Mercedes GLE 350d V6 258cv

Texto: Júlio Santos / Fotografia: José Bispo
Data: 9 Dezembro, 2017

A Mercedes rebatizou o ML, remodelando a estética e apurando detalhes que potenciam a dinâmica. O GLE coloca-se a par dos melhores.

A Mercedes alterou a designação dos seus SUV’s aproveitando (e bem) a sigla G que simboliza a máxima eficácia no que toca a veículos para utilização fora de estrada. Temos, assim, o GLA (para a Classe A), o GLC (em vez de GLK, para a Classe C) e GLE (no lugar do ML, para o Classe E).

No que ao GLE diz respeito a marca renovou o ML e dotou a gama de um concorrente do BMW X6, o GLE Coupé. As atenções têm recaído sobre este contra-ataque à arquirrival de Munique, mas também a versão “normal” recebeu alterações, nomeadamente ao nível do desenho dianteiro (capot, grelha, óticas e “spoiler”).

O resultado é uma aparência muito mais apelativa, mas importa destacar que a unidade que ensaiamos não só beneficiava do “Pack” AMG, com volumosas entradas de ar no spoiler frontal com função unicamente estética, como acrescentava os estribos exteriores (facilitam em muito o acesso) e imponentes jantes de 21 polegadas.

Mais importantes são as mudanças no interior onde surge um tablier novo, onde se destaca a já habitual qualidade, bem como a disposição inteligente de todos
os elementos. Sublinhamos este aspeto porque não é fácil num carro recheado de dispositivos conseguir que tudo esteja bem ao nosso alcance.

Para, enfim, disfrutarmos em pleno do conforto de marcha do GLE cuja suspensão Airmatic (pneumática) associada ao controlo do chassis faz-nos acreditar que a estrada é uma espécie de nuvem infinita. Em toda a gama dispomos de série do sistema Dynamic Select que nos permite ajustar a suspensão, a resposta do motor e passagem de caixa, de entre cinco programas: Confort, Sport, Slippery, Individual e Offroad, no caso das versões 4Matic.

Enquanto o primeiro privilegia o conforto, refletido na suspensão mais “macia” e em passagens de caixa mais suaves, já o segundo adota uma configuração mais entusiasmante, com o motor a reagir de forma mais “viva”, a suspensão a tornar-se mais firme e as passagens de caixa a processarem-se mais próximo do regime de corte do motor.

Ainda bem que o Dynamic Select é de série pois vem facilitar-nos a vida no que refere à utilização deste GLE. Nesta versão 350d o V6 de 3.0 litros com 258 CV (já conhecido do ML) não sobressai tanto pela generosidade da potência mas o binário de 620 Nm logo às 1600 rpm é um precioso aliado. Para disfarçar os 2175 kg e, também, as dimensões.

Assim, se em viagens longas o GLE é uma espécie de balsamo mesmo para os sentidos mais exigentes, já em trajetos mais sinuosos temos que moderar o andamento pois a capacidade de inserção em curva requer alguma prudência. No modo Sport, que torna a suspensão mais firme e reduz em 15 mm a altura ao solo, esta dificuldade é atenuada, mas aí o conforto é também sacrificado.

Mas, afinal, há que ter em conta que o GLE não é um GTi. O que significa que, se o utilizarmos para aquilo que foi “criado” até mesmo os consumos (abaixo dos dez litros aos 100 km) podem ser considerados uma boa surpresa.

VEREDITO

O GLE toma como ponto de partida o ML mas ganha uma aparência mais moderna. O destaque principal surge, porém, no interior, com equipamentos “inteligentes” que potenciam a eficácia. No caso desta versão 350d, continuamos a enaltecer as capacidades do V6 de 258 CV e “força” que impressiona. Não é um “super-rápido” mas em viagem é realmente capaz de nos impressionar.


Ensaio publicado na Revista Turbo 410, de novembro de 2015