HYUNDAI I30 1.6 CRDI 136 CV 7 DCT

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 25 Setembro, 2017

O i30 já não é só um compacto coreano espaçoso e fiável. Agora tem uma imagem mais europeia, muito equipamento e um preço a condizer.

Longe dos tempos em que a fiabilidade, qualidade de construção e resistência dos carros coreanos não conseguia ultrapassar o bloqueio da imagem pouco apelativa, a Hyundai ambiciona ser a marca asiática mais forte no mercado europeu. Para o conseguir, há muito que o construtor coreano criou um centro de desenvolvimento em Russelsheim, na Alemanha, e um departamento de testes nos arredores do mítico circuito de Nurburgring. Mais de 800 mil unidades comercializadas desde 2008 atestam o sucesso das duas gerações anteriores do Hyundai i30, consolidando o êxito da política de imaginar e produzir na Europa aquilo que é para ser comercializado na Europa.

Nove anos passados sobre o lançamento, o i30 entra na terceira geração com ambições renovadas. Nascido e criado na Alemanha e arredores, a fábrica é em Nosovice, República Checa, o compacto coreano ataca o coração do segmento, desafiando referências como o VW Golf, Renault Mégane, Peugeot 308, Opel Astra ou Ford Focus. Se contra factos não há argumentos, a habitabilidade superior do Hyundai i30 vê- -se na forma confortável como recebe quatro ocupantes (até o quinto não vai muito mal graças às dimensões reduzidas do túnel central), ou nos 395 litros da bagageira. Aqui, o Peugeot 308 consegue melhor, mas a margem não ultrapassa os três litros. O rebatimento assimétrico das costas dos bancos da fila traseira, o piso plano por este criado ou as formas regulares da mala colocam o coreano em linha com os rivais europeus.

PREÇO EUROPEU

Mais difícil poderá ser justificar os 29 600€ da motorização 1.6 CRDi de 136 CV, quando a média dos preços dos concorrentes se fica pelos 27 300€. Há uma versão do mesmo bloco com 110 CV, mas retira apenas mil euros ao preço e junta-se ao VW Golf 1.6 TDI a ver a potência dos rivais começar nos 120 CV. É preciso olhar para o equipamento e, sobretudo, para a garantia, para reconhecer o encanto do Hyundai i30. Ao contrário dos preços e campanhas de lançamento, os cinco anos de garantia sem limite de quilometragem não estão sujeitos a flutuações.

O design também não, pelo menos até ao próximo restyling, e para esta terceira geração traz uma inédita grelha dianteira, denominada Cascata, que progressivamente se vai estender às restantes gamas. Nos flancos da Cascata, inspirada no fluxo do aço derretido, também ele produzido pela Hyundai para o i30, brilham três focos LED, envolvidos pelas luzes diurnas, também LED, que incluem os indicadores de mudança de direção. Mais abaixo, os faróis de nevoeiro foram integrados nas cortinas de ar. Conduzindo o ar em torno das linhas fluídas da carroçaria, as cortinas de ar reduzem os turbilhões nas zonas das rodas ajudando a fixar o cx nos 0,30. Perfeitamente integrado no desenho tridimensional da nova traseira, o defletor foi decisivo no desenvolvimento da aerodinâmica do i30. A nova assinatura gráfica das óticas posteriores conclui a “europeização” do design.

A QUALIDADE DE SEMPRE

As portas amplas abrem para um interior sóbrio, onde a orientação vertical da anterior geração foi substituída por formas mais horizontais, reforçando a sensação de espaço. Ao centro do tablier, o ecrã flutuante de 8 polegadas concentra as funções secundárias de navegação e entretenimento. Para evitar que o condutor desvie a atenção da estrada, a maior parte dos comandos é replicada no novo volante de três raios. Nas costas deste, as patilhas do modo sequencial da caixa lembram que este i30 1.6 CRDi de 136 CV utiliza a transmissão de sete velocidades e dupla embraiagem. Um conforto no para-arranca das deslocações diárias que estica o preço até aos 31 600€.

Alinhada com o volante, fácil de regular e com boa visibilidade, a posição de condução adota o estilo confortável e descontraído do novo i30. Na verdade, nem vale a pena utilizar as patilhas do volante. O desenvolvimento da terceira geração do i30 pode ter passado pelo inferno verde de Nurburgring, mas este 1.6 CRDi de 136 CV não é nenhum carro de corridas. É, principalmente, um pequeno familiar, com um pisar sólido e seguro na abordagem às curvas. Juntamente com as irregularidades, a suspensão filtra grande parte da informação recolhida pelo eixo dianteiro. Assim, apesar da maior rapidez e comunicação da direção, o i30 continua meio desligado do condutor. O que não invalida que a frente seja bastante composta e fácil de segurar, mesmo nos traçados mais exigentes. Da traseira nem sinal. Só no limite, jogando com a transferência de peso, é que a suspensão multibraço cede e a traseira dá um ar da sua graça. Para manter ritmos mais vivos, o melhor é esquecer as patilhas do volante, colocar a caixa no modo Sport e segurar o regime entre as 2000 e as 3500 rpm.

Essencial para o conforto nas voltas em cidade, a caixa de dupla embraiagem não é particularmente eficiente no controlo dos consumos. Acrescenta 2,7 litros à média oficial de 4,1 l/100 km, muito por causa dos 7,4 l/100 km em cidade. O start/stop do motor dá uma ajuda a baixar os consumos, mas não faz milagres. Apesar do conforto da caixa ser mais evidente em cidade, o verdadeiro habitat desta motorização é a estrada. Independentemente da carga, o i30 é rápido a ultrapassar, sem se exceder nos consumos, que variam entre os 5,7 l/100 km a 90 km/h e os 6,6 l/100 km em autoestrada.


Ensaio publicado na Revista Turbo 427, de abril de 2017

Esta metodologia não se aplica a este artigo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial.

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