados.

 

Antes de pensar em trocar o Karoq, é bom saber que os custos de utilização que lhe estão associados são razoáveis. Era simpático que oferecesse garantias para além do mínimo exigido por lei, mas não se pode ter tudo. Tem a vantagem de não gastar muito. São os 7 l/100 km em circuito urbano que empurram a média ponderada para os 6,2 l/100 km. Quase dois litros acima do declarado, mas nada de extraordinário.

Teste publicado na Turbo 440