VW PASSAT ALLTRACK vs OPEL INSIGNIA COUNTRY TOURER vs PEUGEOT 508 BLUEHDI RXH vs VOLVO V60 D4 CROSS COUNTRY

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 29 Julho, 2017

A moda dos SUV tem um enorme poder contagiante. Por isso não é de estranhar que o espírito de aventura a eles associado se estenda também a algumas carrinhas.

Como acontece com a generalidade dos SUV e também nestas carrinhas, muitas delas dispensam a tração total sem que isso pressuponha um aspeto menos aventureiro. Um aspeto que se carateriza por pequenos detalhes como uma altura ao solo mais alta e um conjunto de proteções que, independentemente da visão estética, têm utilidade quando nos aventuramos por caminhos de terra. Mas atenção, porque apesar da maior altura ao solo garantir ângulos de ataque e de saída maiores que uma carrinha normal, isso não significa que consigamos superar grandes obstáculos.

Mesmo assim, vão onde as outras não vão, especialmente se tiverem tração total. Destas quatro carrinhas, a única com um sistema de tração às quatro é a VW Passat Alltrack. As restantes “preferiram” comparecer apenas com as versões de tração dianteira, com o argumento que, tirando situações de fraca aderência, a tração total é dispensável. É a mesma lógica dos SUV, daí que as versões mais vendidas sejam as 4×2. Para além de serem mais baratas, gastam menos. Curiosamente, a VW Passat é, neste caso, mais barata que as restantes concorrentes, um fator que contribuiu para a sua vitória neste comparativo, frente à Peugeot 508 RXH que é a opção mais vendida, a Opel Insignia Country Tourer e a Volvo V60 D4 Cross Country. Para além de motores semelhantes com potências que vão dos 170 CV até aos 190 CV, todas elas dispunham de transmissões automáticas, uma vantagem em termos de utilização, embora com resultados diferentes.

CALÇAS ARREGAÇADAS

Basta olhá-las para perceber o estilo mais radical de cada um delas. Os ingredientes que mais contribuem para isso são os plásticos que protegem as embaladeiras, as cavas das rodas, a parte frontal e a traseira e, acima de tudo, a maior altura ao solo. A proposta mais alta é a Volvo, com mais de 20 centímetros, seguida da VW Passat Alltrack, enquanto a Opel Insignia Country Tourer e a Peugeot 508 RXH são as mais baixas. Como veremos mais à frente, a maior altura da Volvo V60 é um dos fatores que desafiam a Passat quando abandonamos o asfalto.

Para além da sensação do ponto de vista estético, os ingredientes que caraterizam cada uma destas propostas valoriza também a sensação de robustez e qualidade, razão porque, neste domínio, não tivéssemos distinguido nenhuma delas, ao contrário da aerodinâmica. A altura e as formas arredondadas favorecem a Insignia que, ao longo do ensaio, mostrou ser a menos penalizada pelos ruídos aerodinâmicos, compensando o maior ruído de outras fontes como o motor e a transmissão.

Outro aspeto em que a Opel se distingue é na acessibilidade, com especial destaque para a mala, disputando os mesmos pontos que a Peugeot 508 RXE que tem uma mala ligeiramente maior. Mas se há mala grande, essa pertence à VW Passat Alltrack, com 639 litros, enquanto a mais pequena é a da Volvo V60, com apenas 430 litros, um valor reduzido em relação à média deste segmento. Embora mais dotadas para andar fora de estrada, nenhuma destas carrinhas tem pneus específicos para enfrentar esses cenários. A escolha privilegia a estrada, onde o fator segurança é extraordinariamente favorecido pela opção das quatro rodas motrizes, mais uma vez com vantagem para a VW Passat.

 

ILUSÃO DE ÓTICA

Quem observa não diz que a Volvo V60 D4 Cross Country tem menos espaço interior que a Opel Insignia Country Tourer, mas a verdade é que tem. Deve-se à menor distância entre eixos da Opel em relação à Volvo e também ao facto de o modelo alemão ter uma mala maior.

O maior índice de habitabilidade pertence à Peugeot 508 RXH, em resultado da maior distância entre eixos. Infelizmente, o modelo francês é, de todos, o que tem menos funcionalidades, ao ponto de ser difícil encontrar espaços para guardar objetos tão simples como um telemóvel. Em compensação, o ambiente é acolhedor e bastante confortavel, dois atributos que partilha com a Opel.

A VW Passat só não tem um habitáculo maior porque preferiu ter a maior mala de todas, um atributo que a distingue dos restantes concorrentes. Mesmo assim e a seguir à Peugeot, a Passat Alltrack tem o segundo maior habitáculo com a vantagem de ser o mais funcional. Espaços de arrumação não faltam e equipamentos originais também não. É o caso da instrumentação digital, capaz de assumir várias configurações conforme o tipo de informação desejado.

Também o sistema de informação e entretenimento é bastante completo, embora não seja o único, tendo em conta que a Opel introduz algumas novidades interessantes, a par do sistema OnStar. Embora alguns equipamentos sejam extras que inflacionam o preço indicado, como é o caso do sistema de climatização mais completo do VW Passat, outros há que são indispensáveis, como acontece no domínio da segurança passiva onde ninguém quer ficar atrás, independentemente dos resultados de cada uma nos testes da EuroNcap.

O mesmo se passa com as ajudas ao estacionamento. Independentemente dos sensores e câmaras, a VW Passat é a que tem maior visibilidade natural devido à maior superfície vidrada. Neste aspeto, a opção do teto panorâmico tem cada vez mais adeptos.

TRAÇÃO TOTAL DE SÉRIE

A razão para o sistema de tração quatro ser de série na VW Passat Alltrack tem a ver com o objetivo de alcançar um rendimento idêntico quando circula em estrada ou fora de estrada. Isso não impede que as suas concorrentes também não tenham essa opção que curiosamente no caso da Peugeot 508 é até mais barata! No caso do modelo francês a tração às quatro rodas é assegurado pelo sistema hibrido dispensando por isso o veio de transmissão tradicional graças á colocação do motor elétrico atrás. Na Opel e na Volvo o sistema é semelhante ao da Passat.

No caso da Peugeut 508 Hybrid4 uma das criticas mais frequentes tem a ver com a transmissão feita pela caixa pilotada ao invés desta versão que utiliza a caixa automática japonesa da Ainsi que, como temos referido várias vezes tem um desempenho muito mais adequado ás caraterísticas do motor 2.0 BlueHDi de 180 CV. Mas o destaque em termos de transmissão vai para a caixa automática de 8 velocidades da Volvo e para a DSG de 7 velocidades da VW. O mesmo já não se pode dizer do desempenho da caixa Active Select de 6 velocidades da Opel.


Para além de não explorar tão bem as capacidades do motor 2.0 CDTi de 170 CV por não ter o melhor escalonamento, inflaciona os consumos e o ruído sentido a bordo. No rendimento e fazendo fé do que a pressão média efetiva de cada um nos diz, o melhor dos quatro é a motorização da VW agora com 190 CV, a mesma potência que a Volvo reivindica para o seu D4, uma proposta que nos surpreendeu do ponto de vista dinâmico, mesmo sem tração às quatro rodas.

Com uma suspensão estruturalmente semelhante às quatro, a Passat Alltrak para além de não dispensar a tração total permanente que diferencia o seu comportamento fora de estrada graças ao bom desempenho da inovadora embraiagem haldex de quinta geração, conta ainda com o bloqueio eletrónico do diferencial EDS, um modo de condução “offroad” (um dos quatro perfis de condução propostos de série) e com o “Hill Descent Assist” que impede acelerações indesejadas nas descidas mais acentuadas. O modo “offroad” altera parâmetros, como a gestão eletrónica do acelerador, o ABS ou o sistema de tração integral. Em condições normais a Passat Alltrack comporta-se como um carro de tração dianteira.

 

VANTAGEM EVIDENTE

Ainda que em Portugal a falta de neve dispense a tração total em veículos deste género, a verdade é que esta tecnologia torna a sua condução mais segura, especialmente sabendo que atua em função das condições de aderência. A existência dessa margem de segurança é uma salvaguarda importante em que, compensando do ponto de vista económico, vale a pena investir. É isso que a Volkswagen propõe, ao mesmo tempo que oferece um motor diesel bem dotado.

Mas foi a Volvo que mais nos surpreendeu, ao mostrar grande destreza quando puxamos pelos seus 190 CV! Isso deve-se, sobretudo, à maneira como a caixa automática de 8 velocidades gere o binário. Mais rápido, o modelo Sueco só peca por ter uma direção mais pesada devido a um sistema eletro-hidráulico caduco quando comparado com sistemas de assistência elétrica mais atuais.

Se na estrada a diferença não é muito grande na cidade e nos trajetos mais sinuosos temos de fazer mais força sobre o volante. Capaz de acelerar e recuperar mais depressa que as suas adversárias, a Volvo mostrou ter uma suspensão eficaz mas um pouco seca, tornando-se por vezes mais desconfortável que a Opel e a Peugeot que, nesse capítulo, são imbatíveis. Inclusive quando fugimos para fora de estrada, terreno preferido pela VW Passat pelas razões já apontadas. Mesmo assim e com um comportamento mais desequilibrado a Volvo está sempre pronta para acompanhar a sua rival, graças ao ritmo imposto pelo seu motor. Pena é que não conte com o mesmo grau de eficácia em termos de tração, e que os pneus não sejam os mais adequados (mistos) para andar fora de estrada, uma opção seguida por qualquer uma das quatro carrinhas.

 

PASSAT COM PREÇO IMBATÍVEL

Um dos fatores que mais contribui para a vitória da VW Passat Alltrack é o preço, tendo em conta que nenhuma das suas concorrentes presentes neste comparativo tem tração total permanente. Se a versão da Opel Insignia Country Tourer com o mesmo tipo de tração custa mais 3 mil euros, a Peugeot 508 Hybrid4 até custa um pouco menos, mas tem uma caixa de que ninguém gosta, enquanto a Volvo só propõe uma ligação ao solo semelhante com o antigo motor D4. Face a este panorama não há dúvidas quanto à vitória da VW, mesmo sabendo que a melhor relação preço-equipamento pertence à Opel.

A mais cara é a Peugeot 508, que disputa o mesmo número de pontos com a Volvo quanto às emissões (onde a VW tem pior desempenho por ser 4Motion) embora nos consumos reais a Volvo tivesse revelado menos apetite. Sem diferenças quanto às garantias e aos valores de retoma, que acreditamos favorecer a VW, a Volvo acaba por vencer este capítulo, seguida da Opel.

#1VW PASSAT ALLTRACK

A marca alemã deu um tiro certeiro ao propor a tração total sem que isso penalizasse o preço quando comparada com os concorrentes, que custam mais e não oferecem essa solução. Tem também a maior mala das quatro.

#2 VOLVO D4 CROSS COUNTRY

Tem uma suspensão dura mas eficaz. A caixa automática Geartronic de 8 velocidades contribui para as melhores prestações da Volvo. A mala é pequena mas a habitabilidade é razoável.

#3 PEUGEOT 508 RXH

Tem a maior habitabilidade e um conforto tão elevado quanto a Opel Insignia. Só é pena não ser tão funcional. A caixa automática revelou-se uma boa aliada do motor 2.0 BlueHDi.

#4 OPEL INSIGNIA COUNTRY TOURER

Confortável, a Opel Insignia não é tão grande como parece. Tem, no entanto, uma mala grande e um acesso fácil. A boa relação preço/equipamento é um bom argumento.