Icónico entre os TT, o Wrangler renovou-se com um motor mais eficiente e uma oferta completa de equipamento. Refincou o comportamento em estrada, sem perder o espírito aventureiro. Só lhe falta um preço competitivo

/ Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 4 Maio, 2019

É um jipe na verdadeira aceção do conceito, ou não tivesse “Jeep” como nome de família e uma árvore genealógica com raízes no próprio Willys. É um dos modelos mais cobiçados pelos adeptos do TT radical e uma afirmação de estilo de quem não vai em modas… e tem uma conta bancária recheada, porque com um preço base de 57500 € (62 848 € tal como o vemos nas imagens), o Wrangler Rubicon 2.2 CRD não é um jipe para todos. É só para dois.

 

A homologação nacional considera a carroçaria de três portas um veículo comercial, caso contrário o preço disparava para cima dos 80 mil euros, como acontece com as versões de chassis longo e de cinco portas. Com ou sem rede atrás dos bancos dianteiros (na verdade a versão de quatro lugares é tão apertada para os ocupantes da fila traseira como para as bagagens), esta é a carroçaria que mais favorece o Wrangler.

O chassis de longarinas é dos poucos a resistir no segmento, tal como a suspensão de eixos rígidos. Para maior resistência foi moldado a partir de aço e sobre ele assenta uma carroçaria onde predomina o alumínio. O hard-top preto em plástico desmontável é um opcional obrigatório de 1600 €. Sem ele, o Wrangler perde a mística e deixa de fazer sentido poder remover as portas e baixar o para-brisas sobre o capot.

À prova de tudo

As operações de remoção de componentes prometem ser mais simples que a montagem de móveis suecos. No entanto, a ameaça de chuva refreou a nossa vontade de brincar aos legos. Excesso de zelo da nossa parte. O Wrangler tem orifícios para escoamento de água no piso, o que leva a Jeep a afirmar que este se pode lavar à “mangueirada”. Não levámos a ideia à letra, mas o interior sugere que podíamos.  Os materiais têm aspeto resistente e durável, estando as zonas mais sensíveis, como a tomada de 12 V ou as entradas USB e AUX, protegidas por tampas isoladoras. Até o subwoofer instalado no piso da mala diz ser resistente à intempérie…

Se os estofos em pele opcionais (1400 €) resistem a mais do que algumas gotas de água não sabemos. Sabemos, sim, que são mais confortáveis que os da geração anterior. Todo o Wrangler é mais confortável. Não só porque nos brinda com todas as comodidades de um automóvel moderno, mas também porque o pisar em estrada está mais civilizado. Continua a oscilar como um barco em mar agitado, mas transmite mais confiança. No entanto, como a imagem sugere, não se pode comparar a um SUV moderno.

 

O Wrangler não é um jipe para a estrada. Muito menos neste nível de equipamento Rubicon, o mais radical de todos. O problema reside nos pneus BFGoodrich Mud Terrain T/A 255/75 R17, cujos tacões não só produzem uma zoeira crescente acima dos 65 km/h, ampliada pela ausência de bancos traseiros, como reduzem substancialmente a aderência, especialmente em molhado. As versões Sport e Sahara usam pneus Bridgestone Dueler H/T, mais adaptados a uma utilização predominante em asfalto.

Fora de estrada e com estes pneus, não há muitos obstáculos que o Wrangler Rubicon não consiga ultrapassar. Os eixos rígidos da suspensão são reforçados, face aos das outras versões, a barra estabilizadora dianteira pode ser desativada, para acrescentar até mais 25% de movimento vertical às rodas, e o sistema de tração integral Rock-Track utiliza uma caixa de transferência com uma relação de redução de 4:1, que nas versões Sport e Sahara é de 2,7:1. A possibilidade de bloquear os diferenciais é outro exclusivo do Rubicon.

TT de excelência

Comuns a todos os Wrangler são os ângulos de excelência. Com 25 cm de altura ao solo para 4,33 metros de comprimento, o ângulo de ataque é de 36,4 graus, o de saída de 30,8 graus e o ventral de 25,8 graus. Os cursos de água também não são problema até aos 76 cm de profundidade, daí os escoadouros no piso. Com este motor Diesel de 200 cv o Wrangler pode ser um verdadeiro cavalo de trabalho, podendo rebocar até 2495 kg.

Exclusivamente associado a uma caixa automática de oito velocidades, o motor 2.2 CRD, também conhecido por Multijet, desenvolve 450 Nm de binário. O suficiente para mover as duas toneladas do Wrangler com destreza sobre todo o tipo de terrenos. A caixa automática está bem adaptada à utilização fora de estrada, sendo uma importante aliada nas escaladas mais difíceis.

 

Novidade para esta geração é o diferencial central, que permite circular com tração integral em estrada, o que até aqui não era possível pois, sem ele, as quatro rodas rodariam à mesma velocidade, causando problemas em curva. Agora, o seletor manual da caixa de transferências permite variar entre tração traseira ou integral permanente. Depois pode-se bloquear o diferencial central, acionar as redutoras e bloquear os restantes diferenciais.

Jeep Wrangler  Rubicon 2.2 CRD 4X4

Preço 57 500 €

Motor 4 Cil.; 2143 CC; 200 CV/ 3500 RPM

Binário 450 Nm/2000 RPM

Rel. Peso/potência 10,3 CV/kg

Transmissão Integral; 8 VEL. Auto

Peso 2065 KG

Comp./Larg./Alt. 4,33/1,89/1,88 M

Distância entre eixos 2,46 M

Desempenho 9,6 s 0-100 KM/H; 160 KM/H VEL. MÁX.

Consumo 7,4 (9,7*) l/100 KM

Emissões CO2 195 G/KM (CLASSE F)

IUC 399,53 €

 

Novidade para esta geração é o diferencial central, que permite circular com tração integral em estrada, o que até aqui não era possível pois, sem ele, as quatro rodas rodariam à mesma velocidade, causando problemas em curva. Agora, o seletor manual da caixa de transferências permite variar entre tração traseira ou integral permanente. Depois pode-se bloquear o diferencial central, acionar as redutoras e bloquear os restantes diferenciais.

Com toda esta tecnologia de série, o Jeep Wrangler Rubicon continua a ser uma referência no universo do TT. Não confundir com SUV. Tem tudo para chegar a todo o lado e um motor Diesel que, não sendo particularmente refinado, nem é muito guloso. Atendendo a que estamos a falar de um jipe com duas toneladas e aerodinâmica próxima à de um tijolo, uma média de 9,7 l/100 km não pode ser considerada elevada. O problema é mesmo o preço. A unidade ensaiada custa 62 848 €. Por 73 830 € compra-se um Porsche Macan com 245 cv. Claro que será apenas mais um Porsche Macan ao lado “do” Wrangler Rubicon.

A Turbo agradece a colaboração dos Nirvana Estudios

 

Artigo publicado na Revista Turbo 447, de dezembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online