O poupado motor Diesel que serve de base à versão híbrida a lançar em 2019 pela Mercedes mostra as suas valências no Ensaio Completo ao Classe C

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 13 Abril, 2019

A Mercedes continua a ser uma das poucas marcas que acreditam nas virtudes do motor Diesel, por isso não admira que tenha apostado neste nova família de motores de 4 cilindros (OM 654) estreada no Classe E, e que chega agora a esta nova geração do Classe C.

Com 194 cv, o motor do C220d servirá também de base à versão híbrida plug-in que a marca alemã planeia lançar em 2019. Com um consumo que, mesmo a andar bem, raramente ultrapassa os 6,2 l/100 km, este motor é uma das partes visíveis de um modelo que tem 6500 novidades! As mudanças mais significativas em relação ao anterior estão no equipamento de assistência à condução e em alguns detalhes exteriores que lhe dão uma silhueta mais atualizada.

35/50

Ainda que gostos não se discutam e que por isso não entrem na contabilidade dos números da nossa classificação, a verdade é que este é um dos aspetos que as pessoas mais valorizam. É opinião unânime que as alterações introduzidas na carroçaria valorizaram a linha de um dos carros mais bonitos do seu segmento e que, no caso da versão ensaiada, a linha de design exterior AMG reforça esse sentimento.

Também os para-choques dianteiros foram redesenhados, razão porque a frente tem uma aparência mais dinâmica, enquanto atrás o difusor na parte inferior do para-choques é mais um dos elementos que caraterizam o aspeto exterior, juntamente com os faróis também eles diferentes, estando pela primeira vez disponíveis os faróis Multibeam Led com luzes de máximos ultra range, uma ajuda que melhora consideravelmente a visibilidade a uma distância de mais de 650 metros.

Quanto às medidas mantêm-se iguais, desde o comprimento à largura, passando pela distância entre eixos, razão porque a capacidade da mala se mantém nos 480 litros, um valor que, não sendo referencial, se situa na média deste segmento premium. O mesmo se passa com a acessibilidade, enquanto a aerodinâmica mantém o mesmo Cx.


Já a segurança teve grandes mudanças e embora a versão ensaiada não contemplasse todas as novidades, há essa possibilidade. Mudanças que vão desde a condução semiautónoma agora mais evoluída e apoiada por sistemas que monitorizam melhor o trânsito, até ao assistente à travagem de emergência, uma ajuda ativa que evita muitas situações de colisão.

Também o sistema Distronic, incluído no pack de assistência à condução Plus, que custa 2600 euros, pode ajudar em várias situações com base na informação do mapa e ajustar antecipada e confortavelmente a velocidade, por exemplo, quando nos aproximamos das curvas, cruzamentos ou rotundas. Outras ajudas são o assistente de faixa de rodagem e novas funções do assistente de direção.

49/70

A qualidade evoluíu bastante graças à introdução de novos materiais e à utilização de elementos que o anterior modelo não contemplava. À semelhança do Classe A até ao Classe S, o painel de instrumentos pode ser totalmente digital. Esta é uma opção que não tem a mesma configuração dos seus irmãos. A inexistência da mesma solução torna o tablier mais harmonioso, uma vez que o painel digital principal assume a mesma forma do analógico.

O ecrã multimédia, colocado no topo da consola central, recebeu alterações, quer de tamanho quer no tipo de configuração que pode assumir. Uma configuração que pode ser alterada através dos botões de controlo táteis no volante, uma ideia herdada do novo A e do E, que respondem aos movimentos dos dedos, tal como num ecrã de um smartphone.

Uma novidade ainda não contemplada no novo Classe C é o sofisticado sistema de infotainment MBUX estreado no Classe A, razão pela qual o novo C ainda não fala connosco. Lá chegará, mas ainda não. Ao contrário do que acontecia no modelo anterior, o sistema Distronic passou a ser comandado a partir do volante que, na versão ensaiada, tinha a opção das patilhas para manusear manualmente a caixa automática de 9 velocidades de série. Entretanto, a Mercedes continua a apostar no comando da caixa a partir de uma haste colocada do lado direito da coluna de direção, uma solução que se confunde com os piscas.


Com a mesma distância entre eixos, a habitabilidade mantém-se inalterada. Já o conforto aumentou graças a uma suspensão que, mesmo no modo mais desportivo, mantém um bom amortecimento. Só é pena que o motor continue a ser um pouco ruidoso, ainda que o escalonamento da caixa automática minimize esse efeito, conforme foi comprovado pela medição do nível sonoro. Tal como a habitabilidade também a funcionalidade mantém as mesmas caraterísticas.

39/50

Do ponto de vista técnico uma grande evolução é a renovação quase total dos motores, razão pela qual vale a pena refletir um pouco sobre ela. E se o motor da versão C 200 a gasolina é uma novidade importante, por ter uma cilindrada pequena (1.5 litros) associado a um sistema híbrido alimentado por uma rede de 48 volts, este Diesel de 2 litros e 194 cv é uma proposta promissora, tal é o desempenho, nomeadamente do ponto de vista ambiental. O facto de ser mais compacto que o anterior de 2.1 litros a sua superior gestão térmica permite controlar melhor os óxidos de nitrogénio (NOx).

 

A utilização de um bloco em alumínio (que contribui para uma redução significativa do peso) juntamente com pistons em aço tem, neste caso, vantagens devido à diferente dilatação de cada material com a temperatura, uma vez que o coeficiente de dilatação do aço é inferior ao do alumínio. A menor expansão do aço faz com que, à medida que o motor se aproxima da temperatura ideal, a folga entre os pistons e o bloco de alumínio aumente, reduzindo a fricção entre 40 a 50 por cento, contribuindo para uma redução da temperatura do motor na fase mais crítica de funcionamento. A existência de 2 circuitos de recirculação dos gases de escape (EGR) de alta e baixa pressão também contribui para uma redução significativa de NOx, juntamente com a adição de AdBlue.

 

Estes elementos, juntamente com o catalisador de oxidação e o filtro de partículas, fazem deste um dos mais limpos motores de combustão. A caixa automática de 9 velocidades, de série, não é nova mas tem um efeito suavizador no funcionamento do motor. Este e a caixa têm reações diferentes conforme o programa escolhido pelo sistema Agility Control, enquanto a suspensão mantém a mesma arquitetura.

35/50

Esta versão 220d é a opção ideal para quem pretende baixos consumos e boas prestações. Comparando-a com o anterior Classe C, esta versão de 194 cv situa-se entre as anteriores versões C 250 Bluetec de 204 cv e a C 220 Bluetec de 170 cv.

As prestações do atual modelo não andam muito longe do anterior Diesel mais potente, pois conseguimos chegar aos 100 km/h em 6,9 segundos (ou 7,7 segundos numa apreciação mais real), enquanto o quilómetro de arranque é efetuado em apenas 28,3 segundos. Estes valores são fruto de uma maior capacidade de resposta do motor, que deixou de ter os dois turbos da anterior versão, para ter apenas um de geometria variável, com uma resposta mais rápida.

Mas se as acelerações são boas, as recuperações também o são graças ao contributo da caixa automática que, por ter um escalonamento das várias relações de caixa mais próximo, consegue um melhor aproveitamento do binário, mantendo o motor sempre vivo até às 3800 rpm. Este equilíbrio contribui igualmente para um enorme prazer de condução, seja qual for o modo escolhido, ainda que seja o mais desportivo aquele que melhor desenvolvimento tem. Neste ca pítulo não houve alterações e por isso podemos escolher desde o modo Eco ao Sport +, passando por um mais personalizado.

 

A seleção dos modos mais desportivos altera uma série de parâmetros, desde a reação do acelerador até à assistência da direção, passando pelo amortecimento e pela resposta da caixa de velocidades. Como já acontecia no anterior modelo, a escolha de um andamento mais acelerado não sacrifica muito o conforto, que continua a ser elevado. Esta é uma caraterística que retira ao Classe C um posicionamento mais desportivo, ficando essa atitude reservada para os seus adversários mais diretos, como o Série 3 da BMW ou mesmo o Audi A4. Este é um dos fatores por que as ajudas ativas, como o controlo de tração e de estabilidade, intervêm mais vezes.

43/60

Com custos de manutenção mais baratos, o C 220d é super económico, não só no para-arranca da cidade como na estrada. Este terá sido, eventualmente, um dos aspetos que mais no chamou a atenção, numa altura em que o preço do gasóleo atingiu valores muito elevados. Mais uma vez a caixa automática provou ser uma grande aliada para conter o consumo de um motor Diesel.


Com médias da ordem dos 6 l/100 (por vezes menos, por vezes um pouco mais) a verdade é que nenhum motor a gasolina equivalente consegue registos mais baixos. Apenas os híbridos, com destaque para os plug-in, atingem resultados semelhantes, mas só na cidade. Na estrada e na auto-estrada o Diesel continua a ser a melhor solução. Também as emissões de NOx são bastante baixas, pelas razões já apontadas, ainda que, para efeitos de fiscalidade, só o CO2 conte.


Na economia o Mercedes destaca-se também nos valores de retoma, tradicionalmente mais altos que outros concorrentes, que se orientam por preços da mesma ordem de grandeza, tirando os modelos mais generalistas, que têm a vantagem de oferecerem muito mais equipamento.
Ainda que a versão ensaiada custasse 60 mil euros, a versão base não chega aos 50 mil euros.

(os gráficos do Ensaio Completo publicado na Revista Turbo 445, de outubro de 2018,  serão adicionados brevemente)

 

Veja também:

Ensaio Mercedes CLA 180D (2016)
Ensaio Mercedes GLE 350D (2016)
Teste Mercedes AMG C43Cabrio