Concept Cactus M e Mehari – Citröen

Texto: Sérgio Veiga
Data: 8 Julho, 2017

Comparámos dois carros separados por quase meio século, em busca… de um espírito comum! O protótipo Cactus M quer homenagear o lendário Méhari e a Citroën conseguiu, num carro do Séc. XXI, passar a mesma sensação de liberdade 

O habitáculo totalmente aberto, sem tejadilho nem vidros laterais, “vestido” de cores garridas e padrões florais, embrulhado numa sedutora carroçaria pintada num azul-marinho de uma tinta “aborrachada” que a protege das areias e água salgada. Cores vivas que contrastam com os pilares em sóbria madeira envernizada sobre os quais se podem apoiar duas pranchas de “surf”.

Tudo imaginado para uma utilização em liberdade total, sem quaisquer preocupações, pode mesmo sair-se do mar e sentar-se no carro diretamente para ir até casa. Os materiais interiores, com o uso de neoprene a forrar os bancos (material semelhante ao dos fatos dos “surfers”), prevêem lavagem fácil… à mangueirada, com a água a escorrer por orifícios escondidos no chão do carro e os tecidos com propriedades de secagem rápida. E há até uma capota montável em molas na carroçaria que se pode estender… a uma tenda insuflável com um compressor existente no carro. Depois, rebatendo o banco traseiro, consegue-se uma cama para duas pessoas passarem a noite, ao relento ou protegidas pela tenda.

É este conceito de “liberdade sobre rodas” que o protótipo Cactus M que a Citroën apresentou no salão de Frankfurt pretende transmitir. Aliás, aquele “M” é uma homenagem à fonte de inspiração, o mítico Méhari que, com o seu “corpinho franzino” e agilidade desconcertante, encarnou este espírito de libertação, numa época (1968) em que… era proibido proibir!

O Citroen Cactus M distingue-se dos outros protótipos que já guiámos por ser… pouco protótipo. Ou seja, pode guiar-se quase como um carro de produção, sem aqueles gemidos e limitações típicos dos “concepts” construídos desde a base. Porque, neste caso, a base é a do C4 Cactus, apenas reforçada por baixo para compensar a falta da estrutura superior. Mas, para compensar, a agradabilidade da condução é aumentada pela junção da nova caixa automática de seis velocidades (EAT6) ao motor 1.2 Pure Tech de 110 CV, conjugação que só em breve estará disponível no C4 Cactus.

Pela estrada do Guincho, a maresia entra habitáculo dentro, mesmo se a ventania não é exagerada ao ponto de incomodar. A sensação é, de facto, libertadora, o sorriso que nos aflora os lábios é incontrolável, talvez também pela quantidade de cabeças que giram à passagem do Cactus M. As cores garridas não deixam ninguém indiferente, dois “surfistas” que vestem os fatos para um bom dia de ondas param, positivamente de queixo caído ao ver o que vai por baixo da prancha desenhada também pelos estilistas da Citroën.

 

SAUDADES

Sem capota nem vidros laterais, o Cactus M consegue transmitir a mesma sensação de liberdade e contacto com os elementos que reencontrámos ao volante do velho Méhari, mas com a diferença de uma filtragem, conforto… e tudo o mais que representam quase meio século de evolução da indústria automóvel. É verdade que nos breves minutos em que rolámos com o Méhari também sorrimos: com o volante maior que as rodas do Cactus M, com a saudosa manete das mudanças “de bengala” e a 1.ª velocidade para trás, a sensação da mecânica a entrar-nos corpo dentro e a obrigação de guiar “de ouvido” para conseguir que os esforçados 28,5 CV do motor de 602 cc (igual ao do 2CV) consigam mover os magricelas 535 kg.

Mas o animal de hábitos vem sempre ao de cima… E por muita graça que achemos ao Citroen Méhari, já não estamos preparados para tanta simplicidade num automóvel. Queremos sempre mais potência e conforto, segurança e dinâmica, conectividades e climatização. Daí acharmos o Cactus M um brilhante exercício, por conseguir recuperar e manter o espírito original do Méhari, encaixando-o num «embrulho» moderno, de qualidade e elevado conforto. Agora, façam o favor de o produzir!

VEREDITO

Como “laboratório de ideias”, o Cactus M tem algumas interessantes, como o interior lavável e o “camping car” incorporado. Mais próximo da realidade, está aqui uma potencial versão descapotável do C4 Cactus em estado de avançada evolução!


Artigo publicado originalmente na Revista Turbo 411, de dezembro de 2015

Esta metodologia não se aplica a este comparativo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial.

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