Kia Sorento 2.2 CRDI ISG VGT TX

Texto: António Amorim / Fotografia: José Bispo
Data: 11 Novembro, 2017

Se gosta de carros grandes mas ágeis (e elegantes…), aqui tem um com sete lugares e 200 CV de potência. E por este preço não encontra nada que se lhe compare.

Esta terceira geração do maior SUV da coreana Kia é uma evolução do modelo anterior em todas as frentes. A começar pela aparência, muito mais elegante e proporcionada, graças ao jeito para o desenho do alemão Peter Schreyer, ex-funcionário da Audi. A evolução verifica-se também nas dimensões, com bons resultados a nível estilístico.

Ensaio publicado na Revista Turbo 405, de junho de 2015

O maior comprimento (9,5 cm) e largura (0,5 cm) face à redução na altura (1,5 cm) resultam numa pose mais agachada, que os vidros escuros e os flancos musculados ajudam a sublinhar, dando ao Sorento a aparência de uma carrinha robusta e sólida mas elegante, para SUV.

Lá dentro oferece de série sete lugares em três filas de bancos (2+3+2), conjugáveis das mais diversas formas. A fila do meio tem imenso espaço para as pernas, em altura e, principalmente, em largura. Também dá para regular os bancos em comprimento e ainda na inclinação dos encostos.

Já a terceira fila, composta por dois bancos recolhíveis, é acanhada em altura e de difícil acesso, sendo aconselhável a sua utilização por crianças. A modularidade da mala é exemplar.

Os dois pequenos bancos podem “desaparecer” no piso e é possível rebater a segunda fila através de alavancas laterais colocadas na mala. Desta forma, fica-se com piso quase plano e 1662 litros de espaço

Para além de termos a agradável sensação de podermos levar sempre toda a gente ou toda a bagagem, este Sorento permite fazê-lo com grande desembaraço graças à força do seu motor.

Nesta versão 2.2 CRDi de 200 CV não temos tração integral mas gozamos de uma agilidade invulgar num SUV destas dimensões e preço. Ligeiramente mais leve (5 kg) que o anterior bloco de 197 CV, este turbodiesel recebeu tratamentos especiais contra os atritos internos, um sistema de injeção mais sofisticado (2000 bar em vez dos anteriores 1800 bar) e uma recirculação de gases mais evoluída.

Cumpre as normas Euro 6 e anda que se farta, com um binário máximo de 450 Nm, disponível entre as 1750 e as 2750 rpm mas a responder com pujança desde as 1000 rpm. Uma autêntica fisga, que dispara os seus 1821 quilos dos zero aos cem em 9 segundos e se coloca nos 200 km/h mais depressa que certos desportivos.

Informações conjugadas no capítulo seguinte, "Economia".

CUIDADO COM O PÉ!

Do lado dos óbices há que apontar o consumo, que na melhor das hipóteses se ficou pelos 5,1 l/100 km no teste a 90 km/h, mas que salta para os 7,5 l/100 quando a velocidade aumenta para os 120 km/h. Acima disso, como sempre apetece andar devido à disponibilidade do motor e ao silêncio e conforto com que tudo acontece, a média pode trepar acima dos 11 litros aos cem.

Também não apreciámos a falta de capacidade do trem dianteiro para colocar toda a potência no chão, em grande parte devido aos limites de aderência dos pneus Nexen 235/65 em jantes de 17 polegadas. A direção programável Flex Steer também não ajuda, por não ser das mais envolventes, tornando-se mais vaga à medida que o ritmo aumenta, mesmo quando selecionamos o modo “Desporto” em vez do “Normal”, através de um botão na consola.

Ainda assim, este não é dos grandes SUV mais adornantes em curva, mantendo uma certa firmeza, mesmo quando forçado a serpentear mais depressa. O limite, quando surge, é sempre nas quatro rodelas de borracha que o ligam ao chão.

Por um preço que, até ao final do ano, se ficará pelos 38 987€ graças a um desconto de 4500€ oferecido pela marca, não há nada do género no mercado que se lhe compare. Se a isto somarmos o imenso recheio de equipamento de série, do qual apenas não fazem parte o teto panorâmico e o sistema de navegação, percebe-se até que ponto este SUV da Kia pode ser apetecível. Mas esta agilidade toda num carro tão grande e pesado, paga-se.

Quando a análise se volta para os custos de utilização o Sorento volta a brilhar porque basta subscrever a Via Verde para se pagar Classe 1 nas portagens. A construtora asiática também oferece sete anos de garantia total, uma vantagem nada desprezível, num carro que serve bem a família, com boa margem de diversão para quem o conduz.

VEREDITO

Bem desenhado e cheio de qualidades também por dentro, este grande SUV consegue proporcionar momentos de diversão ao pai da família numerosa. Só os pneus não estão à altura das enormes capacidades da mecânica.