MERCEDES C 350E vs LEXUS IS 300H SPORT EDITION

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 30 Julho, 2017

Ao contrário da Mercedes, a Lexus não acredita que ligar um carro à tomada para ter apenas uma autonomia de 31 quilómetros dê muito jeito e por isso mantêm-se fiel à fórmula hibrida que tem aperfeiçoado.

O aumento das emissões é hoje em dia umas das grandes preocupações dos governos que, através de uma legislação cada vez mais restritiva, têm levado a indústria automóvel a repensar toda a sua tecnologia. A última década tem sido palco de grandes transformações, fazendo antever em pouco tempo um automóvel muito diferente. Dessa mutação faz parte um conjunto de soluções como a eletrificação. Esta tem evoluído à custa da hibridização e, nesse contexto, a Lexus tem sido pioneira ao propor essa tecnologia em todos os seus modelos. A Mercedes é mais inexperiente, mas conta já no seu portfólio com várias propostas, nomeadamente este novo Mercedes C 350e, um hibrido com função plug-in e uma autonomia de 31 quilómetros. No IS 300h a autonomia elétrica é residual, resumindo-se apenas aos arranques e ao modo EV, que permite andar cerca de 2 a 3 quilómetros no modo elétrico. Essa opção deve-se ao facto da marca de luxo da Toyota não acreditar na relação custo/benefício de usarmos uma bateria com pouca capacidade de armazenamento, para andarmos tão poucos quilómetros.

Durante o nosso ensaio o máximo que conseguimos percorrer foram 27 quilómetros até esgotar os 6,2 KWh de carga útil da bateria, uma meta que contribuiu nos primeiros 100 quilómepara um consumo que rondou os 4 l/100 Km, mais 1,9 litros do que a marca anuncia. A partir daí e sem pinga de energia útil na bateria, o consumo sobe para médias da ordem dos 6 litros, podendo ser mais, se entre os vários modos de gestão do sistema híbrido quisermos que o motor de 2 litros a gasolina (o mesmo do C 250) de injeção direta e com 211 CV faça de gerador de energia.

Essa função permite carregar de novo a bateria, podendo ou não usar novamente essa energia selecionando o modo elétrico, que se desliga automaticamente quando ultrapassamos os 130 Km/h. No nosso caso, preferimos guardar essa capacidade para andarmos na cidade, onde o consumo é sempre muito mais baixo, graças à regeneração de energia resultante do aumento do número de travagens e desacelerações. Ao gerar energia para carregar a bateria o motor de combustão consome mais, pelo que o custo do KWh obtido por essa via é substancialmente mais caro do que se carregarmos o carro numa tomada de 16 Amperes. Essa é a razão porque a BMW, nos novos 225Xe e no 330e, não usa essa função, ao contrário do sistema e-tron da Audi, que tem maior autonomia.

Embora a Mercedes aposte nessa solução hibrida plug-in, quanto mais não seja para acompanhar as suas rivais (Audi e BMW) também aposta na solução hibrida convencional, no C 300h que custa menos 2750 euros que esta nova proposta mais eletrificada. Em relação ao Lexus a diferença é já mais significativa, mesmo quando escolhemos a versão Sport Edition que, em relação ao C 350e, custa menos 8280 mil euros.

223 CV JAPONESES

No modelo japonês, o rendimento do módulo híbrido resultante da interação do motor 2,5 litros de 181 CV com um motor elétrico de 143 CV. Consegue alcançar uma potência combinada de 223 CV. No caso do Mercedes, esse valor sobe até aos 279 CV, um resultado que está na base das melhores prestações do carro alemão, quer quando aceleramos, quer quando recuperamos. As recuperações beneficiam do excelente desempenho da caixa automática de 7 velocidades (7G Tronic Plus) em toda esta combinação, ao contrário da caixa de variação contínua da Lexus, que continua a merecer algumas críticas no seu modo de funcionamento, inclusive quando escolhemos uma programação mais desportiva (Sport S+) que, entre outras coisas, modifica a dureza da suspensão.

Em resposta aos mais críticos, a Lexus está a preparar um outro tipo de transmissão que combina as vantagens do modo contínuo com o modo automático convencional, recentemente apresentada no Salão Automóvel de Genebra. Seja como for, a solução do IS 300h é eficaz do ponto de vista do funcionamento do motor que, entre outras caraterísticas, utiliza o ciclo Atkinson. Mesmo assim e considerando o tamanho do motor (leia-se cilindrada) os consumos distanciam-se pouco do Mercedes, tirando os primeiros 100 quilómetros, onde o Mercedes aproveita a maior autonomia elétrica.

Apesar de podermos escolher um modo de funcionamento mais desportivo e do aspeto do Lexus apelar a esse espírito, com destaque para algumas prestações, a verdade é que não é essa a postura destes modelos, que pretendem proteger melhor o ambiente através de consumos e emissões mais baixos.

 

FAMÍLIAS ECOLÓGICAS

Ambos se destinam, fundamentalmente, a pais de família que, tendo uma capacidade financeira superior à média, possuam uma consciência ambiental mais apurada e a paciência para praticar uma condução diferente. Ao contrário dos elétricos, estes híbridos têm uma autonomia normal que, só não é maior no Mercedes porque o espaço ocupado pelas baterias reduziu a capacidade do depósito de gasolina para apenas 50 litros (menos 16 litros que o depósito do Lexus).

Como se não bastasse, para além de limitar o tamanho do depósito, a pequena bateria do Mercedes rouba espaço à mala, que consegue ser mais pequena (335 litros) que a de alguns utilitários. Ao contrário, o Lexus não tem esse problema e a mala, com 450 litros de capacidade, dá para arrumar a tralha toda da família, ainda que os elementos mais novos (contando que não viajemos com os sogros) não tenham muito espaço atrás devido à fraca habitabilidade do Lexus. No Mercedes C 300e a bateria, além de reduzir o volume da mala, condiciona a sua forma ao criar dentro dela dois níveis.

A vantagem da bateria do Mercedes ser pequena é demorar pouco tempo a carregar. Basta uma hora e meia a duas horas para a encher por completo de energia, isto se não quisermos fazê-lo em andamento usando o motor como gerador. A tomada para ligarmos o cabo (que neste caso é de série) é que está mal localizada, obrigando-nos a algumas manobras, especialmente se escolhermos os postos do Mobi-e. A não ser que arrumemos o carro de marcha atrás, o que nem sempre é possível.

PROPOSTAS NÃO FALTAM

Tirando estes pequenos constrangimentos, estas duas propostas representam o que de melhor se faz em qualquer das áreas representadas. Os dois modelos têm outras virtudes, desde logo a imagem de ambas as marcas e um comportamento pautado por uma grande suavidade de funcionamento. Uma suavidade que se traduz num enorme conforto, não só pelo funcionamento dos módulos híbridos onde o motor elétrico está sempre pronto para ajudar o motor de combustão, como pela qualidade e pela maneira como as suspensões geram o bem-estar a bordo, com destaque para o Mercedes.

A diferença de preço é, no entanto, um dado relevante. Mesmo considerando a versão híbrida sem a função plug-in, o Mercedes é sempre uma solução mais cara, embora isso se deva ao facto do motor usado pelo C 300h ser um diesel. Este tem a vantagem dos consumos e os custos de utilização serem mais baixos. Vai ser com certeza interessante ver os desenvolvimentos destas novas propostas e, ao mesmo tempo, observar como é que os concorrentes reagem. Ao que parece, a Lexus não deverá aderir à moda dos “plug in”, preferindo apostar noutras áreas, como o desenvolvimento termodinâmico dos seus motores a gasolina, na redução do peso ou em aperfeiçoar a transmissão. Exemplo disso, são as novidades mais recentes, com especial destaque para o LC 500h, uma verdadeira montra tecnológica. Mas cuidado porque o pioneirismo da Lexus é hoje facilmente rebatido por outras marcas como a Mercedes. Avizinham-se tempos de mudança.

 

Comparativo publicado originalmente na Revista Turbo 415, de abril de 2016

Esta metodologia não se aplica a este comparativo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial.

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