HYUNDAI I20 1.1 CRDI vs RENAULT CLIO TCE 90 vs TOYOTA YARIS 1.5 HSD E-CVT

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 30 Julho, 2017

A tecnologia híbrida chegou aos utilitários pela mão do Toyota Yaris. Uma alternativa à clássica rivalidade gasolina/diesel, com vantagens claras na cidade. O pior é quando se sai dos centros urbanos.

Primeiro foram os motores diesel que encolheram e, gradualmente, foram conquistando espaço em segmentos tradicionalmente favoráveis à gasolina, como o B. Agora, fruto de uma estratégia de downsizing e sobrealimentação semelhante, os motores alimentados por combustível de 95 octanas voltam a ser os mais representativos entre os utilitários. Uma vaga de fundo liderada pelo motor de três cilindros e 898 cc do Renault Clio. A média oficial já não assusta, 4,7 l/100 km é um valor razoável, e a tecnologia associada à gasolina é sempre mais barata.

O Renault Clio TCe 90 tem preços desde os 13 250€, enquanto o Hyundai i20 1.1 CRDi, o diesel mais pequeno e acessível do segmento, começa nos 14 150€. O bloco de três cilindros e 1120 cc do coreano promete gastar menos (3,2 l/100 km) e o gasóleo ainda vai sendo mais barato, mas há uma diferença de 900€ entre os dois modelos. Para a recuperar é preciso percorrer 25 633 km. Só a partir daí, pouco mais de ano e meio a uma média de 15 000 km/ano, o diesel começa a compensar. Comum nos segmentos superiores, a tecnologia híbrida chega aos utilitários pela mão da Toyota.

Especialista na combinação de motores térmicos com motores elétricos, o construtor japonês compactou o sistema híbrido da segunda geração do Prius para que este coubesse sob o capô do Yaris. Ao bloco de quatro cilindros e 1497 cc , naturalmente aspirado, com os mesmos 75 CV do Hyundai i20, junta um motor elétrico com 61 CV. Em conjunto desenvolvem um total de 110 CV, aos quais se juntam 169 Nm de binário instantâneo do motor elétrico, mais 111 Nm às 3800 rpm do bloco 1.5 a gasolina. Uma tecnologia que permite percorrer pequenas distâncias sem qualquer tipo de emissões e anunciar médias de 3,3 l/100 km, mas que não é barata. O Toyota Yaris 1.5 HSD e-CVT tem um custo mínimo de 18 115€, mais do que as versões Blue Access do i20 (17 550€) e GT Line do Clio (18 000€), aqui representadas. Na versão Square Collection das imagens o Toyota custa 20 880€. Penalizado pelo motor 1.5, é também o Yaris que paga mais IUC: 132,05€ contra 99,29€ dos concorrentes.

GASOLINA, DIESEL OU HÍBRIDO?

Com a gasolina a recuperar o terreno perdido para o diesel entre os utilitários, importa perceber qual a solução mais vantajosa. Comecemos pelo carro. Apesar de não pararem de crescer, o Yaris é o único abaixo dos quatro metros, os utilitários foram pensados como veículos maioritariamente citadinos. No entanto, pelas mais variadas ordens de razão, têm-se afirmado como carros de família, fazendo muito mais do que meras ligações interurbanas. Nestas condições, o Hyundai i20 é o mais simpático para com os passageiros. Portas amplas e interior espaçoso juntam-se aos 326 litros da maior bagageira do trio. Em caso de viagem, os 50 litros do depósito garantem a autonomia mais elevada.

Voltando à cidade, entramos nos domínios do Yaris. A caixa de variação contínua flui com o trânsito sem quebras. Tratando o acelerador com muito cuidado, sem percorrer muito mais do que o primeiro terço do curso, consegue-se circular facilmente no modo elétrico. Não surpreende por isso que registe a melhor média em circuito urbano: 3,9 l/100 km. Com mais binário disponível mais cedo, mas sem para-arranca automático, o i20 não baixa dos 5,9 l/100 km. Um valor, ainda assim, melhor que os 6,5 l/100 km do Clio.

Embora pareça um utilitário normal, o Yaris é um carro de nicho, com os limites definidos pela malha urbana. Pode não ter rival entre semáforos e trânsito de hora de ponta, mas assim que a estrada limpa e a velocidade aumenta começa o barulho. O silvo discreto do motor elétrico dá lugar ao lamento interminável do motor 1.5 gerido pela caixa CVT. As descidas representam tréguas de pouca dura e os consumos refletem o esforço do motor logo desde os 90 km/h, com a média a subir para os 4,7 l/100 km. Em autoestrada é o descalabro. Estabilizar a velocidade nos 120 km/h implica aumentar o volume do rádio, enquanto os consumos disparam para os 7,1 l/100 km.

É precisamente neste tipo de cenário que o diesel joga em casa. Caixa de seis velocidades e binário razoável, disponível entre as 1750 e 2500 rpm, permitem ao i20 ultrapassar a pior relação peso/potência do trio e registar as melhores médias, tanto em estrada (3,9 l/100 km) como em autoestrada (5,4 l/100 km). Graças a uma bem escalonada caixa de cinco velocidades, o Clio não se afasta muito dos valores registados pelo Hyundai. Acrescenta meio litro a ambas as médias. O mesmo meio litro (5,8 l/100 km) que o separa do i20 (5,3 l/100 km) depois de calculada a ponderação aos consumos dos três utilitários. A predominância da cidade no cálculo das médias permite ao Yaris apresentar os consumos mais apelativos: 4,9 l/100 km. Pouco mais de mil euros por ano em gasolina, para uma média de 15 000 km/ano, que podem baixar consideravelmente se o Toyota for mantido no seu habitat natural. O Clio eleva a fatura da gasolineira para os 1189€/ano, enquanto os custos com o gasóleo do i20 se ficam por uns modestos 898€/ano.

Como os custos associados ao automóvel não se limitam aos combustíveis, importa olhar às revisões. São como os pneus 195/55 R16 (o Yaris calça 195/50), iguais para todos. Vinte e quatro meses ou 30 000 km. Nas garantias também encontramos um denominador comum: cinco anos. A diferença é que na Hyundai não têm limite de quilómetros e incluem assistência em viagem, check-ups anuais e manutenção programada, enquanto na Renault têm um limite de 150 mil km. Na Toyota o limite de quilometragem estende-se para os 160 mil km, com assistência em viagem incluída.

Não é preciso fazer muitas contas para concluir que, das três motorizações analisadas, o diesel é o mais equilibrado. Junte-se o espaço do Hyundai i20 e temos vencedor. Pode representar um investimento inicial mais avultado, mas começa a compensar ao final de ano e meio. Quase tão equilibrado como o coreano, o Renault Clio tem na imagem e no preço dois argumentos de peso. Os consumos são muito semelhantes aos do diesel, mas a diferença de preço favorável ao gasóleo coloca o motor TCe 90 em segundo lugar. Sendo uma viatura de nicho, o Toyota Yaris é difícil de comparar. Em cidade não tem rival…

E é tudo. A caixa CVT que o ajuda a rubricar o tempo mais rápido no arranque até aos 100 km/h e em todas as recuperações de velocidade torna-se cansativa fora da cidade. O motor 1.5 também não ajuda, acabando por fazer do diesel 1.4 D-4D de 90 CV a escolha acertada na gama Yaris. Por 17 665€ também não é barato mas, pelo menos, é mais equilibrado.

 

Ensaio publicado originalmente na Revista Turbo 415, de abril de 2016

Esta metodologia não se aplica a este artigo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial.

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