A liderança da Mercedes num dos segmentos preferidos das empresas passa pela afirmação da versão mais familiar do Classe C, agora apresentada e escolhida na sua nova versão Diesel de 160 cv, uma escolha equilibrada e extraordinariamente poupada nos consumos

Texto: Marco António / Fotografia: Luís Viegas
Data: 4 Maio, 2019

O novo motor Diesel da Mercedes (adeus Renault) é uma mutação genética da versão de 2 litros já ensaiada na berlina. Com 160 cv, esta é uma opção destinada às empresas que procuram, acima de tudo, custos operacionais mais baixos. Mas não só às empresas esta versão interessa, também os particulares tiram partido de uma combinação mais económica e simultaneamente estimulante do ponto de vista das prestações. Económica no preço, com a versão base de caixa manual a custar pouco mais de 46 mil euros, e económica nos consumos, com médias de 5 l/100 km.

A criação desta nova família de motores Diesel (OM 654) contraria aquilo que parece ser uma tendência generalizada das marcas em se retirarem progressivamente desta solução energética. Embora a razão desta escolha esteja relacionada com a necessidade da Mercedes rentabilizar um investimento baseado numa política de construção de motores modular estreada no Classe E, a verdade é que o Diesel continua a ser a melhor solução quando pretendemos fazer viagens longas, frente a outras alternativas, que vão desde os motores a gasolina mais modernos aos híbridos.

A prova de que o Diesel tem ainda um papel relevante está na decisão da Mercedes de propor uma versão hibrida plug in com o motor Diesel de 194 cv, cuja diferença para este motor que agora ensaiamos pela primeira vez na carrinha é o facto de ter uma cilindrada unitária superior.

Muitas novidades

Exteriormente o exercício de “descubra as diferenças” passa sobretudo pelos para-choques, pela grelha dianteira e pelos grupos óticos, neste último caso com a possibilidade de luzes High Performance LED ou Multibeam LED, uma opção que inclui luzes de máximos ultra range, uma ajuda que melhora significativamente a visibilidade a uma distância de 650 metros.

Mas as mudanças mais significativas em relação à anterior versão mais familiar do Classe C estão nos equipamentos de assistência à condução, enquanto a mala mantém a usual funcionalidade e os mesmos 490 litros de capacidade, sendo possível, entretanto optar pela abertura e fecho automático do portão.

 

Como já tínhamos dito e constatado aquando do ensaio à berlina, é opinião unânime que as alterações introduzidas na carroçaria valorizam a silhueta de uma das carrinhas mais bonitas do seu segmento, ainda que neste caso a linha de design exterior não fosse a da AMG, cuja grelha com o padrão em diamante reforça o aspeto visual.

Quanto às medidas exteriores mantêm-se iguais, desde o comprimento à largura, passando pela distância entre eixos. O mesmo se passa com a acessibilidade e a aerodinâmica. Já a segurança teve grandes mudanças e embora a versão ensaiada não contemplasse todas as novidades, há essa possibilidade. Mudanças que vão desde a condução semiautónoma até à travagem de emergência, uma ajuda ativa que evita muitas situações de colisão. Outras ajudas são o assistente de faixa de rodagem e novas funções do assistente de direção.

Novas funcionalidades

Evolução relevante dá-se na qualidade, com a utilização de materiais novos e elementos que o anterior modelo não contemplava, como o painel de instrumentos digital numa configuração algo diferente do Classe A. Também o ecrã multimédia colocado no topo da consola central recebeu alterações, quer de tamanho quer no tipo de configuração que pode assumir Uma configuração que pode ser alterada através dos botões de controlo táteis no novo volante.

Também o sistema Distronic passou a ser comandado a partir do volante onde também as patilhas para manusear manualmente a caixa automática de 9 velocidades são uma opção a considerar quando queremos ter uma condução mais estimulante. A habitabilidade mantém-se inalterada.

 

Já o conforto aumentou, graças a uma suspensão que, mesmo no modo mais desportivo, mantém um bom amortecimento. Curiosamente, este motor é menos ruidoso, o que não deixa de ser uma agradável surpresa, auxiliada pela caixa automática de 9 velocidades. A caixa automática, para além de ter um escalonamento amigo do consumo, suaviza o funcionamento do motor. Motor e caixa têm reações diferentes conforme o programa escolhido pelo sistema Agility Control.

Baixos custos de manutenção

As prestações em relação ao anterior motor da Renault evoluíram, assim conseguimos chegar aos 100 km/h em 8,2 segundos enquanto o km de arranque também melhorou juntamente com a velocidade máxima, 220 km/h. Mas se as acelerações são boas, as recuperações também o são graças ao escalonamento da caixa automática, capaz de manter o motor sempre vivo até às 3800 rpm.

 

Este equilíbrio contribui igualmente para um enorme prazer de condução, seja qual for o modo escolhido, com destaque para o mais desportivo, por ser o que melhor desenvolvimento tem. Uma escolha que não sacrifica o conforto que continua a ser uma caraterística do ADN do Classe C frente aos seus adversários mais diretos.

Outro aspeto importante são os baixos custos de manutenção, quer por via dos consumos, quer pelos períodos alargados das revisões, que continuam a ter custos reduzidos. Numa altura em que o gasóleo atinge valores elevados, o baixo consumo deste motor não deixa de ser um bom argumento quando comparado com a generalidade dos motores a gasolina e de certos híbridos que, sendo igualmente económicos na cidade, não o são tanto em auto-estrada.

A Mercedes destaca-se igualmente pelos valores de retoma, tradicionalmente mais altos que outros concorrentes que se orientam por preços da mesma ordem de grandeza.

Mercedes C 200d Station

Preço 47 075 €

Motor Gasóleo; 4 cil. em linha; 1598 c.c.; 160 cv; 117 kw/3800 rpm

Binário 360 Nm/1600-2600

Relação peso/potência 10 kg/cv

Transmissão Auto. de 9 vel.

Peso 1615 kg

Comp./Larg./Alt. 4,70/1,81/1,45 m

Dist. entre eixos 2,84 m

Mala 460-1480 l

Desempenho 8,2 S 0-100 km/h; 220 km/h VEL. MÁX.;

Consumo 4,3 (5,5*) L/100 km

Emissões CO2 114 g/km (Classe C)

 

Artigo publicado na Revista Turbo 447, de dezembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online